A crescente demanda por energia elétrica no Paraguai, impulsionada principalmente por data centers, tecnologias de inteligência artificial (IA) e mais, levou a direção da Itaipu Binacional a considerar a expansão de sua capacidade de geração.
Itaipu pode construir 2 turbinas para atender aumento do consumo de IA no Paraguai
Diante do crescimento do consumo de energia pelo Paraguai, Itaipu avalia a construção de duas novas turbinas. Confira!
Atualmente, a hidrelétrica, localizada na fronteira entre o Brasil e o Paraguai, opera com 20 unidades geradoras, com potência instalada total de 14 mil megawatts (MW). Com espaço físico para mais duas turbinas, o projeto passa agora para uma fase de estudos técnicos, ambientais e econômicos, além de negociações diplomáticas entre os dois países.
O cenário que pressiona a capacidade da hidrelétrica

O diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri, ele disse que o Paraguai está perto de utilizar toda a energia que lhe cabe. Atualmente, o tratado que rege Itaipu determina que cada país tem direito a 50% da produção. O excedente não utilizado deve ser vendido ao país vizinho a preço de custo.
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Mineração e inteligência artificial como vetores de consumo
O crescimento do consumo de energia no Paraguai é impulsionado pela mineração de criptomoedas e pela expansão de data centers e servidores de inteligência artificial, que demandam grande quantidade de eletricidade.
Estudos em andamento para viabilizar expansão
Atualmente, cada turbina da usina gera 700 MW. No entanto, isso não significa que novas turbinas gerarão exatamente a mesma quantidade. Verri pondera que, com os avanços tecnológicos, é possível que novas unidades gerem mais energia, mesmo com menor porte, ou, ao contrário, tenham produtividade inferior, dependendo das condições técnicas.
Viabilidade técnica, ambiental e econômica
Apesar de considerar a ampliação “inevitável”, o diretor ressalta que o projeto exige cautela. A decisão dependerá de diversos estudos, incluindo impactos sociais e ambientais. “Uma coisa é construir uma usina na ditadura militar, outra é construir hoje”, declarou, em referência ao fato de que Itaipu foi erguida entre 1974 e 1982, durante o regime militar no Brasil.
Além disso, existe a possibilidade de que a ampliação da usina exija aumento do nível do reservatório, o que implicaria alagar novas áreas e afetar comunidades locais. “Isso envolve um grande estudo estratégico”, alertou Verri.
Regras e decisões binacionais

Gestão compartilhada e decisões conjuntas
Cada país detém 50% do controle da hidrelétrica, o que se reflete tanto no consumo de energia quanto nas decisões operacionais e cargos diretivos. Assim, qualquer decisão de expansão da usina deverá passar por um acordo entre os dois governos e parlamentos.
Novo modelo de comercialização a partir de 2027
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Outro fator relevante para o futuro da geração de energia em Itaipu é o novo modelo de comercialização previsto para entrar em vigor em 2027. A partir dessa data, o país que tiver excedente energético poderá decidir seu destino, inclusive vendendo a terceiros, como empresas no mercado livre brasileiro ou até países estrangeiros.
FAQ
Por que o Paraguai está consumindo mais energia?
O crescimento econômico, a instalação de data centers e o aumento da atividade de mineração de criptomoedas têm impulsionado o consumo de energia no país.
Quantas turbinas a Itaipu pode ter?
A usina possui atualmente 20 turbinas. Há espaço físico para mais duas unidades, o que representaria um aumento de até 10% na capacidade instalada.
A ampliação da usina já foi aprovada?
Não. A proposta está em fase de estudo técnico, ambiental, econômico e político. Qualquer decisão dependerá de consenso entre os governos de Brasil e Paraguai.
Quando as novas turbinas poderiam ser construídas?
Ainda não há prazo definido. A viabilidade econômica do projeto não está confirmada, e o setor energético exige planejamento de longo prazo.
Considerações finais
Entretanto, a expansão de Itaipu não depende apenas de capacidade técnica ou espaço físico: envolve debates ambientais, impactos sociais e uma articulação política delicada entre Brasil e Paraguai. Em um cenário de transformação energética e novas demandas digitais, o futuro de Itaipu pode representar tanto um desafio quanto uma oportunidade para fortalecer a integração e a segurança energética regional.
