O Banco Central (BC) comunicou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A., instituição de crédito sob o controle do Banco Master. A medida segue o processo iniciado em novembro de 2025, quando o Master entrou em liquidação e sua controlada operava sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET).
A decisão ocorre após o BC constatar que medidas anteriores não foram suficientes para preservar a operação da Will Financeira, destacando o risco sistêmico e a insolvência da instituição.
Contexto e antecedentes do caso
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O Will Bank fazia parte do conglomerado liderado pelo Banco Master, que entre 2023 e 2024 captou atenção pelo crescimento rápido, baseado na oferta de Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com alta rentabilidade. No entanto, o modelo de negócio apresentava riscos elevados e práticas financeiras irregulares, comprometendo a liquidez real do banco e expondo investidores a perdas significativas.
O BC destaca que, ao contrário do previsto no RAET, a Will Financeira descumpriu a grade de pagamentos do arranjo Mastercard Brasil Soluções de Pagamentos, resultando no bloqueio de sua participação. A situação tornou inevitável a liquidação extrajudicial.
Razões da liquidação extrajudicial
Segundo o BC, a liquidação da Will Financeira se justifica por:
- Comprometimento da situação econômico-financeira
- Insolvência da instituição
- Vínculo de interesse com o Banco Master, que exercia poder de controle sobre a financeira
O BC também determinou a indisponibilidade dos bens dos controladores e ex-administradores do Will Bank, medida que busca assegurar a responsabilização legal pelos atos que levaram ao colapso.
Como o Banco Master influenciou a crise?
Controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, o Banco Master apresentou crescimento acelerado com a promessa de altos rendimentos, mas enfrentou problemas estruturais graves:
- Operações de alto risco para inflar artificialmente o balanço
- Redução da liquidez disponível para pagamentos imediatos
- Uso de empresas laranja para movimentação de recursos
O BC identificou que entre 2023 e 2024 foram desviados cerca de R$ 11,5 bilhões por meio de operações complexas envolvendo a gestora Reag Investimentos, fundos de baixo valor e empresas intermediárias.
O papel da Reag Investimentos
A gestora Reag Investimentos foi apontada como peça central no esquema:
- Recebia empréstimos do Banco Master via empresas laranja
- Aplicava recursos em fundos próprios
- Comprava ativos de baixo ou nenhum valor, como certificados do extinto Banco Estadual de Santa Catarina (Besc), por preços inflados
Ao todo, seis fundos da Reag, com patrimônio de R$ 102,4 bilhões, foram identificados como suspeitos, movimentando recursos entre intermediários até chegar aos beneficiários finais.
Consequências para investidores e clientes
A liquidação extrajudicial impacta diretamente clientes e investidores do Will Bank:
- Suspensão de operações financeiras: contas, CDBs e créditos ficam sob análise do liquidante
- Possíveis perdas financeiras: clientes podem ter dificuldade de recuperar valores aplicados
- Monitoramento do BC: os investidores serão informados sobre os procedimentos de ressarcimento
Especialistas alertam que a complexidade do caso exige atenção às publicações oficiais do Banco Central e comunicação direta com o liquidante.
Aspectos legais da liquidação
A liquidação extrajudicial segue a Lei nº 6.024/1974, que permite ao BC intervir em instituições financeiras que coloquem em risco o sistema financeiro nacional. Entre as medidas adotadas estão:
- Bloqueio de bens de controladores e ex-administradores
- Nomeação de liquidante para conduzir a dissolução da empresa
- Acompanhamento de processos judiciais e criminais relacionados
O caso também envolve investigações da Polícia Federal, que apura fraudes, desvio de recursos e irregularidades institucionais.
Tentativas de solução anterior
Antes da liquidação, o BC tentou preservar o funcionamento da Will Financeira via RAET, permitindo que o banco operasse temporariamente sob supervisão especial. Porém, a medida não foi suficiente:
- Descumprimento de compromissos com o arranjo de pagamentos
- Bloqueio de participação em sistemas essenciais
- Insustentabilidade econômica do banco
Diante disso, o BC entendeu que não havia alternativa para proteger investidores e o sistema financeiro além da liquidação extrajudicial.
FAQ
O que significa liquidação extrajudicial?
É o processo pelo qual o Banco Central encerra a operação de um banco ou financeira que se tornou insolvente, nomeando um liquidante para administrar os ativos e passivos.
Quem foi afetado pelo fechamento do Will Bank?
Clientes, investidores e empresas que mantinham negócios ou aplicações financeiras na Will Financeira podem ter seus recursos impactados.
O que acontece com os CDBs e investimentos?
Os valores aplicados passam a ser administrados pelo liquidante, que determinará prazos e formas de ressarcimento conforme a prioridade dos credores.
Haverá responsabilidade criminal?
Sim, controladores e ex-administradores podem responder legalmente, incluindo bloqueio de bens e processos criminais por fraude ou desvio de recursos.
Como acompanhar o processo?
O BC mantém informações oficiais sobre o andamento da liquidação em seu site e publicações no Diário Oficial da União.
Considerações finais
A liquidação extrajudicial do Will Bank evidencia os riscos de instituições financeiras que operam com alta alavancagem e baixa transparência. Clientes e investidores devem acompanhar atentamente as medidas do Banco Central e avaliar alternativas seguras para seus investimentos.
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