O Banco Central (BC) decretou nesta quarta-feira, 21 de janeiro de 2026, a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, conhecida como Will Bank. A instituição fazia parte do conglomerado ligado ao Banco Master, que já havia entrado em liquidação em novembro de 2025. Segundo o BC, a decisão foi tomada após o comprometimento da situação econômico-financeira, com incapacidade de pagamento das próprias dívidas e vínculo de interesse com o antigo controlador. Na prática, o processo encerra as atividades da instituição e inicia uma etapa formal de apuração e pagamento de credores. Com isso, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) passa a ter papel central no ressarcimento, respeitando as regras e limites do sistema. Entenda o que motivou a medida e como ficam clientes e investidores.
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O que aconteceu com o Will Bank: linha do tempo do caso
O anúncio feito em 21 de janeiro de 2026 não surgiu de forma repentina. O Will Bank já operava sob regime especial imposto pelo Banco Central, numa tentativa de preservar o funcionamento da instituição e evitar danos maiores ao sistema e aos clientes.
Do Banco Master ao braço digital
A Will Financeira integrava o conglomerado do Banco Master, que teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025. A crise do grupo intensificou a preocupação do mercado após questionamentos sobre custo de captação, exposição a ativos considerados arriscados e condições de liquidez.
O que é o RAET e por que ele foi aplicado
O Will Bank vinha operando sob o Regime Especial de Administração Temporária (RAET). Nesse formato, o Banco Central assume o controle da instituição por tempo limitado para administrar riscos, reduzir prejuízos e buscar alternativas, como reorganização ou venda.
Por que a liquidação foi decretada agora
Segundo apuração divulgada pela imprensa, o Will Bank não foi liquidado imediatamente porque ainda havia expectativa de venda da operação para um investidor estrangeiro, com origem árabe. A transação, porém, não avançou e acabou não sendo concluída.
Sem solução de mercado e com o crescimento do passivo, a continuidade da operação ficou inviável, levando o BC a decretar a liquidação extrajudicial.
O gatilho: problema com a Mastercard e o arranjo de pagamentos
Em nota, o Banco Central informou que, em 19 de janeiro de 2026, a Will Financeira descumpriu a grade de pagamentos com o arranjo Mastercard. No dia seguinte, a bandeira anunciou a suspensão da aceitação de cartões emitidos pela instituição devido à inadimplência.
Na prática, esse tipo de bloqueio compromete o funcionamento de um banco digital, principalmente porque parte relevante das atividades depende de meios de pagamento. Com o canal travado e a venda frustrada, a liquidação se tornou inevitável.
O que é liquidação extrajudicial e como funciona
A liquidação extrajudicial é um procedimento administrativo usado quando uma instituição financeira perde condições de funcionar e não consegue pagar suas obrigações.
O que muda com a liquidação decretada pelo Banco Central
Com a liquidação:
- as atividades da instituição são interrompidas
- as operações entram em fase de encerramento supervisionado
- credores passam a integrar uma lista formal para recebimento
- contratos e registros financeiros entram sob gestão do liquidante
Bens de controladores e ex-administradores ficam indisponíveis
O Banco Central também informou que, nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição, o que busca preservar recursos para eventual responsabilização e ressarcimentos.
O papel do FGC: quem recebe e quais são os limites
Com a decretação da liquidação, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) passa a ser responsável por ressarcir credores e investidores de produtos cobertos, dentro das regras do sistema.
O FGC é uma associação privada, sem fins lucrativos, que integra a estrutura de proteção do Sistema Financeiro Nacional.
O que o FGC cobre
Normalmente, o fundo cobre aplicações como:
- CDB
- RDB
- LCI
- LCA
- depósitos à vista
- poupança
Isso significa que a cobertura está mais associada a produtos de investimento e captação, e não necessariamente a todos os serviços operacionais.
Qual é o limite do FGC
O ressarcimento considera:
- valor investido
- rendimentos acumulados até a data da liquidação
- limite máximo por credor
O teto é de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição ou conglomerado.
Quanto a liquidação pode custar
A estimativa divulgada é que o caso pode custar em torno de R$ 5 bilhões ao FGC, elevando a pressão sobre o sistema de garantias após o impacto da crise envolvendo o Banco Master.
Clientes do Will Bank vão perder dinheiro?
Isso depende do perfil do cliente e do tipo de produto utilizado.
Quem usava apenas conta digital e cartão
Clientes que usavam serviços como:
- conta de pagamentos
- Pix
- cartão
- movimentação do dia a dia
devem acompanhar o desenrolar do processo, pois o funcionamento desses serviços pode ser interrompido ou limitado. O acesso a valores dependerá das regras aplicadas pelo liquidante e dos comunicados oficiais.
Quem tinha investimentos em produtos cobertos pelo FGC
Quem aplicou recursos em produtos como CDB (quando elegível) tem maior chance de ressarcimento via FGC, respeitando limites e a comprovação do investimento.
E quem tem dívida com o Will Bank?
A liquidação não anula contratos de empréstimo. Em regra:
- a dívida continua existindo
- o pagamento segue obrigatório
- pode ocorrer transferência do crédito para outra instituição
- o liquidante pode orientar novos meios de pagamento
O consumidor deve redobrar cuidado com boletos e mensagens recebidas por aplicativos, porque casos de liquidação costumam ser terreno fértil para golpes.
Caso Banco Master e investigações
A liquidação do Will Bank ocorre em um contexto maior. O Banco Master foi liquidado em 18 de novembro de 2025 e enfrentava dificuldades financeiras associadas a captação cara e exposição elevada a investimentos de risco.
O caso também se conectou a investigações e operações policiais. Segundo apuração da TV Globo, Maurício Antônio Quadrado, ligado ao Will Bank, foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, e fontes indicam ligação com pessoas relacionadas ao controle do conglomerado.
O Banco Central afirmou que seguirá com apurações e que os resultados podem gerar sanções administrativas e comunicações a autoridades competentes.
O que diz o Banco Central
Em comunicado, o BC afirmou que:
- o conglomerado Master era de pequeno porte, classificado no segmento prudencial S3
- possuía 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do SFN
- a liquidação foi inevitável após descumprimento de pagamentos e bloqueio no arranjo Mastercard
- o problema central foi o comprometimento econômico-financeiro e a insolvência
O texto também reforça que a autarquia adotará medidas para apurar responsabilidades e aplicar sanções quando cabível.
Como se proteger agora: orientações para clientes e investidores
Em períodos de crise institucional, golpes se multiplicam. Algumas medidas ajudam a reduzir riscos:
1) Evite links recebidos por mensagem
Confirme tudo em canais oficiais.
2) Guarde comprovantes
Extratos e comprovantes podem ser essenciais.
3) Verifique se seu produto é coberto pelo FGC
Nem todo investimento está protegido.
4) Atenção ao limite de R$ 250 mil
O teto de cobertura é por credor e por instituição/conglomerado.
5) Não pague boletos recebidos por WhatsApp
Golpistas usam esse tipo de situação para criar boletos falsos.
Conclusão
A liquidação extrajudicial do Will Bank, decretada em 21 de janeiro de 2026, encerra a tentativa de preservar a operação da instituição após a crise do conglomerado Master. Sem venda para novo investidor e com a deterioração financeira agravada por bloqueio no arranjo Mastercard, o Banco Central optou pelo encerramento administrativo para organizar o pagamento de credores e reduzir riscos ao sistema.
Para clientes e investidores, o foco deve ser acompanhar comunicados oficiais e entender a cobertura do FGC, evitando golpes e desinformação.
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