O mercado de trabalho brasileiro encerrou o trimestre terminado em novembro com uma marca histórica: a taxa de desemprego caiu para 5,2%, segundo dados da Pnad Contínua divulgados pelo IBGE. O resultado superou a expectativa dos analistas do mercado financeiro, que projetavam 5,4%, consolidando o melhor desempenho desde o início da série em 2012.
Mercado de trabalho mostra melhora: desemprego cai para 5,2%, diz IBGE
Desemprego cai a 5,2%, menor nível histórico, segundo o IBGE. Economia avança com alta de renda e ocupação recorde no Brasil.
A queda do desemprego reflete um movimento contínuo de recuperação econômica, e reforça a tendência observada desde junho de 2025, quando a taxa começou a recuar de forma consistente. A melhora ocorre em meio ao aumento da formalização, à expansão do emprego com carteira assinada e ao avanço do rendimento real dos trabalhadores.
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Desemprego atinge mínima histórica e surpreende o mercado
A taxa de desemprego registrada não apenas superou previsões, como também reduziu o número de pessoas desocupadas para 5,6 milhões, o menor contingente da série. O recuo de 441 mil pessoas (-7,2%) no trimestre e de 988 mil (-14,9%) no ano sinaliza uma aceleração na geração de postos de trabalho ao longo de 2025.
Especialistas destacam que, apesar de desafios estruturais ainda existentes, o desempenho evidencia que o mercado de trabalho brasileiro entrou em 2026 com bases mais sólidas do que nos anos anteriores, marcado pela recuperação pós-pandemia e pelo reaquecimento de setores produtivos.
Comparativo das projeções do mercado
A projeção de 5,4% divulgada pela Reuters indicava um movimento de desaceleração no ritmo de queda. No entanto, o IBGE registrou um avanço maior do que o esperado, impulsionado principalmente pela contratação formal no setor privado.
População ocupada atinge recorde e formalização avança
Paralelamente à queda do desemprego, o país alcançou o maior número de trabalhadores ocupados da história: 103 milhões de brasileiros. O crescimento se distribui entre diferentes segmentos do mercado:
- Trabalhadores com carteira no setor privado: 39,4 milhões
- Servidores públicos: 13,1 milhões
- Trabalhadores por conta própria: 26 milhões
- Empregados sem carteira: 13,6 milhões (mantendo estabilidade)
Esse avanço com a queda do desemprego sugere que a retomada da atividade econômica está distribuída entre setores formais e independentes, sem crescimento significativo da informalidade — um indicador importante para a qualidade do emprego.
Informalidade recua e chega a 37,7%
O total de trabalhadores informais caiu para 38,8 milhões, o que representa 37,7% dos ocupados. Além de uma leve queda em relação ao trimestre móvel anterior (38,0%), a taxa também fica abaixo do índice registrado um ano antes (38,8%).
Esse movimento indica estabilidade e, sobretudo, uma tendência de migração para vagas com garantias trabalhistas, o que melhora o acesso ao crédito, ao consumo e à proteção previdenciária.
Renda do trabalhador sobe e bate recorde
Outro ponto positivo dos dados do IBGE está no aumento do rendimento real habitual, que apresentou alta de 1,8% no trimestre e 4,5% em 12 meses, alcançando R$ 3.574, o maior valor registrado na série histórica.
Esse resultado demonstra que a recuperação do mercado de trabalho não se limita à criação de vagas, mas também ao aumento do poder de compra das famílias, favorecido pelo controle da inflação e pelo crescimento da massa salarial.
Setor de Informação e Finanças lidera crescimento salarial
Entre os setores analisados, apenas Informação, Comunicação, Atividades Financeiras, Imobiliárias e Administrativas registrou aumento real expressivo no rendimento médio: alta de 5,4%, equivalente a R$ 266 adicionais no bolso do trabalhador.
Nas demais áreas, os salários se mantiveram estáveis, mas sem perdas inflacionárias, o que reforça o cenário de manutenção do poder de compra.
O que sustenta a recuperação do mercado de trabalho?
1. Expansão do crédito e estímulos ao consumo
Com juros em trajetória de queda e condições mais favoráveis para tomada de crédito, empresas ampliaram contratações para atender um mercado interno aquecido.
2. Crescimento de setores estratégicos
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Tecnologia, serviços financeiros, telecomunicações e construção civil mantiveram contratações constantes e ampliaram produtividade.
3. Aumento da confiança empresarial
Indicadores de confiança acima da média incentivam investimentos e abertura de vagas permanentes.
Perspectivas para 2026: manutenção dos avanços ou desaceleração?
Economistas avaliam que o desempenho de 2025 cria um ponto de partida sólido, mas alertam que a continuidade depende do comportamento dos juros, da política fiscal e do ambiente de investimentos internacionais.
Entre as projeções para 2026, destacam-se:
- Manutenção do desemprego abaixo de 6% ao longo do ano
- Possível alta moderada nos salários com reajustes setoriais
- Crescimento do crédito ao consumidor e às empresas
- Aumento da formalização em setores emergentes, como tecnologia e energia renovável
Se a tendência se confirmar, o mercado de trabalho poderá registrar novos recordes e fortalecer a renda média nacional.
Conclusão: melhor cenário em mais de uma década
O Brasil encerra o período analisado com seu melhor resultado desde 2012: desemprego menor, ocupação recorde, renda em alta e uma tímida, porém consistente, diminuição da informalidade.
Apesar das incertezas econômicas globais, o país entra em 2026 com indicadores que reforçam expectativas positivas para trabalhadores, empresários e investidores.
Imagem: Gabriel_Ramos / shutterstock.com
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