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Juros futuros recuam com atenção do mercado ao noticiário fiscal

Os juros dos DIs fecharam em queda com o recuo dos Treasuries e expectativas sobre o pacote fiscal do governo Lula. Veja os impactos no mercado.

Bruna MachadoPor Bruna Machado6 min de leitura
PIB Banco Central Juro Futuros Renda Fixa

As taxas dos contratos futuros de juros (Depósitos Interfinanceiros – DIs) fecharam em queda nesta segunda-feira, 9 de junho, refletindo tanto o recuo nos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano (Treasuries) quanto a repercussão das novas medidas fiscais anunciadas pelo governo Lula para conter o déficit público.

A sessão foi marcada por volatilidade, mas terminou com sinal predominante de alívio, especialmente nos contratos mais longos.

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Segunda sessão consecutiva de queda

Juros
Imagem: Immersion Imagery / Shutterstock.com

Esta foi a segunda sessão consecutiva de baixa nas taxas dos DIs, que já haviam recuado na sexta-feira anterior com a expectativa de um pacote fiscal mais estrutural por parte do governo federal. O comportamento do mercado revela cautela diante das incertezas fiscais, mas também uma tentativa de antecipar os possíveis desdobramentos sobre a política monetária do Banco Central.

Números do fechamento: taxas caem de forma generalizada

Principais vencimentos

Ao fim da sessão, os principais contratos futuros de juros apresentavam os seguintes resultados:

  • DI para janeiro de 2026: 14,865% (queda de 5,3 pontos-base em relação ao ajuste anterior de 14,918%)
  • DI para janeiro de 2027: 14,23% (baixa de 9,4 pontos-base frente aos 14,324%)
  • DI para janeiro de 2031: 13,81% (ante 13,857%)
  • DI para janeiro de 2033: 13,87% (ante 13,898%)

O recuo mais acentuado nas taxas a partir de 2027 demonstra que o alívio foi mais forte nos contratos longos, refletindo uma visão mais positiva sobre o médio prazo com base nas novas sinalizações fiscais.

Pacote fiscal em substituição ao aumento de IOF

Governo recua de elevação do IOF

Uma das razões centrais para o movimento de baixa nas taxas foi o anúncio, feito no fim de semana, de que o governo pretende recalibrar o decreto que aumentou o IOF no mês passado. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou ter chegado a um acordo com líderes do Congresso para substituir a medida por alternativas mais estruturais de arrecadação.

Novas medidas anunciadas

As propostas incluem:

  • Cobrança de 5% de IR sobre títulos atualmente isentos, como:
    • Letras de Crédito Imobiliário (LCI)
    • Letras de Crédito do Agronegócio (LCA)
    • Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI)
    • Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA)
    • Debêntures incentivadas
  • Aumento de tributação sobre apostas online (bets): de 12% para 18% sobre o faturamento, após prêmios e IR
  • Alíquota unificada de 17,5% de IR sobre aplicações financeiras, incluindo renda fixa e ações (atualmente varia entre 15% e 22,5%)
  • Redução mínima de 10% nos incentivos tributários não previstos constitucionalmente

Apesar do impacto potencial das medidas, a falta de detalhes concretos e a necessidade de aprovação no Congresso deixaram os investidores em modo de espera.

Influência dos Treasuries no movimento

Rendimento dos Treasuries recua no exterior

Outro fator importante que contribuiu para a queda das taxas foi o recuo nos rendimentos dos Treasuries, especialmente os títulos de 10 anos — referência global para decisões de investimento. Às 16h45, o rendimento do título caía 2 pontos-base, a 4,488%.

Segundo Luciano Rostagno, estrategista-chefe da EPS Investimentos, esse movimento no exterior ajudou a aliviar a pressão nas taxas brasileiras.

“Tem um pouco de realização, porque na semana passada houve um movimento expressivo de alta. Com os Treasuries caindo, reduz a pressão”, afirmou.

Volatilidade e cautela dominam a sessão

Durante o dia, os contratos chegaram a oscilar fortemente, com picos de alta pela manhã, quando o dólar tocou os R$ 5,60, refletindo o excesso de ruído sobre o IOF e a falta de clareza sobre as medidas tributárias. No entanto, no período da tarde, os ativos migraram para o campo negativo.

Mercado atento à tramitação no Congresso

Parte do mercado se mostra cética quanto à viabilidade de algumas das propostas do pacote fiscal, especialmente no que se refere à unificação da alíquota do Imposto de Renda e à tributação de ativos antes isentos, como LCIs e LCAs.

“O impacto sobre os preços não foi tão claro, porque há ceticismo em relação à aprovação das mudanças no Congresso”, disse um analista ouvido pela Reuters.

Selic: mercado recalibra apostas para decisão do Copom

Reunião marcada para 17 e 18 de junho

Enquanto digere os desdobramentos fiscais, o mercado segue de olho na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que ocorre nos dias 17 e 18 de junho. A dúvida persiste sobre a manutenção ou elevação da taxa básica de juros, atualmente em 14,75% ao ano.

Probabilidades atualizadas na B3

Na última sexta-feira, os derivativos de Copom negociados na B3 indicavam:

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  • 69,00% de chances de aumento de 25 pontos-base na Selic
  • 26,50% de probabilidade de manutenção da taxa

No dia 27 de maio, esses números eram praticamente invertidos: apenas 14,50% apostavam em alta, e 83,00% esperavam manutenção. A mudança de expectativa reflete o cenário mais volátil e a incerteza com relação à condução fiscal.

Foco do BC: flexibilidade e cautela

No sábado, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçou que a autoridade monetária seguirá com postura flexível e cautelosa, absorvendo os dados até o último momento antes da decisão.

“Flexibilidade significa que vamos com as opções em aberto. Cautela significa que estamos em um ambiente de elevada incerteza”, declarou Galípolo.

Relatório Focus: projeções seguem estáveis

Enquanto o mercado ajusta as apostas, o Relatório Focus do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira (10), manteve a projeção da Selic em 14,75% até o fim de 2025. Já a expectativa de inflação foi levemente revisada de 5,46% para 5,44%.

Essa relativa estabilidade no Focus contrasta com a volatilidade nos mercados futuros, mostrando que os economistas ainda veem pouca margem para novos apertos monetários, a menos que o cenário fiscal se deteriore ainda mais.

Impactos para o investidor

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Imagem: Canva

O que muda para aplicações em renda fixa?

Com o governo sinalizando tributação sobre LCIs, LCAs e CRIs, ativos antes considerados isentos e seguros podem perder atratividade, caso a proposta avance no Congresso. Já a unificação do IR pode beneficiar investidores de longo prazo, que hoje pagam mais imposto em aplicações curtas.

Ações e Tesouro Direto

A perspectiva de queda nas taxas de longo prazo pode beneficiar ativos como ações e títulos prefixados do Tesouro Direto. No entanto, a volatilidade ainda exige cautela, principalmente em papéis com vencimentos mais longos, que são mais sensíveis ao cenário macroeconômico.

Conclusão: queda nas taxas reflete alívio, mas cenário segue incerto

A baixa nas taxas dos DIs nesta segunda-feira reflete um momento de alívio temporário no mercado, impulsionado pela queda dos Treasuries e pela substituição do aumento do IOF por medidas fiscais mais estruturais.

No entanto, a falta de clareza sobre a implementação das propostas e as incertezas quanto à aprovação no Congresso mantêm o investidor em alerta.

Enquanto isso, as expectativas em torno da reunião do Copom e o comportamento do dólar seguirão como termômetros do apetite por risco nos próximos dias. Em um ambiente de incerteza elevada, a palavra de ordem é cautela — seja para o Banco Central, seja para os investidores.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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