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Irã corta acesso à internet e população recorre à Starlink como alternativa

Irã corta internet em resposta a ataques; milhares recorrem à Starlink, internet via satélite, para driblar bloqueios e manter comunicação ativa.

Bianca BorgesPor Bianca Borges6 min de leitura
starlink

No dia 17 de junho de 2025, o Irã impôs um apagão quase total na internet em todo o país em meio a uma escalada de ataques militares e cibernéticos, dificultando a comunicação interna e o compartilhamento de informações com o mundo.

Em resposta a essa crise, a população iraniana está recorrendo à rede de internet via satélite Starlink, mesmo com a operação da empresa sendo proibida no território iraniano.

Estima-se que entre 30 mil e 40 mil terminais Starlink estejam atualmente em funcionamento no país, uma prova da crescente demanda por alternativas digitais diante da repressão.

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Contexto do apagão no Irã

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Imagem: Freepik

Ataques e bloqueios em meio ao conflito

A medida de corte da internet foi tomada enquanto Israel mantinha bombardeios sobre o Irã, em um conflito que já resultou, segundo relatos oficiais, em 224 mortes do lado iraniano e 24 do lado israelense.

Autoridades iranianas justificaram o apagão como resposta a ataques cibernéticos israelenses, e a porta-voz do governo Fatemeh Mohajerani afirmou que o bloqueio foi necessário para proteger a segurança nacional.

Empresas especializadas em monitoramento da conectividade global, como Kentinc e NetBlocks, reportaram uma queda abrupta no acesso à internet no país a partir das 17h30 locais (11h30 no horário de Brasília).

Esta afetava especialmente as redes privadas virtuais (VPNs), canais que muitos iranianos usam para acessar sites estrangeiros.

Histórico de censura digital no Irã

O bloqueio de internet não é novidade no Irã. Em 2019, o país cortou o acesso à internet por seis dias durante protestos contra o aumento dos preços dos combustíveis, evento que resultou em centenas de mortes e chamou a atenção internacional para a repressão digital no país.

Na atual crise, além do corte das conexões internacionais, redes sociais populares como WhatsApp e Instagram foram bloqueadas, assim como as lojas de aplicativos da Apple e do Google.

Apenas a rede nacional de sites aprovados pelo governo permaneceu funcional, uma estratégia para controlar o fluxo de informações e manter o controle político e social.

A resposta tecnológica: Starlink entra em cena

Starlink como alternativa em meio ao apagão

A Starlink, empresa de internet via satélite liderada por Elon Musk, ganhou destaque como uma alternativa para driblar os bloqueios impostos pelo governo iraniano.

A rede utiliza uma constelação de mais de 7 mil satélites em órbita baixa da Terra para fornecer conexão de alta velocidade, independente das infraestruturas terrestres.

Mesmo com a operação proibida no Irã, estima-se que cerca de 30 mil a 40 mil terminais Starlink estejam em uso no país, alimentando um movimento popular para manter a comunicação em meio à crise.

No dia 13 de junho, poucos dias antes do apagão, Musk publicou em sua rede social X que “os feixes estão ativos”, sinalizando a disponibilidade da rede para os iranianos.

Como funciona a tecnologia Starlink

Starlink oferece internet por meio de terminais que captam sinais diretamente dos satélites em órbita baixa, garantindo baixa latência e alta velocidade mesmo em áreas remotas ou sob restrições governamentais.

A independência da infraestrutura física tradicional torna a rede uma ferramenta poderosa para superar bloqueios digitais.

Além do Irã, Starlink tem sido crucial em outras regiões com infraestrutura limitada ou censura, ajudando a conectar milhões de pessoas em 125 países, totalizando mais de 5 milhões de clientes ativos.

Implicações políticas e sociais do apagão e da Starlink

Controle da informação e liberdade digital

O bloqueio de internet no Irã é parte de uma estratégia mais ampla de controle da informação, que visa limitar a mobilização social e a divulgação de acontecimentos críticos ao governo.

O uso crescente da Starlink para acessar conteúdos censurados representa um desafio direto a essa estratégia, ampliando o acesso à informação e fortalecendo redes de resistência digital.

Desafios para o governo iraniano

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Apesar da proibição oficial, a disseminação dos terminais Starlink evidencia a dificuldade do governo em controlar completamente o fluxo digital, especialmente com tecnologias que operam no espaço e não dependem de infraestrutura local.

O crescimento do uso dessas redes pode estimular uma nova dinâmica entre cidadãos e Estado, acelerando debates sobre liberdade na internet e soberania digital, além de pressionar por mudanças políticas.

A expansão da internet via satélite como fenômeno global

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Starlink lidera mercado global, mas enfrenta desafios

A Starlink é atualmente líder no mercado de internet por satélite, com uma constelação de milhares de satélites e cobertura em 125 países. Seu modelo disruptivo tem levado conectividade a locais antes isolados, emergências humanitárias e zonas de conflito.

No entanto, a expansão enfrenta obstáculos regulatórios, técnicos e políticos. Muitos países tentam limitar o acesso por razões de segurança nacional, além de haver desafios para manter a qualidade e estabilidade da conexão em grande escala.

A internet do futuro: conectividade independente e resiliente

O caso do Irã é um exemplo claro da transformação na forma como a internet pode ser distribuída e controlada. A conectividade via satélite está se tornando uma alternativa estratégica para garantir acesso global, mesmo sob tentativas de censura ou apagões regionais.

Essa tecnologia promete reduzir a dependência das infraestruturas terrestres, possibilitando uma internet mais resiliente e acessível em situações extremas.

Considerações finais: entre apagões e redes que desafiam fronteiras

O apagão de internet imposto pelo Irã em junho de 2025 escancarou um conflito não apenas bélico, mas também digital. A resposta da população, buscando na Starlink uma ponte para o mundo, demonstra o poder das tecnologias emergentes em desafiar censuras e ampliar a liberdade de expressão.

Embora a Starlink opere ilegalmente no país, seu impacto no acesso à informação e na resistência civil é inegável, e reflete uma tendência global de transformação da conectividade.

À medida que governos buscam controlar dados e informações, empresas como a Starlink mostram que o futuro da internet pode estar no espaço, onde as fronteiras físicas e políticas são menos eficazes para bloquear o fluxo digital.

Essa nova realidade tecnológica convida a uma reflexão sobre o equilíbrio entre soberania nacional, segurança e o direito universal à informação em um mundo cada vez mais interconectado.

Bianca Borges

Autor

Bianca Borges

Bianca Borges é estudante de Publicidade e desenvolvedora em formação, com paixão por cultura pop, tecnologia e universos geek. Fã de Star Wars, DC Comics, RPG e The Walking Dead, ela traz sua visão criativa e analítica para o time do Seu Crédito Digital, colaborando na produção de conteúdos relevantes sobre consumo, serviços públicos e finanças do dia a dia. Com estilo descontraído e foco em clareza, Bianca ajuda leitores a entender temas complexos com leveza e precisão.

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