A prévia da inflação oficial do Brasil voltou a subir em setembro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou alta de 0,70%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (25).
O resultado veio acima da expectativa do mercado, que projetava avanço de 0,53%. Em agosto, o indicador havia registrado queda de 0,40%.
Com o novo resultado, o IPCA-15 acumula 3,82% em 2026 e 4,47% nos últimos 12 meses. A principal pressão veio do grupo Habitação, especialmente da energia elétrica residencial.
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Energia elétrica foi a principal pressão sobre a inflação

O grupo Habitação apresentou a maior alta entre os segmentos pesquisados pelo IBGE, com avanço de 2,07% em setembro.
O principal responsável pelo resultado foi a energia elétrica residencial, que ficou 7,42% mais cara no mês. Em agosto, o item havia registrado queda de 6,25%.
Segundo o IBGE, um dos fatores por trás da mudança foi o fim da incorporação do Bônus de Itaipu nas faturas emitidas em agosto. O benefício havia contribuído para reduzir temporariamente o valor das contas de luz.
A bandeira tarifária amarela também permaneceu em vigor em setembro, acrescentando R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.
O impacto das tarifas, entretanto, não foi igual em todas as regiões. Em Fortaleza, por exemplo, houve redução de 6,65% nas tarifas de energia a partir de 26 de agosto.
Veja quanto cada grupo subiu em setembro
Todos os nove grupos pesquisados pelo IBGE apresentaram variação positiva no mês.
- Alimentação e bebidas: 0,40%
- Habitação: 2,07%
- Artigos de residência: 0,55%
- Vestuário: 0,41%
- Transportes: 0,60%
- Saúde e cuidados pessoais: 0,13%
- Despesas pessoais: 0,96%
- Educação: 0,03%
- Comunicação: 0,54%
Apesar de todos os grupos terem apresentado alta, a intensidade foi bastante diferente entre eles. Habitação ficou bem acima dos demais segmentos, enquanto Educação teve a menor variação.
Passagens aéreas ficam quase 10% mais caras
O grupo Transportes registrou alta de 0,60%, com destaque para as passagens aéreas.
Os bilhetes tiveram aumento médio de 9,82% em setembro, contribuindo para pressionar o resultado do grupo.
Os combustíveis também ficaram mais caros, com alta média de 0,22%. O gás veicular subiu 1,56%, enquanto a gasolina teve aumento de 0,30%.
Por outro lado, houve redução nos preços do óleo diesel e do etanol, de 0,78% e 0,22%, respectivamente.
Tomate dispara e alimentos voltam a pressionar
A alimentação também contribuiu para a alta do IPCA-15. O grupo Alimentação e Bebidas subiu 0,40% no mês.
Os alimentos consumidos dentro de casa tiveram aumento de 0,38%, enquanto a alimentação fora do domicílio avançou 0,44%.
Entre os produtos que mais subiram, o destaque foi o tomate, com alta de 20,76%.
Também houve aumento nos preços do arroz, que subiu 2,39%, e das carnes, com avanço de 1,30%.
Nem todos os alimentos, porém, ficaram mais caros. O feijão-carioca registrou queda de 6,33%, enquanto a cebola recuou 4,41% e o café moído caiu 1,36%.
Cigarros têm reajuste de 14%
O grupo Despesas Pessoais apresentou alta de 0,96%, a segunda maior entre os segmentos pesquisados.
O resultado foi influenciado principalmente pelo preço dos cigarros, que aumentou 14% a partir de 1º de agosto.
O reajuste teve impacto no índice mesmo sendo concentrado em um produto específico, já que a inflação é calculada a partir de uma cesta ponderada de bens e serviços consumidos pelas famílias.
O que o resultado significa para o consumidor?
O avanço de 0,70% não significa que todas as famílias tiveram exatamente esse aumento nas próprias despesas.
A inflação medida pelo IPCA-15 representa uma média calculada a partir de uma cesta de produtos e serviços. O impacto sobre cada pessoa depende dos seus hábitos de consumo.
Quem utiliza mais energia elétrica, por exemplo, pode sentir uma pressão maior no orçamento. Já uma pessoa que não viaja de avião terá um impacto menor do aumento das passagens aéreas.
Na prática, os principais pontos de atenção em setembro foram conta de luz, alimentação e transporte.
Inflação acumula 4,47% em 12 meses
Com o resultado de setembro, o IPCA-15 passou a acumular 4,47% em 12 meses.
No acumulado de 2026, a alta chega a 3,82%.
O resultado de setembro também representa uma mudança significativa em relação ao mês anterior. Em agosto, o índice havia registrado deflação de 0,40%, enquanto agora apresentou alta de 0,70%.
É preciso lembrar que o IPCA-15 é uma prévia. O índice oficial de inflação é o IPCA, também calculado pelo IBGE, mas com período de coleta diferente.
O que acontece daqui para frente?

O próximo dado relevante será a divulgação do IPCA oficial de setembro. O resultado permitirá observar se as principais pressões identificadas pelo IPCA-15 também aparecerão no índice definitivo.
Para o consumidor, a alta reforça a necessidade de acompanhar principalmente despesas que sofreram reajustes mais fortes, como energia elétrica, alimentação e transporte.
Conclusão
O IPCA-15 de setembro mostra uma nova pressão sobre os preços após a queda registrada em agosto. A alta de 0,70% foi influenciada principalmente pela energia elétrica, mas alimentos, passagens aéreas e outros produtos também contribuíram para o resultado.
Com a inflação acumulada em 4,47% em 12 meses, o comportamento dos preços continua sendo um ponto de atenção para o orçamento das famílias. O próximo IPCA ajudará a confirmar se essas pressões permaneceram no índice oficial.
