O Itaú BBA revisou sua recomendação para as ações preferenciais do Bradesco (BBDC4), elevando de neutra para “outperform” — classificação equivalente a compra. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (4), vem acompanhada de um novo preço-alvo de R$ 20, representando um potencial de valorização de 23% sobre o fechamento do dia anterior.
Bradesco recebe ‘compra’ do Itaú após destaque em crédito e seguros
Itaú BBA eleva recomendação das ações do Bradesco (BBDC4) para compra, com foco na recuperação do ROE e forte desempenho da área de seguros.
A justificativa do banco está ancorada em uma revisão positiva das estimativas de lucro, impulsionada por melhor desempenho nas operações bancárias e na área de seguros, com destaque expressivo para a divisão de saúde.
O movimento reforça a percepção de que o Bradesco está em processo de recuperação e pode voltar a entregar resultados consistentes aos investidores.
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ROE em trajetória de recuperação

Um dos principais pontos do relatório do Itaú BBA está na projeção de melhora do ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido) do Bradesco. O indicador, que ficou em 12% em 2024, deve chegar a 15% no segundo semestre de 2025 e atingir 16% em 2026. A recuperação é atribuída ao crescimento da carteira de crédito, controle de custos e evolução das margens operacionais.
Além disso, o banco prevê que as despesas operacionais se manterão sob controle, o que deve favorecer os indicadores de eficiência a partir do próximo ano. Isso contribuirá para que o Bradesco enfrente com mais solidez uma eventual deterioração da qualidade de crédito, ainda esperada no ambiente macroeconômico.
Valuation considerado atrativo
Mesmo após valorização recente, os analistas do Itaú BBA veem potencial de alta adicional nas ações BBDC4. Os papéis estão sendo negociados a múltiplos considerados atraentes frente ao desempenho esperado:
- 0,9 vez o valor patrimonial (P/VPA)
- 6,1 vezes o lucro projetado para 2026 (P/L)
Com base nesses números, o banco projeta um crescimento médio de 20% ao ano no lucro por ação entre 2024 e 2026, o que reforça a tese de valorização das ações do Bradesco no médio prazo.
Segmento de seguros: um dos pilares da rentabilidade
Um dos diferenciais destacados no relatório do Itaú BBA é o papel estratégico do segmento de seguros no desempenho do conglomerado. Em 2024, a área registrou lucro de R$ 9,1 bilhões, próximo ao resultado da operação bancária, que somou R$ 10,5 bilhões.
A projeção para 2025 é ainda mais otimista: lucro de R$ 10,3 bilhões no segmento de seguros, com ROE de 25%. Para 2026, espera-se um ritmo de crescimento mais moderado, impactado pela possível queda nos juros — que afetaria os ganhos financeiros. Ainda assim, os ganhos operacionais devem ser sustentados, mantendo a atratividade da área para o grupo.
Bradesco Saúde se destaca entre os pares
A divisão Bradesco Saúde é apontada como uma das principais responsáveis pela melhora nos resultados. Com R$ 45 bilhões em receita, a operadora apresentou um desempenho robusto em 2024:
- Lucro saltou para R$ 1,6 bilhão, praticamente o dobro do registrado no ano anterior.
- Índice de sinistralidade (MLR) apresentou melhora relevante.
- Eficiência operacional garantiu o aumento da margem, mesmo com redução na base de beneficiários.
Essa performance foi possibilitada por reajustes nos preços dos planos, maior ticket médio e ganhos de escala em processos e controle de custos. De acordo com o relatório, a Bradesco Saúde vem se destacando frente a outros players do setor, como SulAmérica e Hapvida.
Parceria com a Rede D’Or mostra resultados
Outro ponto de destaque é a joint venture com a Rede D’Or, que inclui participação em hospitais como o São Luiz Guarulhos e São Luiz Alphaville. Os resultados já começaram a aparecer:
- O hospital de Guarulhos atingiu o break-even em apenas dois meses.
- Atualmente, opera com 90% de ocupação média.
- Para 2025, a estimativa é de R$ 42 milhões em equity income para o Bradesco Saúde com a parceria.
- Em 2026, esse valor pode saltar para R$ 155 milhões, segundo projeções do Itaú BBA.
A expectativa é que a sinergia entre as operações resulte não apenas em ganhos financeiros, mas também em aumento da base de beneficiários, graças à melhora na qualidade e estrutura da rede credenciada.
Estratégia de longo prazo: participação, não operação direta
O relatório do Itaú BBA destaca que o Bradesco não tem planos de operar diretamente os hospitais da Rede D’Or. Em vez disso, a estratégia é manter participações minoritárias em unidades selecionadas, garantindo alinhamento financeiro e controle de qualidade da rede credenciada.
Essa abordagem permite à Bradesco Saúde manter o foco em sua atividade principal, que é a gestão de planos e seguros de saúde, ao mesmo tempo em que assegura previsibilidade de sinistros e reforça a atratividade de seus planos perante o público.
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Ganhos de eficiência e expansão esperada
A sinergia com a Rede D’Or também deve permitir:
- Melhor gestão da sinistralidade
- Expansão geográfica da rede
- Aumento da percepção de valor dos planos premium
- Fidelização de beneficiários com serviços de maior qualidade
Essas vantagens estratégicas foram ressaltadas como elementos que podem impulsionar a Bradesco Saúde a um novo patamar competitivo, com potencial de liderar o mercado de saúde privada no Brasil nos próximos anos.
Perspectivas favoráveis para o Bradesco

O Itaú BBA reforça que, mesmo diante de desafios como a inadimplência e a possível deterioração da qualidade do crédito, o Bradesco apresenta fundamentos sólidos, principalmente pela diversificação de receitas e ganhos com a vertical de seguros e saúde.
Entre os pontos positivos listados no relatório, estão:
- ROE em trajetória ascendente
- Eficiência operacional crescente
- Valuation atrativo
- Perspectivas de crescimento acelerado do lucro
- Resultados robustos na Bradesco Saúde
- Parcerias estratégicas bem-sucedidas
Com esse conjunto de fatores, o Bradesco se consolida como uma das principais apostas entre os grandes bancos brasileiros, com potencial de valorização relevante no médio e longo prazo, inclusive no contexto da América Latina.
Considerações finais
A mudança na recomendação das ações do Bradesco por parte do Itaú BBA marca um momento de virada na percepção do mercado sobre o banco. Impulsionado por bons resultados nas áreas de seguros e saúde, sobretudo pela performance da Bradesco Saúde e a parceria estratégica com a Rede D’Or, o banco demonstra resiliência, capacidade de adaptação e boa execução estratégica.
O preço-alvo de R$ 20 com potencial de alta de 23%, mesmo após valorização recente, mostra que o papel ainda é considerado barato para o que pode entregar em termos de crescimento e retorno aos acionistas.
A recomendação de compra reforça a posição do Bradesco como uma alternativa atrativa para investidores que buscam exposição ao setor financeiro brasileiro com diversificação e foco em rentabilidade de longo prazo.
