O debate sobre o saque-aniversário voltou ao centro das discussões após o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, anunciar que pretende propor ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma nova liberação do saldo retido no FGTS de trabalhadores demitidos. A possível mudança pode beneficiar 13 milhões de pessoas, ampliando o impacto social e econômico da medida.
Ministro quer liberar saque-rescisão para 13 milhões de demitidos do saque-aniversário
O governo estuda liberar o saldo retido de trabalhadores do saque-aniversário. Veja quem pode ser beneficiado e o que muda. Confira agora.
Continue a leitura para entender o que está em discussão, porque o governo considera a liberação e como isso afetaria quem aderiu ao saque-aniversário.
Leia mais: Suspensão do FGTS no RS: regras, prazos e como aderir
Proposta pode liberar saldo retido de trabalhadores do saque-aniversário
O ministro Luiz Marinho afirmou que pretende levar ao presidente Lula, no primeiro trimestre de 2026, uma proposta para liberar o saldo completo do FGTS de trabalhadores que aderiram ao saque-aniversário e foram demitidos em 2025.
Hoje, quem opta pela modalidade não pode sacar o saldo integral da conta em caso de demissão, ficando restrito apenas à multa rescisória de 40%.
Segundo o ministro, essa retenção se tornou um problema social para milhões de famílias que estão sem acesso ao próprio dinheiro, mesmo em situação de desemprego.
“O saldo é dele, é dela, mas está retido por causa da lei do saque-aniversário”, afirmou Marinho.
Por que o saque-aniversário mantém o saldo bloqueado?
Ao aderir ao saque-aniversário, o trabalhador aceita que:
- Em caso de demissão, não terá direito ao saque integral;
- Poderá retirar apenas o valor da multa rescisória;
- Só poderá resgatar o saldo total após dois anos se decidir cancelar a modalidade.
Por isso, trabalhadores demitidos que participaram do saque-aniversário acabam com valores altos retidos no FGTS, mesmo necessitando do recurso.
Medida semelhante já foi aplicada
Em 2024, o governo adotou uma medida parecida: liberou o saldo do FGTS para trabalhadores que tinham optado pelo saque-aniversário e foram demitidos entre 2020 e fevereiro de 2024.
O benefício anterior contemplou 12,1 milhões de pessoas, com a liberação de R$ 12 bilhões.
Segundo Marinho, repetir a medida em 2025 não é possível por questões legais, uma vez que o mesmo tema já foi tratado em uma Medida Provisória este ano. Por isso, a proposta será levada ao presidente no início de 2026.
Impacto para o FGTS e justificativa do governo
Conforme o ministro, liberar o saldo dos trabalhadores não compromete os investimentos do FGTS nas áreas de habitação e infraestrutura.
O argumento principal do governo é que:
- O FGTS tem robustez financeira;
- A liberação ajuda famílias que dependem desse dinheiro;
- A medida pode estimular a economia ao injetar bilhões em circulação.
Marinho também afirmou que a medida contribuiria para aliviar dificuldades financeiras de trabalhadores que enfrentam longos períodos de desemprego.
Saque-aniversário passa por mudanças e restrições
O anúncio ocorre em meio a outras alterações definidas pelo Conselho Curador do FGTS, que revisou as regras de antecipação do saque-aniversário.
Entre as mudanças recentes estão:
Limite de parcelas antecipadas
- Nos primeiros 12 meses: até 5 parcelas;
- Após esse período: limite cai para 3 parcelas.
Limite financeiro por parcela
- O trabalhador só pode antecipar até R$ 500 por ano de saque.
- Antes, não havia limite máximo.
O governo explicou que, anteriormente, alguns trabalhadores comprometiam todo o saldo do FGTS em antecipações, o que aumentava o risco de endividamento.
Mudanças nas regras de crédito vinculadas ao saque-aniversário
As alterações também impactaram as operações de crédito associadas ao saque-aniversário. Entre as principais mudanças:
Nova regra de contratação
- O trabalhador só pode contratar antecipação uma vez por ano.
- Antes, era possível realizar várias operações simultâneas.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Prazo mínimo para crédito
- Os bancos só podem liberar a linha de crédito após 90 dias da adesão ao saque-aniversário.
- Antes, 26% das concessões eram feitas no mesmo dia da adesão — o que aumentava o risco de decisões impulsivas.
Limite mínimo
- O valor mínimo de antecipação foi definido em R$ 100.
Essas mudanças buscam proteger o trabalhador de comprometer totalmente o FGTS e garantir mais controle sobre operações de crédito atreladas ao fundo.
Por que o governo quer revisar o saque-aniversário?
O Ministério do Trabalho considera que:
- A modalidade retém recursos que pertencem ao trabalhador;
- A restrição inviabiliza o uso do FGTS em emergências;
- O saque-aniversário tem causado impacto negativo em famílias demitidas;
- Há necessidade de reavaliar o equilíbrio entre flexibilidade e segurança financeira.
Para o governo, o foco é permitir que o trabalhador tenha acesso ao próprio dinheiro quando mais precisa — especialmente em cenários de desemprego.
O que esperar para 2026?
A proposta deve ser apresentada no primeiro trimestre de 2026, e, se aprovada:
- 13 milhões de trabalhadores poderão sacar o saldo completo;
- O benefício poderá injetar bilhões na economia;
- A medida pode marcar uma revisão mais ampla do saque-aniversário.
Enquanto isso, as regras atuais continuam valendo e devem permanecer até que o governo formalize uma nova MP ou envio de projeto de lei.
Com informações de: G1
Pode ser do seu interesse:
