O Senado Federal discute nesta terça-feira (4) um dos projetos mais aguardados da política fiscal recente: o relatório que garante isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil por mês.
Tabela de isenção IR: datas, valores e tabela atualizada
Projeto que isenta do IR quem ganha até R$ 5 mil e reduz alíquotas intermediárias será votado na CAE do Senado. Entenda quem ganha e quanto economiza.
A proposta, que será analisada pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), também prevê redução gradual das alíquotas para contribuintes com renda entre R$ 5 mil e R$ 7.350, além da criação de uma alíquota mínima de 10% para rendas superiores a R$ 1,2 milhão por ano.
A expectativa é de que o texto seja votado ainda hoje na comissão e siga para o plenário do Senado antes de ser sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O projeto faz parte da estratégia do governo para corrigir a defasagem histórica da tabela do IR e tornar o sistema tributário mais progressivo, cobrando menos dos que ganham pouco e mais dos que concentram a renda.
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O que prevê o novo projeto de isenção do IR

Atualmente, estão isentos de pagar Imposto de Renda apenas os trabalhadores que recebem até R$ 3.030 por mês, o equivalente a dois salários mínimos.
A ampliação para R$ 5 mil mensais representará uma mudança significativa na vida de milhões de brasileiros, especialmente da classe média e dos assalariados que têm sofrido com o aumento do custo de vida.
Além da nova faixa de isenção, o texto também estabelece:
- Redução gradual de alíquotas para quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7.350 mensais;
- Cobrança mínima de 10% de IR para quem tem renda anual acima de R$ 1,2 milhão;
- Tributação sobre lucros e dividendos distribuídos acima de R$ 50 mil por mês;
- Compensação fiscal para estados e municípios, afetados pela redução de arrecadação.
De acordo com o Ministério da Fazenda, a medida beneficiará cerca de 14,4 milhões de contribuintes que hoje ainda pagam imposto, mesmo ganhando abaixo da média nacional.
Quanto cada faixa salarial vai economizar
Um estudo elaborado pela Confirp Contabilidade, com base no texto aprovado na Câmara, mostra quanto cada faixa de renda economizará mensalmente com o novo modelo. Os cálculos consideram também o 13º salário, o que amplia o ganho anual.
| Renda Bruta (R$) | Ganho Mensal (R$) | Ganho Anual (R$) | % sobre o Salário |
|---|---|---|---|
| 3.036,00 | – | – | – |
| 3.400,00 | 27,30 | 354,89 | 10,44% |
| 3.800,00 | 84,76 | 1.101,89 | 29,00% |
| 4.000,00 | 114,76 | 1.491,89 | 37,30% |
| 4.600,00 | 222,89 | 2.897,57 | 62,99% |
| 5.000,00 | 312,89 | 4.067,57 | 81,35% |
| 6.000,00 | 179,75 | 2.336,75 | 38,95% |
| 7.000,00 | 46,60 | 605,86 | 8,66% |
| 7.350,00 | 0,00 | 0,00 | 0,00% |
Os maiores ganhos estão concentrados nas faixas entre R$ 3.800 e R$ 5.000, que terão um aumento líquido de até R$ 312 por mês. Essa diferença, embora pareça modesta, representa quase um 14º salário anual para quem está na linha final da nova faixa de isenção.
Quando a isenção começa a valer
O Ministério da Fazenda confirmou que a isenção para quem ganha até R$ 5 mil deve entrar em vigor a partir de 2026, com impacto já na declaração do Imposto de Renda de 2027.
Antes disso, o projeto precisa passar por:
- Aprovação na CAE do Senado;
- Votação no plenário;
- Sanção presidencial;
- Regulamentação via decreto pelo Ministério da Fazenda e Receita Federal.
O governo acredita que o cronograma permitirá adequar o sistema da Receita Federal e preparar o ajuste de retenções na fonte para empresas e órgãos públicos.
O impacto fiscal e a compensação da medida
A ampliação da faixa de isenção implicará em uma renúncia fiscal estimada em R$ 31,7 bilhões por ano, considerando a arrecadação de União, estados e municípios.
Para compensar a perda de receita, o texto cria novas fontes de arrecadação, entre elas:
- Imposto mínimo de 10% sobre quem ganha acima de R$ 600 mil por ano;
- Tributação de lucros e dividendos mensais acima de R$ 50 mil;
- Revisão de benefícios fiscais em setores específicos.
Segundo o Ministério da Fazenda, apenas 0,13% dos contribuintes serão afetados pelo novo imposto mínimo, e eles representam as faixas mais altas de renda, que hoje pagam em média apenas 2,5% de IR efetivo.
“O objetivo é reduzir desigualdades e corrigir distorções históricas que beneficiavam os mais ricos. Quem ganha mais vai contribuir mais”, explicou um técnico da Fazenda envolvido no projeto.
Por que o governo quer mudar a tabela do IR
A tabela do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) está defasada há mais de oito anos. Mesmo com ajustes pontuais, a inflação acumulada desde 2015 fez com que milhões de trabalhadores passassem a pagar imposto, sem terem ganho real de renda.
De acordo com o Sindifisco Nacional, a defasagem da tabela supera 140%. Ou seja, se o reajuste tivesse acompanhado a inflação, quem ganha até R$ 5 mil já deveria estar isento desde 2023.
Com o reajuste, o governo espera corrigir essa distorção histórica e estimular o consumo interno, já que as famílias terão maior poder de compra.
Reações no Congresso e entre especialistas

A proposta conta com apoio majoritário no Senado, inclusive entre parlamentares da oposição, que veem a medida como justa e necessária diante do cenário de alto custo de vida. No entanto, há divergências quanto à tributação de lucros e dividendos.
Alguns senadores argumentam que o imposto mínimo de 10% pode reduzir investimentos empresariais ou incentivar planejamentos fiscais agressivos para evitar o pagamento.
Já economistas defendem que a mudança aproxima o Brasil das práticas internacionais, onde dividendos e lucros são tributados em praticamente todos os países desenvolvidos.
“É uma medida de equidade. Nenhum sistema tributário moderno isenta rendimentos de capital enquanto tributa pesadamente o trabalho”, afirmou o economista Bernard Appy, secretário extraordinário da Reforma Tributária.
Comparação internacional: onde o Brasil se encaixa
O Brasil é um dos poucos países do G20 que não tributam lucros e dividendos de forma direta. Em países como Alemanha, Canadá, França e Reino Unido, a alíquota média é de 20% a 25% sobre esses rendimentos.
Além disso, o limite de isenção do Imposto de Renda nesses países costuma variar entre US$ 15 mil e US$ 30 mil por ano, o que equivale, no Brasil, a R$ 6 mil a R$ 10 mil mensais.
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Com a aprovação da nova faixa de isenção, o Brasil se alinharia aos padrões internacionais, equilibrando justiça fiscal e competitividade econômica.
Efeitos esperados na economia
Analistas do mercado financeiro avaliam que a medida pode aumentar o consumo das famílias, especialmente nas faixas de renda mais baixas, sem gerar pressões inflacionárias significativas.
Com mais dinheiro circulando e menor carga tributária sobre salários, o governo espera um impulso no PIB em até 0,3 ponto percentual no primeiro ano de vigência.
Por outro lado, a equipe econômica adverte que será preciso manter controle sobre os gastos públicos para evitar que a renúncia fiscal afete o equilíbrio das contas.
O que muda para cada faixa de renda

Isentos até R$ 5 mil
Passam a não pagar IR nem na fonte nem na declaração anual.
De R$ 5 mil a R$ 7.350
Pagam uma alíquota reduzida e progressiva, com desconto parcial para mitigar o impacto da transição.
Acima de R$ 1,2 milhão por ano
Sofrem incidência mínima de 10% de IR, além de tributos sobre lucros e dividendos acima de R$ 50 mil mensais.
Essa estrutura busca tornar o sistema mais justo, sem onerar a classe média e fortalecendo a arrecadação sobre a alta renda.
Conclusão: uma mudança histórica no sistema tributário
A ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil representa um marco na política fiscal brasileira, prometendo aliviar o peso dos tributos sobre o trabalho e aumentar a progressividade da arrecadação.
Se confirmada, a medida colocará o Brasil em um novo patamar de justiça tributária, aproximando o país dos padrões internacionais e reforçando o poder de compra da população.
Com votação prevista ainda hoje na CAE, o projeto deve seguir para plenário nas próximas semanas, abrindo caminho para que a nova tabela entre em vigor em 2026.
“É um passo necessário para devolver justiça ao sistema tributário e aliviar o trabalhador que mais contribui para o país”, disse um senador favorável à proposta.
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