Os juros do cartão de crédito rotativo voltaram a chamar a atenção dos brasileiros. Segundo o Relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgado pelo Banco Central, a taxa média dessa modalidade alcançou 439,87% ao ano em maio, reforçando o cartão rotativo como uma das formas de crédito mais caras disponíveis no mercado.
Juros do cartão de crédito avançam e chegam a 439,9% em maio
Entenda por que os juros do cartão rotativo chegaram a 439,87% ao ano, como funciona essa modalidade e como evitar essa dívida.
Apesar do custo elevado, a modalidade continua sendo amplamente utilizada. Somente em maio, a concessão de crédito no rotativo totalizou R$ 39,3 bilhões, evidenciando que milhões de consumidores ainda recorrem a essa alternativa para pagar despesas quando não conseguem quitar integralmente a fatura.
O cenário acende um alerta para famílias que enfrentam dificuldades financeiras, já que poucos dias de atraso podem transformar uma dívida relativamente pequena em um compromisso difícil de quitar.
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O que é o cartão de crédito rotativo?

O crédito rotativo é utilizado automaticamente quando o consumidor paga apenas parte da fatura do cartão ou o valor mínimo exigido pela administradora.
Na prática, o banco financia o saldo restante, aplicando juros sobre o valor que ficou pendente.
Por exemplo:
- Fatura de R$ 2.000;
- Pagamento realizado: R$ 500;
- Saldo financiado: R$ 1.500.
É justamente sobre esses R$ 1.500 que incidem os juros do crédito rotativo.
Desde mudanças implementadas pelo Banco Central, o consumidor não pode permanecer indefinidamente nessa modalidade. Após um período, a instituição financeira deve oferecer outra forma de parcelamento da dívida, normalmente também com juros, porém inferiores aos do rotativo.
O que representa uma taxa de 439,87% ao ano?
Embora os bancos divulguem a taxa anual, ela corresponde a uma cobrança mensal extremamente elevada.
Na prática, isso significa que uma dívida pode crescer rapidamente caso o consumidor permaneça vários meses sem conseguir quitá-la.
Imagine uma pessoa que deixe parte da fatura acumulando juros durante meses. Mesmo sem realizar novas compras, o saldo pode aumentar significativamente devido à incidência dos encargos financeiros.
Além dos juros, ainda podem ser cobrados:
- IOF;
- encargos contratuais;
- multa por atraso;
- juros de mora, quando aplicáveis.
O resultado é um crescimento acelerado da dívida.
Por que tantas pessoas recorrem ao crédito rotativo?
Mesmo sendo caro, o cartão rotativo acaba funcionando como uma solução imediata para quem enfrenta dificuldades financeiras.
Entre os principais motivos estão:
Perda de renda
Desemprego, redução salarial ou queda no faturamento de trabalhadores autônomos podem comprometer o pagamento da fatura.
Emergências
Despesas médicas, consertos inesperados ou problemas familiares costumam levar consumidores a utilizar o limite do cartão além do planejado.
Falta de reserva financeira
Sem uma reserva de emergência, muitas famílias utilizam o cartão como fonte temporária de recursos.
Inflação e aumento do custo de vida
Mesmo com períodos de desaceleração da inflação, alimentos, moradia, transporte e serviços continuam pressionando o orçamento de muitas famílias brasileiras.
O volume de crédito continua elevado
Apesar das taxas elevadas, o Banco Central informou que as concessões de crédito no cartão rotativo somaram R$ 39,3 bilhões em maio.
Esse número demonstra que a modalidade continua sendo utilizada por milhões de consumidores, principalmente em momentos de aperto financeiro.
Especialistas apontam que o cartão de crédito ainda representa uma importante ferramenta de pagamento no Brasil, mas exige planejamento para evitar o endividamento.
Existe limite para a dívida do cartão?
Sim.
Com a entrada em vigor das novas regras previstas na legislação do programa Desenrola Brasil, desde 2024 os juros e encargos cobrados nas dívidas do cartão de crédito passaram a ter um teto.
Na prática, o valor total da dívida não pode ultrapassar o dobro do valor originalmente devido.
Por exemplo:
- Dívida inicial: R$ 1.000;
- Valor máximo a ser pago: R$ 2.000, considerando juros e encargos.
A medida busca evitar o crescimento ilimitado das dívidas, embora o crédito rotativo continue apresentando taxas bastante elevadas.
Como evitar cair no crédito rotativo
Algumas atitudes simples ajudam a reduzir significativamente o risco de utilizar essa modalidade.
Priorize o pagamento integral da fatura
Sempre que possível, pague o valor total até a data de vencimento.
Antecipe dificuldades
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Se perceber que não conseguirá pagar a fatura completa, procure o banco antes do vencimento para negociar alternativas.
Compare opções de crédito
Em muitos casos, modalidades como crédito consignado, empréstimo com garantia ou crédito pessoal apresentam taxas menores que o cartão rotativo.
Tenha uma reserva de emergência
Guardar uma quantia mensal reduz a necessidade de recorrer ao crédito em situações inesperadas.
Controle os gastos
Aplicativos financeiros, planilhas ou o próprio internet banking ajudam a acompanhar despesas e evitar surpresas no fechamento da fatura.
Como calcular o impacto dos juros
Muitos consumidores observam apenas o valor mínimo da fatura e acreditam que o restante poderá ser pago posteriormente sem grande impacto.
Na realidade, os juros compostos fazem com que a dívida cresça mês após mês.
Quanto maior o tempo no crédito rotativo, maior será o custo final.
Por isso, especialistas em educação financeira recomendam evitar essa modalidade sempre que possível.
O que observar antes de contratar outro crédito
Caso seja necessário financiar a dívida do cartão, vale analisar alguns pontos:
- taxa efetiva de juros;
- Custo Efetivo Total (CET);
- prazo para pagamento;
- valor das parcelas;
- possibilidade de amortização antecipada;
- impacto da nova dívida no orçamento.
Nem sempre a menor parcela representa o menor custo total.
Perspectivas para o crédito no Brasil

O comportamento das taxas de juros depende de diversos fatores econômicos, incluindo a taxa básica de juros (Selic), inflação, inadimplência e condições do mercado financeiro.
Mesmo com mudanças regulatórias para reduzir o impacto do cartão rotativo, essa modalidade continua entre as mais caras do sistema financeiro brasileiro.
Por isso, especialistas reforçam que o uso consciente do cartão de crédito permanece sendo uma das principais estratégias para manter a saúde financeira e evitar o superendividamento.
Conclusão
Os dados divulgados pelo Banco Central mostram que o cartão de crédito rotativo continua representando um dos maiores riscos para o orçamento das famílias brasileiras. A taxa média de 439,87% ao ano, aliada ao elevado volume de concessões, evidencia que muitos consumidores ainda dependem dessa modalidade em momentos de dificuldade financeira.
Embora existam regras que limitem o crescimento das dívidas, o custo permanece elevado. Por isso, planejamento financeiro, pagamento integral da fatura e busca por alternativas de crédito mais baratas continuam sendo as principais estratégias para evitar o endividamento e preservar a saúde financeira.
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