A Justiça do Trabalho da Paraíba determinou, nesta semana, o bloqueio de bens, valores e empresas do influenciador digital Hytalo Santos e de seu marido, Israel Vicente, que estão presos em São Paulo sob suspeita de tráfico de pessoas, exploração sexual e trabalho infantil digital. A decisão atende a um pedido do Ministério Público do Trabalho da Paraíba (MPT-PB) e estabelece o bloqueio de até R$ 20 milhões como medida preventiva.
Segundo o MPT, a medida tem como objetivo garantir o pagamento de eventuais indenizações por dano moral coletivo e assegurar assistência e reparação às possíveis vítimas dos crimes investigados. O bloqueio atinge uma ampla gama de bens, incluindo carros de luxo, empresas registradas em nome do casal, contas bancárias e outros ativos financeiros que possam estar relacionados às atividades ilícitas.
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Suspeitas de ocultação patrimonial motivaram bloqueio

De acordo com informações fornecidas pelo Ministério Público do Trabalho, há fortes indícios de ocultação de patrimônio, o que motivou o pedido de bloqueio urgente à Justiça do Trabalho. A promotoria aponta que os investigados podem ter tentado esconder bens e valores para evitar o pagamento de futuras condenações judiciais.
O processo corre sob segredo de justiça, mas fontes ligadas à investigação confirmam que o bloqueio inclui empresas em nome de terceiros, além de veículos e imóveis supostamente adquiridos com recursos provenientes de atividades ilícitas.
Três crimes estão no foco da investigação
As autoridades trabalhistas e criminais investigam a prática de, ao menos, três tipos de crime com gravidade social e penal elevada. Os principais pontos apurados são:
- Trabalho infantil digital – com a participação forçada de menores de idade em gravações diárias de vídeos para redes sociais;
- Exploração sexual – uma das linhas de apuração do MPT, com possíveis casos de assédio e abuso contra adolescentes;
- Tráfico de pessoas – com indícios de aliciamento em outras cidades, deslocamento forçado, alojamento em condições precárias, privação de liberdade e até ameaças às vítimas.
Os investigadores acreditam que o casal mantinha uma rede organizada de captação de menores, com promessas de fama e dinheiro, mas que resultava em condições análogas à escravidão, especialmente na produção de conteúdo digital exploratório.
Prisão e transferência para a Paraíba
Hytalo Santos e Israel Vicente foram presos em São Paulo, onde viviam atualmente, mas devem ser transferidos em breve para a Paraíba, onde o caso teve início. A Justiça determinou caráter de urgência na transferência, embora nenhum prazo tenha sido fixado para o cumprimento da decisão.
A saber, o juiz responsável pela ação determinou urgência na transferência dos réus para que respondam às acusações no local onde a maioria dos crimes teria ocorrido.
Os custos do deslocamento ficarão sob responsabilidade do Estado da Paraíba, que deve providenciar a logística em conjunto com a polícia e os órgãos de segurança pública federais.
Influência digital e suspeitas de aliciamento
Hytalo Santos ficou conhecido nas redes sociais por sua presença constante em plataformas como Instagram e TikTok, onde acumulava milhões de seguidores. Segundo as investigações, ele e o marido teriam utilizado essa visibilidade digital para aliciar adolescentes e atrair famílias vulneráveis, com a promessa de oportunidades na internet.
As denúncias indicam que menores de idade eram submetidos a longas jornadas de gravação, com pressão psicológica, ameaças veladas e até restrição de liberdade. Em alguns casos, os adolescentes não podiam sair das residências onde viviam com os influenciadores, e eram obrigados a gravar conteúdos diariamente, sob pena de punições.
Carros de luxo e empresas na mira

O bloqueio de bens atingiu também uma frota de carros de luxo que estaria registrada em nome de empresas controladas por Hytalo e Israel. Entre os veículos bloqueados estão modelos de marcas como BMW, Audi e Mercedes-Benz, além de imóveis de alto padrão e contas bancárias com valores expressivos.
O MPT identificou que parte das empresas do casal foi aberta recentemente, com o intuito de lavar dinheiro e dissimular a origem dos recursos obtidos. Algumas dessas empresas estariam registradas em nome de laranjas, com movimentações suspeitas e sem atuação comercial clara.
Caso segue sob investigação criminal e trabalhista
As apurações estão sendo conduzidas de forma conjunta entre o Ministério Público do Trabalho, o Ministério Público Federal e a Polícia Civil da Paraíba, com apoio de delegacias especializadas de São Paulo. Além da esfera criminal, os réus devem responder a ações civis públicas por dano moral coletivo e trabalho infantil digital.
O MPT reforça que novas vítimas podem surgir ao longo da investigação e que qualquer pessoa que tenha informações relevantes pode entrar em contato com o órgão por meio do canal de denúncias anônimas disponível no site oficial.
O que acontece a partir de agora
Com o bloqueio de bens e a prisão preventiva, o próximo passo será a análise de provas e oitivas de testemunhas, além da realização de perícias nos conteúdos produzidos pelo casal. A Justiça do Trabalho pretende identificar a extensão do dano social causado e definir o valor da indenização coletiva que poderá ser aplicada ao final do processo.
Enquanto isso, as vítimas identificadas serão acolhidas por programas de assistência social e proteção a testemunhas, especialmente os menores de idade envolvidos na produção de vídeos.
Com informações de: Cultura – UOL
