O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, na terça-feira (12), a Lei nº 15.191, que altera a tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) e amplia a faixa de isenção para quem recebe até R$ 3.036 mensais. A medida acompanha o reajuste do salário mínimo de 2025, fixado em R$ 1.518, e entra em vigor já a partir de maio deste ano.
Isenção do IRPF é aprovada e tabela é reajustada; veja como ficou
Governo Lula sanciona lei que amplia a faixa de isenção do IR para quem ganha até R$ 3.036 mensais, acompanhando o novo salário mínimo.
Com a nova legislação, cerca de 15,8 milhões de contribuintes — segundo estimativas do governo — ficam isentos do pagamento do imposto, mantendo a política de que trabalhadores com rendimentos equivalentes a até dois salários mínimos não sejam penalizados com a carga tributária.
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Entenda a origem da mudança
Projeto surgiu após reajuste do salário mínimo
A atualização da tabela do IRPF foi motivada pela elevação do salário mínimo, medida tradicionalmente adotada em janeiro, mas cujos efeitos fiscais se consolidam ao longo do ano. Sem a correção da faixa de isenção, milhões de trabalhadores poderiam passar a pagar imposto de renda, mesmo sem terem tido aumento real de renda.
Para evitar esse “efeito colateral”, o governo encaminhou ao Congresso o Projeto de Lei nº 2.692/2025, proposto pelo deputado José Guimarães (PT-CE), líder do governo na Câmara. O texto foi aprovado em ambas as casas legislativas com rapidez, e a sanção presidencial veio dentro do prazo, evitando lacuna legal após o fim da Medida Provisória nº 1.294/2025, que tratava do mesmo tema de forma temporária.
Trâmite legislativo foi acelerado
A votação final no Senado ocorreu na quinta-feira (7), com relatoria do senador Jaques Wagner (PT-BA). Para não haver necessidade de retorno à Câmara e possível perda de validade da isenção temporária, os parlamentares evitaram alterações no texto original.
Segundo Wagner, o foco principal era garantir que o aumento do salário mínimo não elevasse a carga tributária sobre os trabalhadores de menor renda, protegendo o poder de compra e a justiça tributária.
Como fica a nova tabela do IRPF
Faixa de isenção vai até R$ 3.036
Com a sanção da Lei nº 15.191, a nova tabela do IRPF para pessoas físicas passa a ter o seguinte formato a partir de maio de 2025:
Tabela Progressiva Mensal – IRPF (a partir de maio/2025)
| Base de Cálculo (R$) | Alíquota (%) | Parcela a Deduzir (R$) |
|---|---|---|
| Até 2.428,80 | 0% | 0,00 |
| De 2.428,81 a 2.826,65 | 7,5% | 182,16 |
| De 2.826,66 a 3.751,05 | 15% | 394,16 |
| De 3.751,06 a 4.664,68 | 22,5% | 675,49 |
| Acima de 4.664,68 | 27,5% | 908,73 |
Vale destacar que a faixa isenta, na prática, se estende até R$ 3.036 devido ao desconto simplificado automático de R$ 528, aplicado sobre os rendimentos mensais de até R$ 2.428,80.
Medida evita avanço da “mordida do leão” sobre baixa renda
A correção impede o fenômeno conhecido como “progressividade por omissão”, que ocorre quando o reajuste do salário mínimo não é acompanhado pela atualização da tabela do IR, fazendo com que contribuintes da base da pirâmide passem a ser tributados.
Impactos para trabalhadores e aposentados

Alívio tributário para milhões de brasileiros
Com a nova faixa de isenção, trabalhadores assalariados, aposentados e pensionistas com rendimentos mensais de até R$ 3.036 não pagarão mais Imposto de Renda, independentemente da fonte pagadora.
A medida reforça a política de valorização da renda e da justiça fiscal, beneficiando principalmente as camadas mais vulneráveis da população economicamente ativa. Segundo o governo, essa faixa concentra o maior número de contribuintes do país.
Benefício direto também para o setor público
No caso dos servidores públicos federais com salários compatíveis, a nova faixa de isenção também será aplicada, reduzindo os descontos em folha e aumentando a renda líquida disponível para consumo.
Contadores e departamentos de recursos humanos devem atualizar seus sistemas para refletir a nova tabela a partir da folha de maio. O ajuste técnico deve ocorrer automaticamente no cálculo dos salários e aposentadorias.
Efeitos para empresas e contabilidade
Recalibração nas retenções na fonte
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As empresas precisarão revisar suas rotinas de folha de pagamento e os sistemas contábeis para aplicar corretamente as novas faixas e alíquotas. Para os empregadores com grande volume de funcionários com salários até dois mínimos, haverá redução da necessidade de retenções e obrigações de repasse do imposto.
Esse efeito também pode influenciar no planejamento contábil e na folha de pagamento das empresas, especialmente nas micro e pequenas empresas do setor de serviços.
Atualização nos softwares fiscais
Os sistemas de gestão fiscal, como ERPs e plataformas de RH, precisam ser atualizados para garantir conformidade com a nova legislação. Falhas na adaptação podem gerar problemas com o Fisco, inclusive autuações por recolhimentos incorretos ou atrasos na entrega das obrigações acessórias.
Debate sobre futuras mudanças
Propostas para ampliar ainda mais a isenção
Durante a tramitação do PL nº 2.692/2025, houve debate sobre a possibilidade de elevar ainda mais a faixa de isenção. Alguns parlamentares chegaram a propor isenção para rendimentos mensais de até R$ 7.300. No entanto, essa sugestão foi descartada para não inviabilizar a sanção antes do prazo da medida provisória.
Segundo o senador Jaques Wagner, a proposta já está sendo discutida por meio de outro projeto, o PL nº 1.087/2025, que está em análise na Câmara dos Deputados. Esse novo texto propõe:
- Isenção do IRPF para quem ganha até R$ 5.000 a partir de 2026;
- Redução gradual das alíquotas para salários de até R$ 7.350.
Caso aprovado, o projeto representará uma das maiores revisões da tabela do Imposto de Renda nas últimas décadas.
Governo promete avanço na justiça tributária

O presidente Lula tem reiterado, em discursos públicos, o compromisso de “fazer quem ganha mais pagar mais, e quem ganha menos pagar menos”. A reforma tributária em curso e os ajustes na tabela do IRPF fazem parte desse conjunto de medidas.
Segundo o Ministério da Fazenda, a ampliação da faixa de isenção é compatível com a responsabilidade fiscal e foi incluída na projeção de receitas da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2025.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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