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Setembro registra alta de 37% no limão; veja lista completa de produtos em alta

IPCA-15 de setembro registra queda média nos alimentos pelo quarto mês, mas limão sobe 37%. Veja maiores altas, quedas e impacto na inflação.

Bruna MachadoPor Bruna Machado6 min de leitura
limão

A prévia da inflação de setembro, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), trouxe um cenário misto para os consumidores brasileiros. Embora o grupo de alimentos e bebidas tenha registrado queda média de 0,35% pelo quarto mês consecutivo, alguns itens importantes pressionaram o indicador com altas expressivas.

O destaque foi o limão, que disparou 37% em setembro, liderando o ranking de maiores elevações de preços. A valorização foi quase o dobro do segundo colocado, o melão, que subiu 19,8%. Outros alimentos também figuraram entre as maiores altas, como maracujá (+14,2%) e pimentão (+14%). Fora do setor de alimentos, a energia elétrica residencial teve alta de 12,2%, impulsionando o grupo de habitação.

Apesar da pressão desses itens, a queda de produtos como pepino (-19,1%), morango (-19%), tomate (-17,5%), cebola (-8,7%) e laranja (-8,5%) ajudou a conter o avanço geral dos preços.

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O que é o IPCA-15 e sua importância

IPCA
Imagem: rafastockbr / Shutterstock.com

Como funciona o IPCA-15

O IPCA-15 é considerado a prévia oficial da inflação e é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice mede a variação dos preços de um conjunto de produtos e serviços consumidos por famílias com renda entre 1 e 40 salários mínimos, em 11 regiões metropolitanas do país.

Diferença entre IPCA e IPCA-15

  • IPCA: medido do primeiro ao último dia do mês.
  • IPCA-15: medido do dia 16 do mês anterior ao dia 15 do mês de referência.

Por ser divulgado antes do IPCA oficial, o IPCA-15 serve como termômetro antecipado da inflação e influencia decisões de mercado, projeções econômicas e políticas monetárias do Banco Central (BC).


Principais altas do IPCA-15 de setembro

1. Limão (+37%)

O limão foi o grande vilão da cesta de consumo, com alta de 37%. A escalada do preço está relacionada à entressafra, às condições climáticas adversas e ao aumento da demanda.

2. Melão (+19,8%)

Com variação de quase 20%, o melão foi o segundo item com maior alta no período, influenciado por fatores sazonais e custos logísticos.

3. Maracujá (+14,2%)

A fruta, muito consumida no verão, apresentou aumento expressivo, puxado principalmente pela redução da oferta no campo.

4. Pimentão (+14%)

O pimentão também subiu forte, reflexo de problemas climáticos em regiões produtoras e alta no custo de transporte.

5. Energia elétrica residencial (+12,2%)

A energia elétrica liderou entre os itens não alimentícios, com alta de dois dígitos em razão de reajustes tarifários e bandeiras tarifárias aplicadas pelas distribuidoras.


Principais quedas do IPCA-15 de setembro

1. Pepino (-19,1%)

O pepino liderou as quedas, registrando recuo de quase 20% no mês, resultado da maior oferta em regiões produtoras.

2. Morango (-19%)

O morango, influenciado pelo período de safra, também apresentou queda acentuada, tornando-se mais acessível ao consumidor.

3. Tomate (-17,5%)

Após meses de alta, o tomate voltou a recuar fortemente, reflexo da regularização da colheita em polos agrícolas importantes.

4. Cebola (-8,7%)

A cebola teve redução significativa, contribuindo para aliviar os custos da alimentação das famílias.

5. Laranja (-8,5%)

A maior oferta de frutas cítricas no mercado derrubou o preço da laranja, que havia subido em meses anteriores.


Panorama geral da inflação em setembro

Variação por grupos de produtos

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, cinco apresentaram alta em setembro:

  • Habitação: +3,31%
  • Vestuário: +0,97%
  • Saúde e cuidados pessoais: leve alta
  • Educação: variação positiva
  • Comunicação: variação positiva

transportes tiveram recuo de 0,25%, ajudando a conter a inflação.

Habitação: maior impacto positivo

O setor de habitação foi o que mais pressionou o índice, com alta de 3,31%, puxada pela energia elétrica.

Vestuário em alta

O vestuário subiu 0,97%, mantendo trajetória de aumento em função da troca de coleções e da elevação de custos no setor têxtil.


Visão dos especialistas

A economista Claudia Moreno, do C6 Bank, avaliou que, apesar do recuo em alimentos, fatores domésticos seguem pressionando a inflação:

“Ainda que a queda nos preços das commodities e o enfraquecimento do dólar estejam aliviando a pressão sobre os alimentos e os bens industriais, fatores internos, como o mercado de trabalho aquecido e a projeção de um câmbio mais depreciado, devem continuar pesando sobre a inflação.”

Segundo Moreno, a expectativa é de que o IPCA feche 2025 em 5% e atinja 5,2% em 2026, acima da meta do Banco Central.


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Contexto macroeconômico

Pressões externas

  • Queda das commodities agrícolas no mercado internacional ajudou a conter parte da inflação.
  • O dólar mais fraco barateou insumos importados.

Pressões internas

  • Mercado de trabalho aquecido, com aumento da renda disponível, estimula o consumo.
  • Expectativas de um câmbio mais depreciado para 2026 podem impactar custos de produção.

Expectativas do Banco Central

O BC já sinalizou que a inflação deve permanecer acima do teto da meta até o 1º trimestre de 2028, o que reforça a necessidade de cautela na política monetária.


Maiores altas e quedas do IPCA-15 de setembro

Top 5 maiores altas

  1. Limão (+37%)
  2. Melão (+19,8%)
  3. Maracujá (+14,2%)
  4. Pimentão (+14%)
  5. Energia elétrica residencial (+12,2%)

Top 5 maiores quedas

  1. Pepino (-19,1%)
  2. Morango (-19%)
  3. Tomate (-17,5%)
  4. Cebola (-8,7%)
  5. Laranja (-8,5%)

Perspectivas para os próximos meses

limão
Imagem: EyeEm – Freepik

Alimentos

A expectativa é de que a safra agrícola siga influenciando positivamente o preço de hortaliças e frutas, com quedas pontuais. Porém, itens sensíveis ao clima, como o limão, devem continuar voláteis.

Energia

O grupo de habitação deve continuar no radar, especialmente devido a possíveis reajustes tarifários e ao uso de bandeiras na conta de luz.

Inflação geral

Apesar da desaceleração em alguns grupos, o cenário ainda exige atenção, já que a meta de inflação dificilmente será cumprida nos próximos anos, de acordo com projeções do mercado.


Considerações finais

O IPCA-15 de setembro de 2025 mostra que a inflação segue em movimento heterogêneo: enquanto os alimentos registram queda média pelo quarto mês seguido, itens específicos como o limão (+37%) e o melão (+19,8%) pressionaram os preços. A energia elétrica residencial (+12,2%) também foi determinante para a alta do grupo de habitação.

Por outro lado, produtos como pepino, tomate e cebola ajudaram a aliviar a cesta básica, reforçando a volatilidade típica do setor de alimentos.

Para os próximos meses, especialistas apontam que fatores domésticos — como mercado de trabalho e câmbio — devem manter a inflação em patamares elevados, mesmo com a ajuda das commodities no cenário externo.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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