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IPCA-15: entenda por que a inflação veio abaixo do esperado

IPCA-15 de janeiro de 2026 registra alta de 0,20%, abaixo das expectativas do mercado. Entenda os fatores que influenciaram o resultado.

Helena SerpaPor Helena Serpa4 min de leitura
IPCA

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial, registrou alta de 0,20% em janeiro de 2026, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No acumulado de 12 meses, o índice avançou 4,50%, acima da meta de 3% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), mas ainda dentro do limite de tolerância, que vai de 1,50% a 4,50%. O resultado ficou ligeiramente abaixo da expectativa do mercado, que previa aumento de 0,22% no mês e 4,52% em 12 meses.

Em comparação com janeiro de 2025, quando o índice havia subido apenas 0,11%, este é o menor avanço para o primeiro mês do ano desde o início do Plano Real.

Principais grupos de produtos e serviços

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Entre os nove grupos pesquisados pelo IBGE, Habitação (-0,26%) e Transportes (-0,13%) registraram queda, enquanto Saúde e cuidados pessoais (0,81%) e Comunicação (0,73%) puxaram as altas do mês.

Alimentação e bebidas

O grupo mais relevante do índice, Alimentação e bebidas, avançou 0,31% em janeiro, após sete meses de quedas consecutivas na alimentação no domicílio, que subiu 0,21%. Entre os itens que mais impactaram, destacam-se:

  • Tomate: +16,28%
  • Batata-inglesa: +12,74%
  • Frutas: +1,65%
  • Carnes: +1,32%

Entre os que registraram queda:

  • Leite longa vida: -7,93%
  • Arroz: -2,02%
  • Café moído: -1,22%

Já a alimentação fora do domicílio teve alta de 0,56%, puxada pelos lanches (+0,77%) e refeições (+0,44%).

Saúde e cuidados pessoais

Este grupo teve a maior variação do mês (0,81%), impactando 0,11 ponto percentual do índice. Entre os principais destaques:

  • Produtos de higiene pessoal: +1,38% (impacto 0,05 p.p.)
  • Planos de saúde: +0,49% (impacto 0,02 p.p.)

Comunicação

O grupo Comunicação subiu 0,73%, impulsionado por aparelhos telefônicos (+2,57%).

Habitação

A queda de 0,26% foi influenciada principalmente pela energia elétrica residencial (-2,91%), refletindo a transição da bandeira tarifária amarela para a verde em janeiro. Além disso, reajustes específicos em concessionárias, como em Porto Alegre (+21,95%), tiveram impacto negativo de -0,47%.

Transportes

O grupo caiu 0,13%, influenciado pela redução de passagens aéreas (-8,92%) e ônibus urbano (-2,79%). A queda em cidades como Belo Horizonte, Brasília e Curitiba se deu principalmente pela implementação de gratuidades em dias específicos. Em contraste, reajustes em Fortaleza, Rio de Janeiro, São Paulo e Belém puxaram a alta nos ônibus urbanos e metrô.

Análise econômica

Economistas observam que a inflação brasileira segue em desaceleração, embora alguns serviços intensivos em mão de obra continuem apresentando pressões.

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Segundo Maykon Douglas, os núcleos de inflação subiram 4,3% em 12 meses, indicando um perfil mais favorável. No entanto, a média anualizada dos últimos três meses, sem ajuste sazonal, alcançou 8%, refletindo o mercado de trabalho ainda apertado.

Gustavo Sung, da Suno Research, ressalta que o IPCA-15 evidencia desinflação em processo, sustentada pela valorização do câmbio, maior estabilidade das commodities, queda nos preços de alimentos e desaceleração nos custos de produção agrícola e industrial. Apesar de leves pressões de curto prazo, a tendência anual permanece positiva.

FAQ

O que é o IPCA-15?
O IPCA-15 é uma prévia da inflação oficial no Brasil, calculada pelo IBGE. Ele indica a variação de preços ao consumidor antes da divulgação completa do IPCA.

Qual foi a alta do IPCA-15 em janeiro de 2026?
O índice registrou alta de 0,20% em janeiro, ligeiramente abaixo das expectativas do mercado.

Quais grupos de produtos mais impactaram a inflação em janeiro?
Saúde e cuidados pessoais (0,81%) e Comunicação (0,73%) foram os grupos que mais contribuíram para a alta do IPCA-15 em janeiro de 2026.

Por que a inflação do grupo Habitação caiu em janeiro?
A queda de 0,26% foi influenciada pela redução da energia elétrica residencial, já que a bandeira tarifária passou de amarela para verde, sem custo adicional para os consumidores.

O que indica a desaceleração do IPCA-15 para a política monetária?
A desaceleração reforça que a política monetária brasileira está no caminho certo, mantendo a taxa de juros em patamar adequado. Caso a tendência de desinflação se confirme, cortes futuros podem ocorrer.

Considerações finais

O IPCA-15 de janeiro de 2026 reforça o cenário de desaceleração da inflação, embora certos setores sigam pressionando o índice. A política monetária brasileira se mantém firme, com expectativa de manutenção da taxa de juros em curto prazo e possibilidade de cortes mais à frente, caso a tendência de desinflação se consolide.

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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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