O Itaú Unibanco apresentou mais um trimestre robusto, consolidando sua posição de liderança no setor bancário brasileiro. No segundo trimestre de 2025, o banco registrou lucro líquido recorrente gerencial de R$ 11,5 bilhões, resultado 14,3% superior ao mesmo período de 2024 e acima das estimativas do mercado.
Itaú entrega novo trimestre “inabalável” e atrai reforço de compra dos analistas
Itaú reporta lucro líquido recorrente de R$ 11,5 bilhões no 2º trimestre, eleva projeções de NII e mantém top pick entre analistas.
Segundo dados compilados pela LSEG, a projeção de analistas era de R$ 11,3 bilhões. O resultado ficou também 1,5% acima da estimativa da XP Investimentos, sustentado por melhorias simultâneas em margens, crescimento de crédito, receitas de tarifas e controle de custos.
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Rentabilidade e margem financeira em alta
O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) consolidado atingiu 23,3%, um aumento de 80 pontos-base em relação ao trimestre anterior. A receita líquida de juros (NII) com clientes subiu 3,1%, apoiada por:
- Maiores volumes de crédito;
- Composição mais rentável da carteira;
- Margens de passivos aprimoradas.
Essa combinação positiva levou o banco a revisar para cima sua projeção de crescimento do NII com clientes, agora estimando avanço entre 11% e 14% em 2025.
Inadimplência e carteira de crédito
A inadimplência acima de 90 dias permaneceu estável em 1,9%, mostrando resiliência da carteira, enquanto o custo do crédito se manteve em 2,6% da carteira total.
A carteira de crédito total ficou praticamente estável na comparação trimestral, com destaque para:
- Empréstimos imobiliários;
- Crédito para pequenas e médias empresas (PMEs).
Essa estabilidade é interpretada pelo mercado como uma postura conservadora, mas ainda consistente com o cenário macroeconômico e com a meta de crescimento no limite inferior da projeção anual, estimada em 4,9% (versus faixa de 4,5% a 8,5%).
Revisão de projeções e imposto
Além da revisão positiva no NII, o Itaú ajustou para cima a estimativa de alíquota efetiva de imposto, o que, segundo a administração, deve compensar parcialmente o crescimento do lucro líquido.
Essa atualização indica que o banco mantém uma gestão fiscal e operacional alinhada para preservar margens e resultados mesmo com ajustes tributários.
Avaliação de casas e bancos de investimento
Genial Investimentos
A Genial destacou que o Itaú entregou mais um trimestre sólido e consistente, reforçando sua liderança em escala, eficiência e lucratividade, independentemente do ciclo econômico.
“Bem capitalizado, com excesso de provisões e espaço relevante para ganhos de eficiência, o Itaú segue como nossa principal escolha no setor bancário”, afirma a casa.
A Genial mantém recomendação de compra para ITUB4, com preço-alvo de R$ 43,80, o que representa potencial de valorização de 22,7% sobre o último fechamento. Para investidores com menos restrição de liquidez, a casa também recomenda ITUB3, atualmente mais descontada.
XP Investimentos

A XP reforça o Itaú como top pick no setor bancário, citando consistência nos resultados, resiliência operacional e capacidade de adaptação. A corretora vê espaço para valorização mesmo após a alta de 35% das ações ITUB4 no ano.
JPMorgan
O JPMorgan avaliou o desempenho como positivo e consistente, destacando que o NII superou suas projeções em 1% e que o índice de capital CET1 subiu 50 pontos-base para 13,1%.
No entanto, o banco americano chamou atenção para o aumento da NPL formation (novas entradas em atraso), que subiu de R$ 1,7 bilhão para R$ 9,4 bilhões, puxada por operações de refinanciamento no varejo.
Bradesco BBI
O Bradesco BBI ressaltou a forte expansão do NIM (margem de juros líquida), que avançou 20 pontos-base frente ao trimestre anterior, impulsionada por um melhor mix de produtos e margens de passivos. O BBI mantém recomendação outperform (desempenho acima da média) para ITUB4, com preço-alvo de R$ 44.
Morgan Stanley
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O Morgan Stanley também mantém visão construtiva sobre o Itaú, com recomendação equivalente à compra (overweight) para os ADRs ITUB negociados nos Estados Unidos, e preço-alvo de US$ 7,50.
Dividendos e potencial de retorno
O BBI atualizou sua avaliação sobre dividendos do Itaú, estimando dividend yield de cerca de 10,5% para 2025, considerando o ritmo atual de crescimento de empréstimos. Esse patamar é considerado atrativo, especialmente para investidores em busca de renda passiva.
A perspectiva de distribuição reforça o apelo das ações, mesmo após a valorização expressiva no ano, mantendo a atratividade para investidores institucionais e de varejo.
Fatores que sustentam o otimismo
Entre os elementos que explicam a postura positiva das casas de análise em relação ao Itaú, destacam-se:
- Eficiência operacional elevada;
- Gestão de riscos conservadora;
- Diversificação de receitas entre crédito, tarifas e operações de mercado;
- Capitalização robusta, com CET1 em alta;
- Histórico de consistência na entrega de resultados acima das expectativas.
Desafios e riscos no horizonte
Apesar do cenário favorável, analistas apontam pontos de atenção:
- O aumento da NPL formation pode sinalizar deterioração de alguns segmentos de crédito;
- Pressões competitivas no setor bancário, com avanço de fintechs e bancos digitais;
- Possíveis impactos de mudanças regulatórias e fiscais.
Ainda assim, o consenso é que o Itaú tem condições de mitigar esses riscos, dada sua estrutura de capital, governança e posição de liderança no mercado.
Perspectivas para o 2º semestre

Com as revisões para cima nas projeções de NII e o controle de inadimplência, o Itaú entra no segundo semestre com expectativa de:
- Crescimento moderado da carteira de crédito, dentro do limite inferior da projeção;
- Rentabilidade acima de 20% de ROE;
- Manutenção de uma política de dividendos consistente;
- Possibilidade de novas revisões positivas caso o ambiente econômico se mantenha estável.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
