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Leilão de Transmissão avança e pode movimentar R$ 8,9 bilhões em investimentos

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 5 min de leitura
linha transmissao 1

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou o edital do Leilão de Transmissão nº 4/2026, que prevê R$ 8,9 bilhões em investimentos na expansão e modernização da rede elétrica brasileira. O certame está marcado para 30 de outubro de 2026, na sede da B3, em São Paulo.

A licitação vai oferecer oito lotes, distribuídos por sete estados: Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rondônia e São Paulo. Os projetos envolvem a construção de novas linhas de transmissão, ampliações de subestações e outros equipamentos necessários ao funcionamento do Sistema Interligado Nacional (SIN).

O aviso de licitação está previsto para ser publicado no Diário Oficial da União em 24 de setembro. A expectativa da Aneel é que a implantação dos empreendimentos gere 20.312 empregos diretos ao longo da execução das obras.

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O que está previsto no leilão de transmissão?

Conta de luz aneel
Imagem: DIvulgação / Aneel

O certame contempla aproximadamente 1.866 quilômetros de novas linhas de transmissão e seccionamentos, além da continuidade de 483 quilômetros de estruturas existentes.

Também estão previstos 12.694 MVA de capacidade de transformação, com continuidade de outros 600 MVA, além de quatro compensações síncronas. Esses equipamentos são fundamentais para transportar energia em grandes distâncias e melhorar a capacidade e a estabilidade da rede elétrica.

Diferentemente de um leilão destinado à contratação de energia produzida por usinas, o leilão de transmissão concede o serviço público relacionado à construção, operação e manutenção das instalações que transportam eletricidade pelo país.

De acordo com a base de dados da própria Aneel, os leilões de transmissão são utilizados para conceder serviços públicos de transmissão, incluindo a construção, montagem, operação e manutenção das instalações.

Quais estados receberão os projetos?

Os empreendimentos estão espalhados por diferentes regiões brasileiras. A distribuição busca atender necessidades específicas da rede e ampliar a capacidade de transmissão.

Na Bahia, os projetos incluem instalações destinadas ao atendimento das regiões Sul e Centro-Sul do estado, além da linha Rio das Éguas–Iaciara 2 e da Subestação Iaciara 2, empreendimento que também envolve Goiás.

São Paulo receberá o sistema da Subestação Santana e respectivos seccionamentos em 500 kV e 345 kV.

No Paraná, estão previstos projetos como o sistema Curitiba Oeste, Barigui 2 e Uberaba, além da Subestação Iguaçu e seus seccionamentos. Já o sistema de 500 kV Rio Brilhante, Sarandi, Rio Verde Norte e Chapadão envolve Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás.

A relação divulgada pela Aneel também inclui o sistema Coremas II e Cajazeiras II, na Paraíba.

Lote 4 concentra o maior investimento

Entre os empreendimentos colocados em disputa, o Lote 4 apresenta a maior estimativa de investimento, de aproximadamente R$ 4,1 bilhões.

O projeto está relacionado à implantação do sistema em 500 kV que envolve Rio Brilhante, Sarandi, Rio Verde Norte e Chapadão, abrangendo Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás.

A estrutura foi organizada em dois sublotes, 4A e 4B. Eles serão apregoados separadamente e posteriormente poderão ser agregados, estratégia prevista para buscar propostas economicamente mais vantajosas para o conjunto.

O prazo para conclusão desse conjunto é de até 60 meses após a assinatura dos contratos de concessão.

Quanto tempo as obras devem levar?

Os prazos estabelecidos para os projetos variam de 42 a 60 meses.

Os lotes 6 e 7 possuem prazo de 42 meses, enquanto os lotes 1, 2 e 3 têm previsão de 48 meses. Já os lotes 4 e 5 contam com prazo de 60 meses para implantação.

Isso significa que os efeitos dos investimentos serão distribuídos ao longo dos próximos anos. A infraestrutura de transmissão exige planejamento de engenharia, licenciamento, aquisição de equipamentos, obras civis e montagem de sistemas elétricos antes da entrada em operação.

Como o leilão pode afetar o setor elétrico?

Casas Bahia
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A expansão da transmissão é importante porque a eletricidade produzida em uma região nem sempre é consumida no mesmo local.

O Brasil possui uma matriz elétrica com forte presença de fontes renováveis, incluindo hidrelétricas, parques eólicos e usinas solares. A expansão da rede permite transportar essa energia entre diferentes regiões e ajuda a reduzir limitações físicas do sistema.

Na prática, uma nova linha pode aumentar a capacidade de escoamento de energia de uma região produtora para centros consumidores. Subestações e equipamentos de compensação também contribuem para o funcionamento adequado da rede.

Por isso, os leilões de transmissão têm papel estratégico na expansão do Sistema Interligado Nacional.

Edital passou por consulta pública

Antes da aprovação, o edital foi submetido à Consulta Pública nº 006/2026, realizada entre 9 de abril e 25 de maio.

Segundo a Aneel, foram recebidas 258 contribuições de 33 participantes. Desse total, 94 sugestões foram integralmente aproveitadas na versão final do edital. O processo também passou pela análise do Tribunal de Contas da União (TCU).

A participação pública permite que empresas, associações e outros interessados apresentem observações sobre aspectos técnicos e regulatórios antes da realização da licitação.

Imagem: Reprodução

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