O Itaú Unibanco se envolveu em uma negociação mediada pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª Região após a demissão de cerca de mil funcionários no início de setembro. O banco justificou a medida com base na baixa produtividade dos colaboradores durante o período de home office, gerando uma forte reação do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. A negociação, que ainda está em andamento, propôs a oferta de indenizações aos trabalhadores afetados pela decisão.
O banco, em sua nota oficial, afirma que as demissões não são parte de um processo de redução de quadro, mas sim desligamentos plúrimos, com base em critérios individuais e de aderência às políticas internas. Por outro lado, o sindicato questiona a forma como o processo foi conduzido, destacando preocupações sobre o futuro do home office e a transparência nas ferramentas de monitoramento utilizadas pelo banco.
Neste artigo, vamos explorar os detalhes do acordo proposto, as reações dos envolvidos e os possíveis impactos para os trabalhadores e o setor bancário.
Leia mais:
Itaú BBA indica 12 FIIs com dividendos de até 15% para julho

O Contexto das Demissões no Itaú Unibanco
Em setembro de 2025, aproximadamente mil funcionários do Itaú Unibanco foram desligados após a avaliação de sua produtividade durante o home office. Segundo o banco, a baixa performance durante este período foi um dos fatores determinantes para as demissões. A alegação foi a falta de aderência à jornada de trabalho e a atividade digital, que é monitorada por sistemas corporativos.
A situação gerou uma série de críticas, especialmente por parte do Sindicato dos Bancários, que considerou a medida injusta e desproporcional. Para os sindicalistas, a forma como a demissão foi realizada e a falta de transparência no uso de ferramentas de monitoramento geraram uma série de questões sobre a privacidade e os direitos dos trabalhadores.
O Acordo Proposto pelo Itaú Unibanco
Em resposta à pressão do sindicato e após mediação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), o Itaú Unibanco propôs uma compensação financeira para os funcionários demitidos. A proposta inclui uma parcela fixa de R$ 9.000, o pagamento do 13º cesta-alimentação e um adicional variável, conforme o tempo de serviço dos trabalhadores.
Detalhes da Proposta de Indenização:
- Parcela fixa: R$ 9.000,00.
- 13ª cesta-alimentação: O banco compromete-se a pagar o valor correspondente à cesta-alimentação do trabalhador no ano de 2025.
- Adicional variável:
- Para trabalhadores com até 23 meses de serviço no Itaú, serão pagos quatro pisos salariais do banco.
- Para trabalhadores com mais de dois anos no banco, o adicional será de seis pisos salariais mais meio salário por cada ano trabalhado, com teto de dez salários.
Essa proposta será discutida em uma assembleia híbrida marcada para a quinta-feira (9), onde os trabalhadores afetados poderão deliberar sobre a aceitação ou rejeição do acordo.
A Reação do Sindicato
Neiva Ribeiro, presidente do Sindicato dos Bancários e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, avaliou positivamente a proposta de indenização, mas reafirmou o repúdio à forma como o Itaú conduziu as demissões. Para ela, a decisão de desligar os trabalhadores, sem considerar a reintegração, foi equivocada e causou grande indignação. O sindicato também destacou que continuará mobilizado para garantir os direitos dos bancários, principalmente no que diz respeito ao home office, privacidade e o uso de ferramentas de monitoramento.
Citações Importantes do Sindicato:
- “A proposta é positiva, mas ainda assim, nossa indignação com a demissão em massa e a forma como ela foi conduzida pelo Itaú se mantém. Vamos continuar mobilizados para garantir que os bancários, não só do Itaú, mas de todo o setor, tenham seus direitos assegurados.”
- “O banco não aceitou a reintegração dos funcionários, como pedimos inicialmente, mas seguiremos trabalhando para que as condições de trabalho no home office sejam mais transparentes e respeitosas com a privacidade dos trabalhadores.”
A Defesa do Itaú Unibanco

O Itaú Unibanco, por sua vez, se defende afirmando que as demissões não fazem parte de um processo de redução de quadro, mas são desligamentos plúrimos, ou seja, decisões individuais baseadas na avaliação de produtividade de cada colaborador. O banco destaca que as ações foram conduzidas conforme as políticas internas e em conformidade com a legislação trabalhista brasileira.
Em nota, o banco afirmou que os desligamentos foram realizados com base na aderência à jornada de trabalho e na atividade digital, que são monitoradas por sistemas internos. Além disso, o Itaú ressaltou que a negociação com o sindicato foi conduzida de forma transparente, com a mediação do TRT para evitar a judicialização do processo.
O Futuro do Home Office e da Privacidade no Trabalho
A questão das demissões em massa e a forma como foram conduzidas pelo Itaú Unibanco levantaram um debate importante sobre o futuro do home office, a privacidade dos trabalhadores e a transparência no uso de ferramentas de monitoramento.
O home office, que se tornou uma realidade para muitos trabalhadores durante a pandemia, está sendo cada vez mais regulamentado pelas empresas, que implementam sistemas de monitoramento digital para avaliar a produtividade dos colaboradores. No entanto, esses sistemas podem gerar preocupações sobre a privacidade e o controle excessivo dos empregadores sobre os funcionários.
O Sindicato dos Bancários tem se mobilizado para garantir que os trabalhadores do setor bancário, e de outros segmentos, tenham seus direitos respeitados, especialmente no que se refere à transparência nas ferramentas de monitoramento e à privacidade durante o home office.
Possíveis Implicações para o Setor Bancário

As demissões no Itaú Unibanco podem ter implicações significativas para o setor bancário como um todo. As empresas do setor podem ser mais cuidadosas ao adotar medidas semelhantes, especialmente se forem pressionadas por sindicatos e por uma opinião pública crítica em relação ao tratamento de seus funcionários durante o home office.
Além disso, a mobilização dos trabalhadores pode resultar em novas regulamentações sobre o uso de ferramentas de monitoramento digital e o futuro do home office no setor bancário e em outras indústrias.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
