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Petróleo rompe US$ 100, dólar avança a R$ 5,10 e Bolsa brasileira recua

O dólar voltou a ganhar força diante do real, enquanto o Ibovespa opera em queda nesta quinta-feira (10). O movimento ocorre em meio à maior aversão ao risco nos mercados internacionais, provocada pela escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã e pela disparada do petróleo, que voltou a superar a marca de US$ 100 […]

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 8 min de leitura
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O dólar voltou a ganhar força diante do real, enquanto o Ibovespa opera em queda nesta quinta-feira (10). O movimento ocorre em meio à maior aversão ao risco nos mercados internacionais, provocada pela escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã e pela disparada do petróleo, que voltou a superar a marca de US$ 100 por barril.

Na manhã desta quinta, o dólar comercial chegou a ser negociado próximo de R$ 5,13, enquanto o Ibovespa recuava. O mercado brasileiro também acompanha os efeitos da alta da commodity sobre a inflação, os juros e empresas ligadas ao petróleo.

A pressão externa ocorre depois de uma sequência recente de valorização dos ativos brasileiros. Em 8 de setembro, o dólar à vista fechou a R$ 5,089, enquanto o Ibovespa atingiu 187.366 pontos, maior nível desde maio.

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Por que o dólar está subindo?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

A principal explicação para a alta da moeda americana nesta sessão está no aumento da percepção de risco no exterior.

A intensificação das tensões envolvendo Estados Unidos e Irã elevou a preocupação dos investidores com a oferta global de petróleo. O receio de uma interrupção maior no transporte da commodity aumenta a busca por ativos considerados mais seguros, entre eles o dólar.

O petróleo Brent, referência internacional, voltou a superar US$ 100 e chegou a ultrapassar US$ 105 nesta quinta-feira, em meio à escalada das hostilidades no Oriente Médio.

Para mercados emergentes, como o brasileiro, períodos de maior aversão ao risco podem provocar saída de recursos de ativos considerados mais arriscados e aumentar a procura pela moeda americana.

O petróleo é o principal fator?

Ele é um dos principais fatores, mas não atua sozinho.

Os investidores também acompanham os juros dos Estados Unidos, os indicadores de inflação e o comportamento dos títulos do Tesouro americano. Juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos tendem a aumentar a atratividade dos ativos em dólar e podem pressionar moedas de países emergentes.

Nesta quinta-feira, os dados econômicos americanos também estão no radar dos investidores, justamente porque podem influenciar as próximas decisões do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos.

Por que o Ibovespa está caindo?

A Bolsa brasileira sente principalmente o aumento da cautela internacional.

Quando o petróleo sobe de maneira muito rápida, cresce o temor de que a inflação mundial volte a acelerar. Isso pode dificultar cortes de juros ou até provocar uma política monetária mais restritiva em diferentes economias.

Para as empresas, juros elevados significam crédito mais caro e podem reduzir o consumo e os investimentos. Por isso, o aumento da inflação esperada costuma pressionar as bolsas.

O Ibovespa havia encerrado o pregão de quarta-feira aos 185.629 pontos, com queda de 0,93%, após uma sequência de valorização que levou o índice a se aproximar dos 190 mil pontos.

Alta do petróleo pode ajudar algumas empresas brasileiras

O impacto da disparada do petróleo não é negativo para todas as companhias.

A Petrobras, por exemplo, tende a se beneficiar da valorização da commodity porque atua na produção e comercialização de petróleo. As ações da estatal permaneceram entre os destaques positivos mesmo durante a pressão sobre o Ibovespa.

O Brasil também é exportador líquido de petróleo. Dessa forma, preços internacionais mais elevados podem aumentar as receitas obtidas com as exportações brasileiras.

Existe, porém, um efeito contrário: petróleo mais caro também aumenta os custos de combustíveis e transporte, pressionando a inflação doméstica.

E o que acontece com a gasolina?

A alta internacional do petróleo já começa a aparecer nas discussões sobre os preços dos combustíveis.

Nesta quinta-feira, a Petrobras cancelou um reajuste de R$ 0,19 por litro na gasolina A que havia sido anunciado no dia anterior. O preço vendido às distribuidoras permaneceu em R$ 3,05 por litro, enquanto mudanças tributárias do governo alteraram a composição do preço final.

Mesmo sem o reajuste da estatal, os preços nas bombas vinham sendo pressionados. Segundo dados citados pela imprensa com base na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio da gasolina subiu de R$ 6,028 para R$ 6,510 desde o início das tensões relacionadas ao conflito.

Se o petróleo permanecer elevado por um período prolongado, o efeito pode atingir toda a cadeia econômica, especialmente transporte, logística e produtos que dependem de derivados de petróleo.

Banco Central entrou no mercado de câmbio

O Banco Central também voltou a atuar no mercado de câmbio nesta quinta-feira.

A autoridade monetária programou uma operação de US$ 1 bilhão no mercado à vista e um swap cambial reverso também de US$ 1 bilhão. Na prática, as operações ampliam a oferta de proteção e liquidez em dólares no mercado financeiro.

A atuação não significa que o Banco Central esteja tentando estabelecer uma cotação específica para o dólar. O objetivo é fornecer liquidez e reduzir eventuais desequilíbrios no mercado de câmbio.

A cotação oficial da PTAX do Banco Central para 9 de setembro ficou em R$ 5,0973 na compra e R$ 5,0979 na venda.

O movimento pode chegar ao consumidor?

Sim. O câmbio e o petróleo podem afetar preços de produtos e serviços no Brasil.

Um dólar mais caro encarece produtos importados e componentes adquiridos no exterior. Dependendo do setor, isso pode atingir eletrônicos, medicamentos, máquinas, equipamentos e matérias-primas.

O petróleo tem efeito ainda mais amplo. Combustíveis mais caros aumentam os custos de transporte de mercadorias e passageiros, podendo pressionar preços em diferentes setores da economia.

O impacto sobre a inflação, contudo, depende da duração e da intensidade do choque. Um movimento pontual tende a produzir efeitos diferentes de uma alta persistente do petróleo.

O que pode acontecer com os juros?

Esse é um dos principais pontos acompanhados pelos investidores.

Se o petróleo permanecer acima de US$ 100 por barril, a inflação global poderá sofrer pressão. Isso pode dificultar a redução dos juros em países que ainda enfrentam inflação elevada.

Nos Estados Unidos, o mercado acompanha os indicadores de preços porque eles ajudam a determinar a direção da política monetária do Federal Reserve. No Brasil, o comportamento da inflação externa e do câmbio também entra nas avaliações sobre os próximos passos do Banco Central.

Para quem investe, a combinação entre petróleo caro, dólar forte e juros elevados tende a aumentar a volatilidade.

O que explica a diferença entre o movimento recente do dólar e o de hoje?

O comportamento do mercado brasileiro vinha sendo influenciado também por fatores domésticos.

Nos últimos pregões, pesquisas eleitorais e expectativas relacionadas à política fiscal brasileira ajudaram a movimentar o câmbio e a Bolsa. Em 8 de setembro, por exemplo, o dólar caiu para R$ 5,089 e o Ibovespa avançou 1,2%.

O cenário externo, entretanto, ganhou peso nesta semana. A escalada do conflito no Oriente Médio mudou a percepção de risco dos investidores e colocou o petróleo novamente no centro das decisões.

Por isso, é possível que os ativos brasileiros apresentem oscilações fortes mesmo quando os fundamentos domésticos permanecem relativamente favoráveis.

O que o investidor deve acompanhar agora?

Os próximos movimentos dependerão principalmente de cinco fatores:

  • evolução do conflito entre Estados Unidos e Irã;
  • comportamento do petróleo Brent e do WTI;
  • novos indicadores de inflação nos Estados Unidos;
  • expectativa para os juros americanos;
  • evolução do cenário fiscal e eleitoral brasileiro.

Também será necessário acompanhar o comportamento do câmbio e o fluxo de capital estrangeiro para a Bolsa brasileira.

A alta recente do petróleo não significa, por si só, que o dólar continuará subindo ou que a Bolsa manterá trajetória de queda. O mercado reage continuamente às novas informações e pode mudar de direção rapidamente.

O que muda para o brasileiro?

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Imagem: Freepik

Para quem não investe, os efeitos mais importantes podem aparecer principalmente nos combustíveis, no transporte e nos preços de produtos importados.

Para quem possui investimentos, o momento exige atenção à diversificação. Ativos de setores diferentes podem reagir de maneiras opostas ao mesmo evento: uma alta do petróleo pode beneficiar empresas produtoras da commodity, mas prejudicar companhias que dependem intensamente de combustíveis.

O cenário atual, portanto, não representa apenas uma disputa entre dólar e real. A combinação de guerra, petróleo, inflação e juros cria uma cadeia de efeitos que chega aos mercados financeiros e pode, posteriormente, atingir empresas e consumidores.

Conclusão

O dólar voltou a subir e o Ibovespa enfrenta pressão nesta quinta-feira em um momento de maior cautela nos mercados globais. O principal gatilho é a escalada das tensões no Oriente Médio, que levou o petróleo novamente para acima de US$ 100 por barril.

No Brasil, a alta da commodity tem efeitos contraditórios. Pode favorecer empresas produtoras de petróleo e aumentar receitas de exportação, mas também elevar custos de combustíveis e pressionar a inflação.

Para o consumidor, os principais pontos de atenção são gasolina, transporte e produtos importados. Para o investidor, a recomendação prática é acompanhar petróleo, inflação, juros e câmbio antes de interpretar uma única sessão como tendência definitiva.

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