O Banco Central reduziu novamente a taxa Selic. Na reunião encerrada na quarta-feira (16), o Comitê de Política Monetária (Copom) cortou os juros básicos em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano.
Foi a quinta redução consecutiva na mesma magnitude. Apesar do ciclo de cortes, a taxa permanece em patamar elevado e continua influenciando diretamente empréstimos, financiamentos, cartões e aplicações de renda fixa.
Para o consumidor, a mudança pode significar uma redução gradual do custo do crédito. Para quem investe, entretanto, a queda altera principalmente a remuneração de produtos que acompanham a Selic ou o CDI.
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A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para influenciar as condições financeiras e controlar a inflação. Quando os juros diminuem, o custo de captação das instituições financeiras tende a cair, abrindo espaço para condições de crédito menos caras.
Esse efeito, porém, não acontece de forma instantânea nem significa que todos os empréstimos ficarão mais baratos na mesma proporção. Bancos consideram risco do cliente, prazo, garantias, custos operacionais e outras condições na formação das taxas.
A renda fixa também sente rapidamente a mudança. CDBs, fundos e outros produtos que acompanham o CDI tendem a oferecer retornos menores quando os juros básicos entram em trajetória descendente.
Por que o Banco Central continua cauteloso

A decisão ocorre em um ambiente no qual a inflação apresentou sinais de moderação, mas as expectativas ainda permanecem acima da meta. Em comunicado anterior, o Copom destacou que as expectativas para 2026 e 2027 estavam acima do objetivo de inflação e que fatores externos, atividade econômica e situação fiscal exigiam acompanhamento.
O próprio Banco Central ressalta que o tamanho total do ciclo de redução dos juros dependerá das informações que forem surgindo. Portanto, o corte de setembro não deve ser interpretado como garantia de novas reduções na mesma velocidade.
A Pesquisa Focus também merece atenção. O relatório reúne projeções de instituições do mercado para inflação, atividade, câmbio e Selic, mas as estimativas são dos participantes da pesquisa, e não previsões oficiais do Banco Central.
O Relatório de Política Monetária publicado em junho registrava uma trajetória de mercado que apontava Selic em 13,75% no fim de 2026 e 12% no encerramento de 2027. Essas projeções, contudo, podem mudar conforme inflação, atividade econômica, cenário fiscal e ambiente internacional evoluem.
Como ficam CDB, Tesouro Selic, LCI e LCA
A queda dos juros não elimina a atratividade da renda fixa. Com a Selic ainda em dois dígitos, aplicações pós-fixadas continuam encontrando um ambiente de remuneração elevada.
Um CDB que paga determinado percentual do CDI, por exemplo, tende a acompanhar a redução da taxa básica. O mesmo raciocínio vale para outros investimentos pós-fixados vinculados ao CDI ou à Selic.
No Tesouro Direto, o Tesouro Selic também é diretamente influenciado pelo nível dos juros. O investidor, porém, precisa considerar tributação, prazo e eventual necessidade de resgate antes do vencimento.
Já LCIs e LCAs possuem uma característica relevante para pessoas físicas: os rendimentos são isentos de Imposto de Renda, observadas as regras aplicáveis. Por isso, comparar apenas o percentual do CDI pode levar a conclusões erradas. Uma LCI ou LCA com percentual menor pode apresentar retorno líquido competitivo diante de um CDB tributado.
E a poupança, quanto rende?
A caderneta possui uma regra diferente. Enquanto a meta da Selic estiver acima de 8,5% ao ano, a remuneração adicional da poupança é de 0,5% ao mês, acrescida da Taxa Referencial (TR). Se a Selic estiver em 8,5% ou menos, passa a valer a regra de 70% da meta da Selic, mensalizada, mais a TR.
Isso significa que uma redução da Selic de 14% para 13,75% não provoca uma queda proporcional na fórmula da poupança. O componente de 0,5% ao mês permanece enquanto a taxa básica estiver acima do limite legal.
Mesmo assim, o investidor não deve comparar somente a taxa nominal. Impostos, liquidez, prazo, risco de crédito e custos precisam entrar na conta.
Prefixados podem ganhar espaço, mas exigem atenção
A queda da Selic também pode aumentar o interesse por títulos prefixados. Neles, a taxa contratada no momento da aplicação determina a remuneração até o vencimento, desde que o investimento seja mantido nas condições previstas.
Esse mecanismo pode ser interessante para quem busca previsibilidade, mas existe um risco importante: a marcação a mercado.
Se o investidor vender um título prefixado antes do vencimento, seu preço pode estar acima ou abaixo do valor originalmente pago. Uma alta inesperada dos juros pode reduzir o preço de mercado do título, enquanto uma queda das taxas tende a produzir o efeito contrário.
Por isso, prefixados não devem ser tratados como equivalentes a uma aplicação pós-fixada com liquidez diária.
O risco do emissor continua importante
Uma taxa elevada oferecida por um banco pode parecer atraente, mas remuneração e risco precisam ser analisados conjuntamente.
CDBs, LCIs e LCAs emitidos por instituições financeiras podem contar com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), desde que o produto e a instituição sejam elegíveis. O limite ordinário é de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição ou conglomerado, e existe teto global de R$ 1 milhão em garantias pagas a cada período de quatro anos, conforme as regras do fundo.
A proteção não significa que qualquer investimento de renda fixa esteja garantido. Debêntures, CRIs e CRAs, por exemplo, não fazem parte da garantia ordinária do FGC.
Além disso, a garantia não elimina riscos de liquidez ou demora operacional em processos de intervenção ou liquidação. Em março de 2026, por exemplo, o FGC informou o início dos pagamentos relacionados ao Banco Pleno para credores elegíveis, após a consolidação das informações pelo liquidante.
O que muda para quem está pensando em investir

Com a Selic em 13,75%, a renda fixa continua oferecendo alternativas para diferentes objetivos, mas a escolha precisa considerar o prazo do dinheiro.
Para uma reserva de emergência, liquidez e baixo risco costumam ser prioridades. Para recursos que não serão utilizados por vários anos, podem entrar na análise títulos prefixados, indexados à inflação e outros instrumentos, sempre levando em consideração a possibilidade de oscilações e o risco envolvido.
O principal efeito da queda dos juros é reduzir gradualmente o retorno esperado de novas aplicações pós-fixadas. Por outro lado, quem já possui investimentos prefixados pode ter comportamento diferente no mercado secundário, dependendo das taxas contratadas e da evolução dos juros.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
