O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que já escolheu o nome do próximo integrante da Corte, em uma reunião realizada nesta semana no Palácio da Alvorada. A expectativa é que o anúncio oficial aconteça até sexta-feira, 17 de outubro, colocando fim à intensa disputa em torno da sucessão do ministro Luís Roberto Barroso, que teve sua aposentadoria publicada em edição extra do Diário Oficial da União nesta quarta-feira (15).
Lula diz a ministros do STF que já escolheu novo indicado para o STF
Lula confirma escolha do novo ministro do STF e deve anunciar até sexta (17); Pacheco e Messias são os favoritos.
Segundo fontes ouvidas pela imprensa, Lula disse aos magistrados que “eles irão gostar da escolha”, indicando que pretende manter boa interlocução com os atuais membros da Corte. O ambiente no Planalto é de discrição total, e os principais nomes cotados — Jorge Messias, ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), e o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) — têm evitado declarações públicas, aguardando a decisão final do presidente.
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A sucessão de Barroso e o desafio da escolha
A aposentadoria de Barroso, oficializada nesta semana, abre uma das vagas mais cobiçadas e politicamente sensíveis do país. Além de integrar o Supremo, o novo nome poderá participar de julgamentos com repercussão direta no equilíbrio institucional entre os Poderes, especialmente em temas que envolvem o Executivo, o Legislativo e as regras eleitorais para 2026.
O próprio Lula, que em seu terceiro mandato já indicou Cristiano Zanin e Flávio Dino, tem deixado claro que a nova nomeação deve ser de alguém de confiança pessoal e jurídica, com perfil técnico, mas também capaz de atuar politicamente dentro e fora da Corte.
“O presidente sabe que indicar alguém para o STF é uma decisão que ultrapassa o jurídico. É sobre governabilidade, previsibilidade e construção institucional”, disse um ministro palaciano ao SBT News.
Jorge Messias: o “Bessias” fortalecido
O nome mais comentado até agora é o do atual Advogado-Geral da União, Jorge Messias, que ganhou notoriedade ainda em 2016, durante a polêmica divulgação de conversas entre Lula e Dilma Rousseff, quando foi citado como “o Bessias” que levaria o termo de posse do ex-presidente.
Hoje, Messias é considerado um quadro técnico respeitado, com forte atuação na defesa do governo Lula no STF, especialmente em pautas sensíveis como políticas públicas, revisão de decisões monocráticas e ações de controle constitucional.
Entre seus apoiadores, o discurso é de que ele “entregou resultados e blindou o governo juridicamente”, ganhando a confiança de Lula. Além disso, tem trânsito entre setores do Judiciário e apoio de ministros como Gilmar Mendes.
No entanto, sua indicação enfrentaria resistência política, especialmente no Senado, onde setores mais conservadores o veem como “petista demais”.
Rodrigo Pacheco: perfil político e estabilidade institucional
Outro nome que continua no radar é o do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), atual presidente do Congresso Nacional até o início de 2025. Apesar de ter dito recentemente que seu foco está em terminar o mandato com equilíbrio entre os Poderes, aliados próximos admitem que ele vê com bons olhos uma vaga no Supremo como caminho mais seguro do que disputar o governo de Minas em 2026.
Pacheco é visto como um nome moderado, que transita bem entre bancadas diversas, incluindo o Centrão, a direita institucional e a oposição moderada. Sua nomeação poderia suavizar as tensões com o Senado e consolidar uma ponte política sólida entre os Poderes.
Entre ministros do STF, há quem veja em Pacheco um articulador com peso institucional, mas há dúvidas sobre sua capacidade jurídica e preparo técnico para a função — algo que o próprio Lula teria considerado relevante na escolha.
O perfil desejado por Lula: confiança, previsibilidade e articulação
De acordo com fontes do Planalto, Lula não quer uma escolha “de risco” nem que dependa de teste de adaptação ao cargo. O presidente quer um nome previsível, com quem ele possa contar em momentos de tensão institucional, mas que também não gere ruídos na sociedade nem entre os ministros do STF.
Além disso, embora haja pressão de setores progressistas para a indicação de uma mulher ou pessoa negra, Lula tem ignorado essas pressões, mantendo o foco em critérios técnicos, jurídicos e políticos.
“O presidente não quer errar. Ele já enfrentou críticas pela escolha de Zanin e de Dino. Agora, busca um nome que seja ao mesmo tempo técnico, confiável e de fácil aprovação no Senado”, explicou um interlocutor próximo.
Pressão por diversidade é ignorada até o momento

Grupos ligados aos direitos humanos, movimentos negros e entidades da magistratura feminina têm pressionado o governo por uma indicação que represente maior diversidade no Supremo, que atualmente não tem nenhuma mulher negra entre seus membros.
Os nomes de Silvana Batini, procuradora regional da República, e Letícia Lins, juíza federal, chegaram a ser ventilados, mas não avançaram nas negociações internas. A falta de diversidade nas últimas indicações gerou críticas até mesmo dentro do próprio PT.
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Mesmo assim, Lula segue firme em sua estratégia: escolher alguém de perfil técnico e institucional, independentemente de pressões externas.
Reação dos ministros do STF: clima de expectativa e diplomacia
Nos bastidores do Supremo, ministros têm mantido reserva total sobre os bastidores da reunião com Lula, mas o clima é de expectativa positiva. A frase dita por Lula — “vocês vão gostar da escolha” — foi interpretada como uma sinalização de que o novo nome não causará fraturas na composição atual.
O Supremo atravessa um período de reorganização interna, com a presidência de Edson Fachin já em articulação e temas delicados à frente, como:
- Limites do poder de investigação do Judiciário
- Discussões sobre marco temporal
- Controle de constitucionalidade em políticas públicas
- Tensão entre decisões monocráticas e colegiadas
Nesse cenário, o novo ministro deverá ter habilidade para navegar politicamente e ao mesmo tempo agir com firmeza jurídica.
Anúncio até sexta: Lula prefere administrar o nome, não a ansiedade

Segundo avaliação de ministros do governo, o presidente deve formalizar o nome até sexta-feira (17). A estratégia é encurtar o período de especulação, que pode gerar instabilidade entre aliados e criar ruídos indesejados.
“É mais fácil administrar a nomeação do que administrar as expectativas frustradas. Por isso, o anúncio deve ser rápido”, declarou um ministro palaciano ao SBT News.
Com a publicação da aposentadoria de Barroso no Diário Oficial, a vaga está oficialmente aberta. O próximo passo será o envio do nome ao Senado, onde a indicação deverá ser sabatinada e votada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e pelo plenário.
Imagem: Reprodução/Agência Brasil
