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Dólar em queda? Especialistas do Itaú apontam possibilidades com decisões do Fed

Mario Mesquita, economista-chefe do Itaú, prevê dólar a R$ 5,50 até 2025, PIB de 2,2% e Selic em 15% até 2026. Veja análise completa do cenário econômico.

Bruna MachadoPor Bruna Machado5 min de leitura
Dólar

O Itaú Unibanco apresentou novas projeções econômicas que apontam para um cenário de câmbio em R$ 5,50 até o fim de 2025 e manutenção da Selic a 15% pelo menos até o primeiro trimestre de 2026. A análise foi divulgada pelo economista-chefe do banco, Mario Mesquita, e pelo especialista em contas públicas Pedro Schneider, em entrevista coletiva nesta quarta-feira (27).

Segundo os executivos, o fortalecimento do real frente ao dólar ainda tem espaço para avançar, mas depende principalmente do cenário internacional, em especial das decisões do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos.

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Dólar a R$ 5,50: projeção do Itaú

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Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

Fortalecimento do real e cenário externo

De acordo com Mesquita, a tendência de valorização do real está em linha com outras moedas emergentes, mas a trajetória do câmbio dependerá mais de fatores externos do que domésticos.

“Vai depender muito de como os cortes do Federal Reserve (Fed) serão, de quantos serão e de como isso ajudará outras moedas”, explicou Pedro Schneider.

O Itaú projeta que a cotação do dólar deve permanecer em torno de R$ 5,50 até o fim de 2025, com tendência de leve depreciação nos meses seguintes, dado o déficit em conta corrente acima de 4% do PIB.

Influência do Fed

O chefe do Fed, Jerome Powell, sinalizou no simpósio de Jackson Hole a iminência de um ciclo de cortes de juros já em setembro. O Itaú estima três cortes curtos e consecutivos, o que pode pressionar o dólar globalmente e favorecer moedas como o real.

No entanto, Mesquita pondera que os EUA podem não conseguir cortar tanto quanto o mercado espera, pois a economia norte-americana segue forte, com baixo desemprego e choques de oferta persistentes.


O comportamento atípico do câmbio

Mesquita destacou que o atual cenário apresenta um movimento incomum:

  • Moedas em queda;
  • Juros em alta;

Esse padrão, mais comum em mercados emergentes, reflete fragilidades da moeda em um contexto de incertezas globais.

Atualmente, o dólar está cotado a R$ 5,45, o que representa uma queda de 13,4% desde o início de 2025.


O consenso do mercado e o Relatório Focus

As projeções do Itaú não estão isoladas. O Relatório Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central, mostra que o mercado financeiro espera dólar a R$ 5,59 ao fim deste ano, R$ 5,64 em 2026 e R$ 5,63 em 2027.

Ou seja, a expectativa geral é de relativa estabilidade no câmbio, com margens de oscilação influenciadas pelo cenário externo.


PIB e risco de recessão: análise do Itaú

Consumo aquecido como pilar

O Itaú estima um crescimento de 2,2% para o PIB em 2025, seguido de 1,5% em 2026. Mesmo com essa desaceleração, o banco destaca que o risco de recessão mais profunda está mitigado pela resiliência do consumo.

Segundo Mesquita, a manutenção de um mercado de trabalho aquecido deve sustentar a renda e evitar uma queda mais brusca na atividade econômica.

Fatores adicionais

  • Consignado INSS: apesar de falhas operacionais, o crédito consignado impulsiona o consumo;
  • Pagamento de precatórios: injeta recursos na economia, com a população priorizando gastos ao invés de poupança;
  • Ano eleitoral em 2026: tende a gerar estímulos fiscais, com viés positivo para o crescimento.

Selic: juros elevados por mais tempo

Projeção do Itaú

O Itaú prevê que a Taxa Selic será mantida em 15% até pelo menos o primeiro trimestre de 2026, em linha com o tom austero do Banco Central.

“Quando o BC usou somente ‘prolongado’ no passado, isso significou uma pausa entre sete a nove reuniões. Então esse ‘bastante’ pode significar mais do que isso”, afirmou Mesquita.

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Para o banco, a Selic deve encerrar 2026 em 12,75%, refletindo cortes graduais apenas após a consolidação do cenário inflacionário.

Boas notícias no radar

Apesar da postura austera, o Itaú vê sinais positivos no Boletim Focus, como:

  • Inflação implícita em queda;
  • Revisões para baixo em indicadores de preços;
  • Expectativa de menor pressão inflacionária no médio prazo.

O cenário internacional como vetor-chave

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Fed e política monetária dos EUA

O comportamento do câmbio brasileiro está atrelado ao ciclo de juros norte-americano. Cortes mais agressivos do Fed poderiam acelerar a queda do dólar, mas a força da economia dos EUA pode limitar o espaço para flexibilização.

Repercussões globais

  • Moedas emergentes tendem a se valorizar com cortes de juros nos EUA;
  • Fluxos de capital podem migrar para ativos de risco em busca de maior rentabilidade;
  • O Brasil, com Selic em 15%, segue atraente para investidores internacionais.

Desafios para o Brasil

Apesar do otimismo com câmbio e crescimento, o Itaú alerta para fatores de risco que podem alterar as projeções:

  • Déficit em conta corrente acima de 4% do PIB;
  • Dependência de estímulos fiscais em 2026;
  • Pressões políticas sobre o Banco Central;
  • Choques externos, como flutuações no preço das commodities.

Considerações finais

As projeções do Itaú Unibanco para o câmbio, juros e crescimento da economia brasileira reforçam um cenário de otimismo cauteloso. O dólar deve permanecer em torno de R$ 5,50 até 2025, beneficiado pelo ambiente internacional, enquanto a Selic continuará elevada em 15% até 2026, garantindo atratividade ao mercado doméstico, mas impondo desafios ao crédito e à atividade produtiva.

Com PIB projetado em 2,2% em 2025 e 1,5% em 2026, o Brasil deve atravessar um período de desaceleração suave, sustentado pelo consumo e pelo mercado de trabalho aquecido. Ainda assim, riscos fiscais e externos podem alterar esse quadro, exigindo atenção redobrada de investidores e formuladores de políticas públicas.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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