Na data de ontem (7), o presidente Lula (PT) criticou novamente o atual índice da taxa básica de juros e chegou a exigir que o presidente do Banco Central se explique ao Congresso. Isso porque, para ele, a Selic com o valor de 13,75% ao ano é resultado da autonomia do BC, que aconteceu após a aprovação de lei em 2021.
Após um café da manhã com 41 veículos de comunicação no Palácio do Planalto, Lula declarou que o presidente do Banco Central, Campos Neto, possui muito mais responsabilidade que o ex-mandatário do órgão, Henrique Meirelles. Segundo o presidente, “agora a culpa é do Banco Central, porque o presidente não pode trocar o Banco Central. É o Senado que pode mexer ou não”.
Para Lula, a inflação no Brasil não pode ser “de demanda”
Em sua fala, Lula reiterou a dificuldade de fazer o país crescer novamente com uma taxa de juros de 13,75%. Para ele, o país só terá uma economia mais sólida se os juros forem acessíveis pela parte dos investidores brasileiros.
Mesmo evitando maior confusão com o Banco Central, Lula pediu uma vigilância intensa dos senadores e dos ministros da Fazenda e Planejamento e Orçamento. No caso, respectivamente, Fernando Haddad e Simone Tebet.
A preocupação de Lula com os juros altos do Banco Central vem ao encontro da previsão do FMI de baixo crescimento da economia em 2023. “Esse país precisa atualizar a relação trabalho e capital, inclusive com as empresas que fazem trabalho de prestação de serviço, as empresas de aplicativos”, finalizou o presidente.
Lula reforça a importância do governo discutir com o BC a taxa de inflação
Por fim, a declaração de Lula sobre os juros altos no Banco Central foi defendida como essencial para o governo conseguir discutir, por exemplo, a questão do emprego.
Segundo o presidente, durante os 8 anos em que Henrique Meirelles esteve à frente do BC, o governo ofereceu independência nas ações e, ainda assim, houve crescimento significativo no país e redução de juros.
A seu favor, Lula lembrou que Haddad e Tebet fazem parte do Conselho Monetário Nacional (CMN) e que o órgão, caso seja necessário, pode realizar o pedido de destituição do chefe do Banco Central.
Imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil
