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Lula afirma que Brics representa nova forma de manter o multilateralismo

Lula defende Brics como alternativa para paz, democracia e nova governança internacional durante cúpula no Rio.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos4 min de leitura
lula brics

Em discurso durante a Cúpula dos Chefes de Estado do Brics, no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou o papel central do bloco para um mundo mais democrático, pacífico e com novas formas de governança internacional.

Ao lado dos líderes dos 11 países-membros e representantes de importantes instituições globais, Lula defendeu mudanças profundas nas estruturas políticas e financeiras mundiais.

Leia mais: BRICS avança em sistema de pagamento próprio em moedas locais

Brics como alternativa ao unilateralismo

Presidente Lula
Imagem: Marcelo Chello/ Shutterstock

Ao encerrar a Cúpula, Lula afirmou que o Brics representa “um novo jeito de fazer o multilateralismo sobreviver no mundo”. Para o presidente, a velha lógica de tutela e unilateralidade, herdada do pós-Segunda Guerra, não atende mais às necessidades do século 21.

“A gente não quer mais guerra fria, desrespeito à soberania, nem guerra. Queremos paz, desenvolvimento e participação social”, declarou Lula, enfatizando que a geopolítica global precisa refletir os acontecimentos atuais, e não os de 1945.

Essa foi a primeira vez que o Brics reuniu 11 países-membros, entre eles, Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã, além de 10 países parceiros e observadores.

Críticas ao sistema financeiro atual

Um dos pontos mais contundentes do discurso foi a crítica ao atual papel do Fundo Monetário Internacional (FMI). Para Lula, o FMI precisa deixar de ser um mero cobrador e se transformar em um verdadeiro agente de investimentos para os países mais pobres.

“O FMI não pode ser um instrumento de levar países à falência com dívidas impagáveis. O modelo do Banco do Brics mostra que é possível fazer diferente, financiar infraestrutura, saúde e energia de forma justa”, disse.

Ele reforçou a necessidade de criar alternativas de financiamento para as nações em desenvolvimento, diminuindo a dependência das regras de austeridade impostas pelo FMI.

Defesa de moeda local e menos dependência do dólar

Lula também abordou a discussão sobre as transações comerciais em moedas locais no bloco, minimizando o uso do dólar. Para ele, trata-se de uma tendência inevitável, a ser consolidada aos poucos com diálogo entre os bancos centrais.

“O mundo precisa encontrar formas de não depender do dólar em todas as transações. Com os EUA, usamos dólar. Mas com Argentina, Índia ou China, podemos usar nossas moedas. É questão de tempo e responsabilidade”, avaliou.

Inteligência artificial para todos

Outro tema emergente abordado por Lula foi a inteligência artificial. O presidente defendeu que a IA seja democratizada e não controlada por apenas algumas empresas ou países.

“Ela não pode ser uma ferramenta de dominação. Precisamos discutir no Brics um modelo de acesso para todos. Isso também é soberania”, pontuou.

Mudança na ONU e governança global

Brasil brics
Imagem: Fernando Frazão / Agência Brasil

Lula cobrou mudanças estruturais na governança mundial, especialmente no Conselho de Segurança da ONU, que, segundo ele, está paralisado diante dos atuais conflitos globais por ter membros envolvidos nas próprias guerras.

“Cadê a instituição multilateral para negociar a paz entre Rússia e Ucrânia? A ONU não tem condições porque os envolvidos estão no Conselho”, criticou.

Para o presidente, é fundamental ampliar a representação no órgão para incluir países africanos, do Oriente Médio e da América Latina.

Avanços da cúpula e apoio de grandes potências

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Segundo o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a Cúpula do Brics avançou em temas como reforma da governança, IA, meio ambiente e saúde.

“Houve um apoio claro da China e da Rússia para maior protagonismo do Brasil e da Índia no Conselho de Segurança da ONU. Isso é inédito e sinaliza avanços importantes”, destacou o chanceler.

Vieira também ressaltou a “Declaração de Líderes”, documento final do encontro, que cristaliza o entendimento comum do bloco sobre os principais desafios internacionais.

Um bloco em expansão

A edição de 2025 marcou a ampliação do Brics, agora com 11 países titulares. Para Lula, o fortalecimento do bloco e a entrada de novos parceiros é uma resposta concreta ao atual cenário de fragmentação mundial.

“Se quisermos criar algo novo no mundo, não podemos repetir os mesmos erros. O Brics está incomodando porque propõe algo diferente”, disse Lula.

Uma nova agenda para o futuro

Ao final da coletiva, Lula resumiu a missão do Brics: “Criar novos paradigmas de participação e governança para o século 21, priorizando a paz, a democracia e o desenvolvimento social”.

O encontro no Rio reafirmou o compromisso do bloco com uma nova agenda para o futuro, sem abrir mão do diálogo multilateral como caminho para resolver conflitos e reduzir desigualdades globais.

Com informações de: Planalto

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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