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Aposta do Itaú sobre a Selic pode mudar sua estratégia de investimento

Itaú projeta Selic em 12,75% até o fim de 2026 e vê corte só em 2025. Relatório alerta para efeitos da política de Trump e riscos ao PIB brasileiro.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
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O Itaú Unibanco divulgou na segunda-feira (14) um novo relatório macroeconômico que projeta Selic em 12,75% ao final de 2026, indicando um ciclo de juros ainda elevado pelos próximos anos. A análise, assinada pelo economista-chefe da instituição, Mário Mesquita, ressalta que o Comitê de Política Monetária (Copom) já encerrou o ciclo de alta da taxa básica de juros, atualmente fixada em 15% ao ano, e aponta que os cortes só devem começar a partir do primeiro trimestre de 2025.

O documento, intitulado “Cenário Macro”, também destaca riscos externos, com atenção especial à política tarifária do ex-presidente norte-americano Donald Trump, que ameaça taxar em 50% as exportações brasileiras em eventual novo mandato. A medida, segundo o relatório, pode impactar o PIB nacional e interromper a recente tendência de valorização do real frente ao dólar.

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Imagem: Freepik e Canva

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Fim do ciclo de alta

O Itaú avalia que o Copom já concluiu o ciclo de elevação da Selic, que se encontra no patamar mais alto desde 2016. Segundo Mesquita, o colegiado do Banco Central demonstrou cautela diante do cenário de inflação resistente, deterioração fiscal e ambiente externo adverso.

“Dada a incerteza elevada e os efeitos defasados da política monetária, o Copom deve ter encerrado o ciclo de alta na última reunião, no nível de 15%”, afirma o relatório.

Quando começam os cortes?

Apesar da estabilização da taxa, o banco acredita que os primeiros cortes na Selic não devem ocorrer antes do 1º trimestre de 2025. O economista-chefe destaca que “os riscos seguem inclinados para um corte ainda mais tardio, salvo choques desinflacionários relevantes”.

Essa expectativa contrasta com a percepção de parte do mercado, que aguardava sinais de alívio monetário ainda em 2024. Com o novo diagnóstico, o Itaú reforça a tese de que a política monetária seguirá restritiva por mais tempo, como forma de conter pressões inflacionárias e incertezas fiscais.

Foco na próxima reunião do Copom

Datas e expectativa

A próxima reunião do Comitê de Política Monetária está marcada para 29 e 30 de julho de 2025, e já começa a atrair a atenção de analistas e investidores. Segundo o relatório, o Copom deve manter a Selic em 15%, consolidando o fim do ciclo de alta.

A expectativa do Itaú é de que eventuais sinais de flexibilização na comunicação do Banco Central só apareçam no último trimestre de 2025, dependendo do comportamento da inflação e da política fiscal do governo.

Impacto nos investimentos: renda fixa continua atrativa

Com a Selic em patamares elevados, o Itaú acredita que a renda fixa segue como a principal estratégia para investidores conservadores e moderados.

“Selic alta significa retorno real ainda elevado, o que reforça a atratividade dos investimentos em títulos públicos e produtos indexados ao CDI”, aponta o relatório.

Estratégias recomendadas

  • Tesouro Selic: indicado para quem busca segurança e liquidez
  • CDBs e LCIs/LCAs de médio prazo: com rendimentos acima de 100% do CDI
  • Debêntures incentivadas: para quem busca isenção de IR e maior rentabilidade

Em um ambiente de juros elevados por um longo período, a migração para a renda variável tende a ocorrer de forma mais cautelosa, e apenas quando houver sinais claros de flexibilização monetária.

Política de Trump pode travar dólar e afetar PIB

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Imagem: Evan El-Amin/shutterstock.com

Além do cenário interno, o relatório do Itaú também aborda fatores internacionais que podem influenciar a economia brasileira nos próximos meses e anos. O destaque vai para o apetite tarifário de Donald Trump, que, em caso de retorno à presidência dos Estados Unidos, promete elevar tarifas de importação sobre produtos brasileiros para até 50%.

Efeitos sobre o real e a inflação

Esse movimento, caso se concretize, pode interromper o ciclo de queda do dólar frente ao real, observada ao longo de 2025. A valorização cambial tem sido uma das poucas ancoragens da inflação, e sua reversão poderia pressionar ainda mais os preços internos, especialmente combustíveis, alimentos e produtos industrializados.

Ameaça ao crescimento do PIB

O Itaú projeta que, em caso de concretização das tarifas, o PIB brasileiro poderá sofrer retrações importantes, sobretudo pela redução nas exportações e pelo enfraquecimento das cadeias produtivas que dependem do comércio exterior.

“A ameaça de novas tarifas comerciais contra o Brasil adiciona uma camada de incerteza externa relevante, especialmente no que diz respeito à balança comercial e à produção industrial”, aponta o relatório.

Cenário fiscal ainda frágil

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O relatório também dedica uma seção aos desafios fiscais do Brasil, apontando que a credibilidade do novo arcabouço fiscal ainda depende de maior clareza quanto à execução de cortes de gastos e aumento de receitas.

Pressão sobre a política monetária

A fragilidade fiscal é um dos principais motivos pelos quais o Banco Central mantém a Selic em nível elevado, já que desequilíbrios nas contas públicas tendem a dificultar o controle da inflação.

“Sem um compromisso firme com o equilíbrio fiscal, a política monetária acaba sobrecarregada, e a taxa de juros precisa ficar alta por mais tempo”, alerta o economista Mário Mesquita.

Inflação deve fechar 2025 acima do centro da meta

Apesar de certa desaceleração nos preços nos últimos meses, o Itaú projeta inflação em torno de 4,4% ao final de 2025, ainda acima do centro da meta de 3% definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Fontes de pressão inflacionária

  • Câmbio instável
  • Pressões salariais
  • Inflação de serviços persistente
  • Impacto da política tarifária dos EUA

Com esse cenário, o BC deve manter viés conservador, atuando com parcimônia nos cortes futuros da Selic.

O que esperar da economia em 2026?

Imagem: rafastockbr/Shutterstock.com

O cenário-base do Itaú projeta crescimento moderado do PIB em 2026, com a economia se expandindo entre 1,5% e 2%, puxada principalmente pela retomada do consumo das famílias e investimentos em infraestrutura.

Condições para aceleração

Para que esse crescimento seja mais robusto, o relatório aponta como condições necessárias:

  • Estabilidade fiscal de médio prazo
  • Redução consistente da inflação
  • Recuperação da confiança do setor produtivo
  • Ambiente internacional favorável

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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