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Consumo das famílias encolhe e mercado reage com queda nas taxas dos DIs

As taxas dos juros futuros negociadas na B3 terminaram a terça-feira, 1º de setembro, em queda, depois que os dados do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre mostraram uma perda de força do consumo das famílias. O movimento chamou atenção porque ocorreu mesmo diante de um ambiente internacional mais pressionado, com alta dos rendimentos […]

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 5 min de leitura
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As taxas dos juros futuros negociadas na B3 terminaram a terça-feira, 1º de setembro, em queda, depois que os dados do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre mostraram uma perda de força do consumo das famílias.

O movimento chamou atenção porque ocorreu mesmo diante de um ambiente internacional mais pressionado, com alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e valorização do petróleo em meio à escalada das tensões no Oriente Médio.

No Brasil, o mercado interpretou a desaceleração da atividade como um possível fator de apoio para a continuidade do ciclo de redução da taxa Selic.

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PIB
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a economia brasileira avançou 0,5% no segundo trimestre de 2026 em relação aos três primeiros meses do ano. O resultado veio depois de uma expansão de 1,1% no primeiro trimestre.

Na comparação com o segundo trimestre de 2025, o PIB apresentou crescimento de 2,0%. Apesar de a economia continuar avançando, a composição do resultado trouxe sinais de desaceleração da demanda interna.

O principal destaque nesse sentido foi o consumo das famílias, que caiu 0,4% entre abril e junho. Foi a primeira retração desse componente em três trimestres, depois de uma expansão de 0,8% no primeiro trimestre.

O resultado ajuda a explicar a reação do mercado de juros. Uma economia menos aquecida tende a reduzir a pressão sobre os preços e pode criar condições para uma política monetária menos restritiva, desde que a inflação e as expectativas permaneçam compatíveis com a meta.

Quanto fecharam os juros futuros

No encerramento dos negócios, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 estava em 13,745%, uma queda de 7 pontos-base em relação aos 13,815% registrados no ajuste anterior.

Na parte mais longa da curva, o DI para janeiro de 2035 terminou em 14,50%, recuo de 9 pontos-base ante os 14,594% da sessão anterior.

Durante o pregão, os contratos chegaram a apresentar altas. O DI para janeiro de 2028 alcançou 13,845% pela manhã, antes de inverter o movimento e acompanhar a reação dos investidores aos dados de atividade.

Já o contrato para janeiro de 2035 chegou a 14,665% no início da sessão, mas posteriormente recuou para níveis abaixo do fechamento anterior.

Segundo dados divulgados após o pregão, a queda foi observada em diferentes pontos da curva de juros, refletindo uma combinação de fatores domésticos e externos.

O que o PIB sinaliza para a Selic

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O resultado do PIB não determina sozinho os próximos passos do Banco Central, mas fornece uma informação relevante para a política monetária.

Em agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic para 14% ao ano. Na decisão, o Banco Central afirmou que os indicadores apontavam para uma moderação gradual da atividade econômica, embora o mercado de trabalho ainda permanecesse resiliente.

O BC também destacou que a inflação e as expectativas continuavam exigindo cautela. Para 2026 e 2027, as expectativas de inflação acompanhadas pelo Copom permaneciam acima da meta.

Por isso, uma eventual sequência de cortes não deve ser interpretada como automática. O Banco Central precisa avaliar simultaneamente inflação, atividade, expectativas, câmbio, cenário fiscal e condições financeiras internacionais.

Mercado vê espaço para cortes graduais

A fraqueza do consumo reforçou entre investidores a possibilidade de continuidade do processo de redução dos juros, mas em ritmo moderado.

A avaliação de economistas é que a desaceleração da demanda pode contribuir para diminuir pressões inflacionárias. Ao mesmo tempo, choques de custos podem dificultar uma queda mais rápida da Selic.

Essa combinação ajuda a explicar por que a curva futura não precifica simplesmente uma trajetória de cortes agressivos. O mercado precisa considerar que juros menores estimulam a economia, enquanto uma redução excessivamente rápida pode dificultar o controle da inflação caso novas pressões de preços apareçam.

Para o consumidor brasileiro, uma queda da Selic tende, com defasagem, a melhorar as condições de crédito. Financiamentos, empréstimos e outras modalidades de crédito podem ficar menos caros quando os bancos passam a incorporar uma perspectiva de juros básicos menores. O efeito, entretanto, depende também do risco de cada cliente, da concorrência bancária e das condições de mercado.

Cenário externo vai na direção oposta

Enquanto os juros futuros brasileiros recuaram, o mercado internacional apresentou comportamento diferente.

Os rendimentos dos Treasuries dos Estados Unidos avançaram, em meio à preocupação com o impacto econômico e inflacionário da alta do petróleo provocada pelas tensões no Oriente Médio.

O petróleo Brent voltou a superar a marca de US$ 95 por barril durante a sessão. Às 16h43, o rendimento do Treasury de dez anos, referência importante para os mercados globais, estava em 4,798%, alta de 4 pontos-base.

O movimento internacional é relevante para o Brasil porque juros maiores nos Estados Unidos podem aumentar a atratividade dos ativos americanos e pressionar mercados emergentes. Além disso, petróleo mais caro pode gerar novas pressões inflacionárias em diversos países.

Notícias políticas também mexeram com a curva

Outro fator que influenciou os negócios foi o noticiário envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Mensagens obtidas pela Polícia Federal durante as investigações sobre o banqueiro passaram a ser divulgadas e trouxeram novos questionamentos sobre a relação entre Vorcaro e Moraes.

Também foram divulgadas informações segundo as quais o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, manteve contrato com o Banco Master.

O escritório afirmou que Moraes não identificou impedimento para a contratação de serviços jurídicos pela instituição. As informações ainda estão inseridas no contexto de investigações e, portanto, não permitem concluir, isoladamente, pela existência de irregularidade.

A reação dos investidores mostrou que o cenário político e institucional também pode interferir na formação das taxas, especialmente nos vencimentos mais longos, que são mais sensíveis às expectativas sobre risco e estabilidade.

Imagem: Reprodução

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