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STF: veja como será o julgamento de Bolsonaro e aliados

STF julga Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe em 2022; sessão em 2 de setembro pode definir futuro do ex-presidente.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
Bolsonaro

No próximo dia 2 de setembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) dará início ao julgamento mais aguardado do cenário político recente: a análise da ação penal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete aliados do seu governo, acusados de participar de uma trama golpista para reverter o resultado das eleições presidenciais de 2022. O processo será analisado pela Primeira Turma da Corte, sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

A sessão está marcada para 9h da manhã, e será presidida pelo ministro Cristiano Zanin, que abrirá os trabalhos e conduzirá os ritos estabelecidos pelo Regimento Interno do STF e pela Lei 8.038/1990, que regula os procedimentos penais no âmbito da Corte.

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Imagem: Fábio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil

O que será julgado?

Núcleo 1 da trama golpista

A ação penal que será analisada diz respeito ao chamado “núcleo crucial” da tentativa de golpe, designado como núcleo 1 pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Esse núcleo reúne os principais nomes envolvidos na suposta articulação para invalidar a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas urnas e instaurar um regime autoritário, rompendo com o Estado Democrático de Direito.

A PGR sustenta que houve um plano estruturado e premeditado para minar a legitimidade das eleições, incitar as Forças Armadas a intervir no processo político e, por fim, impedir a posse do presidente eleito.

Quem são os réus?

Lista dos oito acusados

São réus neste julgamento:

  • Jair Bolsonaro – ex-presidente da República;
  • Alexandre Ramagem – ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e atual deputado federal;
  • Almir Garnier – ex-comandante da Marinha;
  • Anderson Torres – ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do DF;
  • Augusto Heleno – ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);
  • Paulo Sérgio Nogueira – ex-ministro da Defesa;
  • Walter Braga Netto – ex-ministro e ex-candidato à vice-presidência na chapa de Bolsonaro;
  • Mauro Cid – ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

Todos eles são acusados pela PGR de envolvimento direto ou indireto em uma organização criminosa armada e ações golpistas, incluindo articulações militares e uso indevido da máquina pública.

Crimes imputados aos réus

Acusações graves, penas pesadas

Os réus respondem pelos seguintes crimes, conforme denúncia da PGR:

  • Organização criminosa armada;
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  • Golpe de Estado;
  • Dano qualificado pela violência e grave ameaça;
  • Deterioração de patrimônio tombado.

Alexandre Ramagem, por ser atualmente deputado federal, responde apenas aos três primeiros crimes, devido a prerrogativas constitucionais. As acusações relativas aos eventos de 8 de janeiro, como dano ao patrimônio da União, foram suspensas temporariamente em relação a ele.

Como será o julgamento?

STF
Imagem: Fellip Agner / shutterstock.com

Rito previsto em lei e no regimento do STF

A sessão da Primeira Turma seguirá os seguintes passos:

1. Abertura da sessão

O presidente da turma, ministro Cristiano Zanin, iniciará os trabalhos às 9h.

2. Leitura do relatório

O ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, fará a leitura do relatório contendo o histórico do caso, as provas reunidas, as etapas do inquérito e as alegações finais, que foram apresentadas pelas defesas e pela acusação até o dia 13 de agosto.

3. Sustentações orais

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, terá até uma hora para apresentar os argumentos da acusação. Em seguida, os advogados de defesa dos réus terão o mesmo tempo para sustentações orais.

4. Votos dos ministros

Após as falas das partes, os votos dos ministros serão proferidos na seguinte ordem:

  1. Alexandre de Moraes (relator);
  2. Flávio Dino;
  3. Luiz Fux;
  4. Cármen Lúcia;
  5. Cristiano Zanin.

A condenação ou absolvição será decidida por maioria simples — ou seja, três dos cinco votos.

O que pode acontecer durante o julgamento?

Questões preliminares e possíveis interrupções

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O relator poderá analisar previamente questões preliminares, como:

  • Supostas nulidades processuais;
  • Alegações de cerceamento de defesa;
  • Pedido de anulação da delação premiada de Mauro Cid;
  • Pedido de deslocamento do processo para outra instância;
  • Solicitações de absolvição sumária.

Moraes poderá propor a votação imediata desses pontos ou deixá-los para o momento da decisão final, junto com o mérito da ação penal.

Pedido de vista

Algum ministro pode pedir vista (mais tempo para análise), o que suspende o julgamento. Caso ocorra, o processo deve ser devolvido para continuação em até 90 dias, conforme o regimento interno do STF.

E em caso de condenação?

Prisão, recursos e efeitos políticos

Caso os réus sejam condenados:

  • A prisão não será automática. Ela só poderá ser decretada após o julgamento de eventuais recursos.
  • Os réus não devem ser encaminhados a presídios comuns. Por serem oficiais militares ou delegados da Polícia Federal, podem ter direito à prisão especial, conforme o Código de Processo Penal.
  • Jair Bolsonaro, se condenado, pode se tornar inelegível de forma definitiva, além de enfrentar novas ações penais e consequências na esfera cível e eleitoral.

Mauro Cid e a delação premiada

O ex-ajudante de ordens Mauro Cid tornou-se uma peça-chave nas investigações após firmar delação premiada com a Polícia Federal. Ele forneceu detalhes sobre os bastidores das tentativas de invalidar o resultado das eleições e de como alguns integrantes do governo buscavam apoio das Forças Armadas para um possível golpe institucional.

A validade dessa delação será um dos pontos contestados pelas defesas durante o julgamento, que alegam vícios processuais e falta de imparcialidade.

Quais os próximos núcleos?

STF
Imagem: Stock Studio 4477 / Shutterstock.com

Julgamento de outros réus ocorrerá ainda em 2025

Além do núcleo 1, a denúncia da PGR foi dividida em quatro núcleos distintos. Os demais ainda estão na fase de alegações finais e deverão ser julgados ainda em 2025, com desdobramentos que podem atingir mais de uma centena de investigados, entre militares, empresários, influenciadores e parlamentares.

Imagem:  Marcelo Chello / Shutterstock.com

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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