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Itaú revela: demitidos em home office cumpriam só 20% da jornada

Itaú demitiu cerca de mil funcionários por baixa produtividade no home office. Banco aponta quebra de confiança, enquanto sindicato contesta falta de transparência.

Bruna MachadoPor Bruna Machado6 min de leitura
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Na segunda-feira, 8 de setembro, o Itaú Unibanco, maior banco privado da América Latina, anunciou o desligamento de aproximadamente mil funcionários. A justificativa apresentada pela instituição foi a baixa produtividade no regime de trabalho remoto.

Segundo o comunicado, parte desses colaboradores cumpria apenas cerca de um quinto da jornada prevista, apesar de registrarem horas extras.

A decisão gerou repercussão imediata. De um lado, o banco reforça que se tratou de uma medida pontual para preservar a confiança. Do outro, o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região classificou o movimento como demissão em massa injustificada, contestando a falta de transparência nos critérios utilizados.

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A justificativa do banco

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Imagem: Diego Thomazini / Shutterstock.com

Atividade digital como métrica

No comunicado divulgado em 10 de julho, o Itaú afirmou ter identificado uma “minoria de colaboradores em jornadas de trabalho remoto com baixos níveis de atividade digital”. A análise foi feita ao longo de quatro meses, considerando o tempo de conexão e o uso dos sistemas corporativos.

Segundo o banco, os casos mais críticos registravam apenas 20% de atividade digital em um dia, o que corresponderia a um quinto da carga horária. Ainda assim, esses trabalhadores teriam reportado horas extras, sem justificativa aparente.

Exemplos apresentados pelo Itaú

A instituição detalhou dois casos para embasar sua decisão:

  • Em uma área com 316 analistas, a média de atividade digital foi de 72%. Já os colaboradores desligados apresentavam entre 27% e 37%, além de registrarem horas extras.
  • Em outra área com 30 analistas, a média ficou em 75%, enquanto o profissional desligado teve 39% de atividade digital, também com registro adicional de horas.

O banco destacou que a média geral de atividade digital dos colaboradores em home office é de 75%, patamar que considera “adequado”.

Quebra de confiança

Para o Itaú, os casos identificados configuram “desvio do padrão de comportamento” e resultam em quebra de confiança entre empregador e empregado. A instituição frisou que até mesmo funcionários com boa avaliação de performance foram desligados, já que a conduta em relação ao tempo de trabalho não estaria alinhada às expectativas da empresa.

O contraponto do sindicato

Críticas à falta de transparência

O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região reagiu de imediato ao anúncio, afirmando que as demissões foram excessivas e desproporcionais. Segundo a entidade, a justificativa de queda de produtividade não é clara e não foi discutida previamente com os representantes dos trabalhadores.

Demissão em massa e direitos trabalhistas

A organização classifica o episódio como demissão em massa, exigindo transparência e respeito aos acordos coletivos. Para o sindicato, a gestão de desempenho deve incluir critérios objetivos, comunicação direta e possibilidade de defesa. O órgão lembra ainda que a negociação coletiva prevê garantias mínimas no teletrabalho, incluindo orientação de gestores e processos claros em casos de advertência ou falhas.

O dilema do home office no setor bancário

Avanço do teletrabalho

A pandemia de Covid-19 consolidou o home office como alternativa viável no setor financeiro. Bancos e fintechs adotaram o regime remoto para reduzir custos e oferecer mais flexibilidade. No entanto, a gestão de produtividade nesse modelo continua sendo um desafio.

Monitoramento e privacidade

O uso de métricas digitais de produtividade levanta debates sobre privacidade e confiança. Embora ajude a identificar padrões de comportamento, a análise pode não capturar nuances da jornada de trabalho, como reuniões externas, atividades offline ou tarefas não digitalizadas.

O risco da generalização

Especialistas em recursos humanos alertam que a avaliação puramente quantitativa pode levar a injustiças. Um colaborador pode apresentar baixa atividade digital em determinados períodos por estar envolvido em projetos específicos que não exigem interação constante nos sistemas.

Impactos para o Itaú e para os trabalhadores

Clima organizacional

As demissões em massa podem afetar o clima organizacional dentro da instituição. Funcionários remanescentes podem se sentir pressionados, temendo novas medidas, o que impacta a motivação e a produtividade.

Imagem corporativa

O Itaú, que já vinha investindo fortemente em transformação digital e políticas de diversidade, agora enfrenta um desafio de imagem. O episódio pode gerar desgaste na relação com clientes e investidores, especialmente em um cenário de alta competitividade no setor bancário.

Consequências para os desligados

Para os trabalhadores demitidos, o desafio é ainda maior. Em um mercado altamente competitivo, a marca de baixa produtividade pode prejudicar futuras recolocações, mesmo que os critérios utilizados pelo banco sejam questionáveis.

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O que dizem os especialistas

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Imagem: Freepik e Canva

Direito trabalhista

Juristas apontam que, embora o empregador tenha autonomia para decidir desligamentos, a falta de transparência e de comunicação clara pode gerar passivos trabalhistas. Casos de suposta demissão injusta ou sem o devido processo podem resultar em ações na Justiça do Trabalho.

Gestão de desempenho

Consultores de RH afirmam que o episódio mostra a importância de modelos híbridos de avaliação, combinando métricas digitais, feedback de gestores e resultados entregues. Apenas assim é possível garantir uma análise justa e equilibrada.

O papel da negociação coletiva

Para especialistas em relações sindicais, o episódio deve reforçar a necessidade de fortalecer negociações coletivas, especialmente em temas ligados ao teletrabalho, para evitar lacunas que possam prejudicar trabalhadores.

Futuro do trabalho remoto no setor financeiro

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Imagem: cookie_studio- Freepik / Edição: Seu Crédito Digital

Tendência de revisão de políticas

O caso Itaú pode servir de alerta para outras instituições financeiras. A tendência é que bancos revisem suas políticas de home office, buscando equilibrar produtividade e bem-estar.

Novos modelos de monitoramento

Ferramentas de inteligência artificial e análise de dados devem ganhar espaço, mas será essencial garantir transparência e ética no uso das informações.

Debate sobre equilíbrio entre vida pessoal e profissional

O episódio também reacende a discussão sobre o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. A pressão por produtividade pode comprometer a saúde mental dos trabalhadores, tornando urgente a adoção de práticas de gestão mais humanizadas.

Considerações finais

As demissões no Itaú expõem um dos maiores dilemas do mercado de trabalho atual: como medir produtividade no home office de forma justa e transparente. Enquanto o banco defende que houve quebra de confiança, o sindicato insiste que os desligamentos foram excessivos e carecem de critérios claros.

Mais do que um caso isolado, o episódio pode redefinir o debate sobre o teletrabalho no Brasil, envolvendo bancos, sindicatos, especialistas e milhões de trabalhadores que vivem o desafio do equilíbrio entre flexibilidade e responsabilidade.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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