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Lei que cria mercado de carbono é sancionada por Lula; saiba mais

O presidente Lula sancionou a lei que cria o mercado de carbono no Brasil, com regras para limitar emissões de gases de efeito estufa e incentivar práticas mais sustentáveis nas empresas

Djamilla Ribeiro MartinsPor Djamilla Ribeiro Martins6 min de leitura
Crédito de carbono amazônia

O Brasil deu um passo significativo em direção ao combate às mudanças climáticas ao sancionar a lei que cria o mercado de carbono no país. 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 12 de dezembro de 2024, publicou no Diário Oficial da União a regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE), um conjunto de medidas que visa limitar as emissões de gases poluentes pelas indústrias e gerar incentivos para práticas mais sustentáveis.

O projeto, aprovado pelo Congresso Nacional em 19 de novembro, estabelece regras para a comercialização de emissões de carbono, impondo limites às empresas que emitem gases de efeito estufa acima de determinado patamar. Esta medida almeja impulsionar a economia brasileira e reduzir as emissões de CO2, alinhando o país às metas globais de redução de aquecimento global.

Leia mais: Entenda o que é o mercado de carbono e para que ele serve

O Que é o Mercado de Carbono?

Definição e Objetivos

O mercado de carbono, em termos simples, é um sistema que permite a comercialização de “direitos” para emitir dióxido de carbono (CO2) e outros gases de efeito estufa. Empresas ou setores que conseguem reduzir suas emissões abaixo do limite estabelecido podem vender esses créditos para outras organizações que precisam compensar suas emissões.

A principal meta dessa criação é reduzir as emissões de gases poluentes, incentivar a adoção de tecnologias limpas e, ao mesmo tempo, gerar benefícios econômicos a partir da comercialização de créditos de carbono.

Mão apontando o dedo para gráfico com diversos elementos sustentáveis que remetem ao crédito de carbono
Imagem: Freepik

O Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE)

O SBCE será o mecanismo regulador no Brasil para o controle das emissões. Ele estabelecerá tetos anuais de emissões para empresas e setores que ultrapassam as 10 mil toneladas de CO2 equivalente (tCO2e) anualmente. Essas indústrias, em sua maioria de grande porte, serão obrigadas a negociar os créditos de carbono para compensar as suas emissões.

Por outro lado, setores como a agricultura, que não são obrigados a participar do SBCE, poderão aderir voluntariamente ao sistema, incentivando práticas sustentáveis mesmo fora da esfera obrigatória.

Como Funciona a Lei?

Limitação de Emissões e Comercialização de Créditos

O governo federal será responsável por estabelecer os limites máximos de emissões de gases de efeito estufa, com base no Plano Nacional de Alocação. 

Este plano será gerido por um comitê interministerial que definirá a distribuição das permissões de emissão de carbono para as empresas. As empresas que ultrapassarem o limite terão que comprar créditos de carbono para compensar suas emissões.

Esses créditos podem ser comprados de outras empresas que conseguiram reduzir suas emissões abaixo do limite estabelecido. Assim, o mercado de carbono cria uma competição saudável para que as empresas adotem tecnologias mais limpas, gerando um ciclo de investimentos em sustentabilidade.

Impacto na Economia Brasileira

De acordo com as previsões do Ministério da Fazenda, o mercado de carbono terá um impacto significativo no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Estima-se que, até 2030, o mercado esteja totalmente operante e que, nos dez anos seguintes, o Brasil experimente um crescimento acumulado de 5,8% em seu PIB, impulsionado pela inovação e pela adoção de práticas empresariais mais sustentáveis.

Além disso, o mercado de carbono pode se tornar uma fonte importante de receitas para o Brasil, uma vez que as empresas pagarão para compensar suas emissões, gerando recursos financeiros que podem ser reinvestidos em projetos ambientais e de energia limpa.

economia brasileira, PIB 3
Imagem: Pixabay/ Mohamed_hassan

O Potencial de Redução de Emissões no Brasil

Projeções de Redução de CO2

O mercado de carbono no Brasil tem um grande potencial de contribuição para a redução das emissões de CO2. De acordo com dados do Banco Mundial, a criação do sistema pode cortar até 100 milhões de toneladas de CO2 equivalente anualmente até 2040. Para 2050, a estimativa é que esse número cresça para 130 milhões de toneladas.

Este potencial de redução representa um passo importante para o Brasil cumprir suas metas internacionais de sustentabilidade e enfrentar os desafios das mudanças climáticas. Ao criar um sistema robusto de monitoramento e comercialização de emissões, o país poderá não só reduzir sua pegada de carbono, mas também incentivar a adoção de novas tecnologias no setor industrial.

Desafios e Oportunidades

Desafios da Implementação

Embora a criação do mercado de carbono seja uma medida bem-vinda, sua implementação enfrenta desafios significativos. A regulamentação detalhada, que precisa ser finalizada pelo governo, será crucial para garantir que o sistema funcione de forma eficaz.

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Além disso, a adaptação das empresas às novas regras poderá ser um processo demorado e custoso, especialmente para indústrias que ainda dependem de tecnologias altamente poluentes. O governo precisará oferecer suporte adequado para que as empresas consigam transitar para modelos de produção mais limpos.

Oportunidades para a Sustentabilidade

Por outro lado, o mercado de carbono abre uma série de oportunidades para o Brasil, não apenas no campo ambiental, mas também econômico. O país tem um enorme potencial para se tornar líder em soluções sustentáveis, aproveitando a demanda crescente por créditos de carbono no cenário global.

A transição para uma economia verde pode atrair investimentos internacionais, criar empregos verdes e fortalecer a posição do Brasil como um líder em sustentabilidade na América Latina e no mundo. Setores como energia renovável, tecnologia limpa e reflorestamento poderão se beneficiar diretamente da criação do mercado de carbono.

A Perspectiva Internacional

Alinhamento com Acordos Climáticos Globais

A criação do mercado de carbono no Brasil é um passo importante para o país cumprir suas obrigações em relação aos acordos climáticos internacionais, como o Acordo de Paris. 

A redução das emissões de gases de efeito estufa é uma das principais metas do tratado global, e o Brasil, ao adotar medidas como essa, demonstra seu compromisso com a sustentabilidade e o combate às mudanças climáticas.

O Impacto nas Empresas Globais

Além de impactar a economia nacional, a criação do mercado de carbono no Brasil poderá afetar empresas internacionais que têm operações no país. Estas empresas precisarão se adaptar às novas regras, o que pode implicar em mudanças na forma como conduzem seus negócios e como gerenciam suas emissões.

A integração do Brasil a esse mercado também pode incentivar outras nações da América Latina a seguir o exemplo, criando um mercado regional de carbono que amplia as possibilidades de comércio de créditos entre países e empresas.

Imagem: Billion Photos / Shutterstock.com

Djamilla Ribeiro Martins

Autor

Djamilla Ribeiro Martins

Djamila Martins é formada em Tecnologia em Gestão Empresarial (Processos Gerenciais) pela FATEC de Santos, Licenciada em Letras pelo Instituto Federal de São Paulo e também graduada em Pedagogia pela Universidade de Marília. Com uma base sólida em educação e gestão, alia conhecimento técnico e sensibilidade didática para contribuir com conteúdos informativos, acessíveis e confiáveis no portal Seu Crédito Digital, com foco em cidadania, economia e serviços públicos.

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