Dois dos maiores concorrentes do comércio eletrônico brasileiro decidiram trabalhar juntos. O grupo Magalu começou a vender cerca de 27 mil produtos de estoque próprio dentro do Mercado Livre, ampliando o alcance das marcas Magazine Luiza, KaBuM! e Época Cosméticos.
O acordo permite que o consumidor encontre móveis, eletrodomésticos, eletrônicos, computadores, games, perfumes e cosméticos do grupo diretamente no marketplace. Embora a compra seja realizada no ambiente do Mercado Livre, as entregas ficarão sob responsabilidade do Magalog, operador logístico do Magalu.
A parceria não representa uma fusão nem a venda de uma empresa para a outra. Magalu e Mercado Livre continuam concorrentes, mas passam a compartilhar parte de suas estruturas comerciais para alcançar mais consumidores, aumentar as vendas e reduzir custos de aquisição e distribuição.
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Como funcionará a parceria entre Magalu e Mercado Livre

O Magalu passará a atuar como vendedor dentro do Mercado Livre. Na prática, os produtos de seu estoque aparecerão ao lado de anúncios de outros lojistas, distribuidores e fabricantes que já utilizam a plataforma.
A operação inicial reúne aproximadamente 27 mil itens próprios, divididos entre três marcas:
- Magazine Luiza, com eletrodomésticos, móveis e eletrônicos;
- KaBuM!, com computadores, componentes, games e produtos de tecnologia;
- Época Cosméticos, com perfumes, maquiagem e itens de cuidados pessoais.
Esses produtos são classificados como “1P”, abreviação usada no varejo para “first party”. Isso significa que os itens pertencem ao estoque da própria varejista, diferentemente do marketplace tradicional, no qual vendedores independentes anunciam seus produtos.
Ao concluir a compra, o consumidor continua utilizando o sistema do Mercado Livre para pagamento e acompanhamento do pedido. A separação, a preparação e o transporte dos itens serão realizados pelo Magalog.
Os produtos terão destaque dentro da plataforma?
A inclusão do catálogo do Magalu não garante que seus anúncios sempre aparecerão nas primeiras posições. O Mercado Livre informou que o ranqueamento continuará seguindo os critérios técnicos da plataforma, sem destaque automático para os produtos da nova parceira.
Entre os fatores que normalmente influenciam a posição de uma oferta estão preço, prazo de entrega, reputação do vendedor, disponibilidade de estoque, custo do frete e qualidade do anúncio.
Isso significa que um produto do Magalu poderá competir pela atenção do consumidor com ofertas de outros vendedores, inclusive dentro da mesma categoria e marca.
O que muda para o consumidor
A principal mudança é a ampliação da variedade disponível no Mercado Livre. O consumidor poderá comparar produtos do estoque próprio do Magalu com ofertas de outros lojistas sem precisar trocar de aplicativo ou criar uma nova conta.
O acordo também reforça categorias nas quais o Mercado Livre busca ampliar presença, especialmente móveis, eletrodomésticos e produtos de linha branca. Esse grupo inclui geladeiras, fogões, máquinas de lavar e outros equipamentos domésticos de maior porte.
Para quem compra, a parceria pode trazer:
- mais opções de produtos e marcas;
- maior disponibilidade de estoque;
- novos prazos e modalidades de entrega;
- possibilidade de comparar preços no mesmo ambiente;
- acesso aos meios de pagamento oferecidos pelo Mercado Livre;
- acompanhamento do pedido pelos canais da plataforma.
Ainda não há garantia de que os preços serão iguais aos praticados no site ou nas lojas do Magazine Luiza. Cada canal pode ter promoções, comissões, cupons, condições de parcelamento e políticas comerciais próprias.
Antes de finalizar o pedido, o consumidor deve comparar o preço total, incluindo frete, prazo de entrega e forma de pagamento.
Quem será responsável pela entrega
O Magalog fará a operação logística dos produtos incluídos no acordo. A empresa pertence ao ecossistema do Magalu, mas também presta serviços para clientes externos.
Sua estrutura reúne centros de distribuição, centenas de milhares de metros quadrados de área de armazenagem e a rede física do Magazine Luiza. Segundo informações divulgadas pela companhia, o operador já atende mais de cem clientes de fora do grupo e registrou receita de aproximadamente R$ 3 bilhões em 2025.
Na primeira etapa, o Magalog ficará responsável por transportar os itens vendidos pelo próprio grupo no Mercado Livre. As empresas avaliam uma ampliação futura da parceria, que poderá incluir entregas de outros produtos da plataforma.
Será possível retirar compras nas lojas do Magazine Luiza?
A utilização das lojas como pontos de retirada e devolução aparece como uma possibilidade para uma segunda fase do acordo, mas ainda não deve ser tratada como um serviço disponível em toda a rede.
O Magalu possui cerca de 1.300 lojas, que podem funcionar como pequenos pontos logísticos próximos dos consumidores. Essa estrutura permite reduzir a distância da entrega final, etapa conhecida no mercado como “última milha”.
Se a integração avançar, clientes do Mercado Livre poderão retirar ou devolver determinadas compras em unidades do Magazine Luiza. As empresas ainda precisarão definir regiões, produtos participantes, prazos e regras de atendimento.
Até que essa etapa seja oficialmente implantada, o consumidor deve seguir apenas as opções apresentadas na página de cada produto. Se a retirada em loja não aparecer no momento da compra, ela não estará disponível para aquele pedido.
Garantia e devolução continuam valendo
A compra feita dentro do Mercado Livre continua protegida pelo Código de Defesa do Consumidor e pelas regras informadas na plataforma.
Em compras online, o consumidor possui direito de arrependimento no prazo de sete dias, contado do recebimento do produto. Nesse período, é possível desistir da compra sem precisar apresentar defeito ou justificar a decisão, desde que sejam seguidos os procedimentos de devolução.
Em caso de vício, atraso ou produto diferente do anunciado, o comprador deve registrar a ocorrência diretamente no pedido. É importante evitar negociações por WhatsApp ou pagamentos fora do Mercado Livre, pois isso pode dificultar o uso das proteções oferecidas pela plataforma.
Antes de comprar, vale conferir:
- nome e reputação do vendedor;
- descrição completa do produto;
- prazo estimado de entrega;
- valor do frete;
- política de devolução;
- voltagem e dimensões;
- garantia oferecida;
- nota fiscal.
Mesmo quando o vendedor pertence a um grupo conhecido, a conferência reduz o risco de adquirir um modelo diferente ou incompatível com a necessidade da casa.
Por que o Magalu decidiu vender em uma plataforma concorrente
A estratégia está ligada à fragmentação do comércio eletrônico. O consumidor brasileiro não concentra todas as compras em um único site: ele circula entre marketplaces, aplicativos de marcas, redes sociais e comparadores de preços.
Manter uma audiência própria exige investimentos em publicidade digital, tecnologia, descontos e programas de fidelidade. Ao vender dentro de outro marketplace, o Magalu passa a acessar consumidores que talvez não entrassem diretamente em seus canais.
O grupo informa possuir uma base de aproximadamente 50 milhões de clientes. O Mercado Livre encerrou o segundo trimestre de 2026 com 89,3 milhões de compradores únicos ativos em sua operação regional, segundo dados divulgados pela companhia.
A parceria permite aproximar essas audiências sem que as empresas deixem de disputar vendas em outros canais.
Concorrentes viraram parceiros?
Em parte. Esse tipo de acordo é conhecido como “coopetição”, combinação das palavras cooperação e competição.
Duas empresas continuam concorrendo em preço, atendimento, tecnologia e participação de mercado, mas cooperam em uma área na qual ambas podem ganhar escala. No caso atual, o Mercado Livre amplia o catálogo, enquanto o Magalu acessa uma audiência maior.
O modelo não é inédito na estratégia do grupo. O Magalu já fechou acordos comerciais com Amazon, AliExpress, Americanas, Itaú Shopping e Livelo.
A lógica é deixar de depender exclusivamente dos próprios sites e aplicativos. Em vez de gastar apenas para levar o cliente ao seu ambiente, a companhia coloca o estoque onde o consumidor já está pesquisando.
O que o Mercado Livre ganha com o acordo
O principal benefício para o Mercado Livre é o reforço do catálogo em categorias de alto valor e logística mais complexa.
Produtos como móveis, geladeiras e máquinas de lavar ocupam mais espaço, exigem transporte especializado e apresentam desafios maiores de entrega. O Magalu possui experiência histórica nesses segmentos e uma rede física que pode apoiar a operação.
A plataforma também adiciona produtos de tecnologia da KaBuM! e itens de beleza da Época Cosméticos. Com isso, consegue oferecer mais variedade e aumentar as chances de o consumidor concluir a compra sem procurar outro site.
Para Fernando Yunes, vice-presidente executivo e líder do Mercado Livre na América Latina, a entrada das marcas amplia as categorias e as opções disponíveis aos compradores brasileiros.
Por que a Netshoes ficou fora
A Netshoes também pertence ao grupo Magalu, mas não foi incluída nesta fase do acordo.
Segundo o CEO Frederico Trajano, algumas marcas de moda e artigos esportivos adotam restrições comerciais para a venda em determinados canais digitais. Contratos de distribuição podem limitar onde e como os produtos serão anunciados.
A ausência da Netshoes não indica necessariamente uma decisão definitiva. Uma eventual inclusão dependeria de negociações com fornecedores, revisão de contratos e interesse das empresas.
Por enquanto, o catálogo anunciado está concentrado nas marcas Magazine Luiza, KaBuM! e Época Cosméticos.
O que é o Magalog e por que ele se tornou estratégico
O Magalog nasceu da estrutura logística desenvolvida pelo Magazine Luiza para atender lojas físicas, comércio eletrônico e vendedores de seu marketplace. Com o aumento da capacidade, passou a prestar serviços para empresas externas.
Hoje, aproximadamente 30% do resultado da operação logística vem de clientes que não pertencem ao ecossistema do Magalu, segundo Frederico Trajano. O objetivo é ampliar essa participação e aproveitar melhor centros de distribuição, veículos, sistemas e lojas.
Quanto maior o volume transportado, maior tende a ser a diluição dos custos fixos. Um caminhão, centro de distribuição ou sistema de roteirização pode ser utilizado para atender diferentes clientes, em vez de depender apenas das vendas do próprio grupo.
Essa escala é especialmente importante no varejo de margens apertadas, no qual pequenas diferenças no custo do frete podem determinar se uma operação terá lucro ou prejuízo.
A próxima etapa poderá transformar o Magalog em prestador de serviços logísticos para o próprio Mercado Livre e para a Amazon, inclusive em pedidos que não envolvam produtos das marcas do grupo.
Por que as ações do Magalu dispararam
O anúncio foi bem recebido pelos investidores. Em 2 de setembro, as ações do Magazine Luiza chegaram a subir 24,46% durante o pregão e encerraram o dia com valorização de 17,53%, cotadas a R$ 5,43.
A reação mostra que o mercado enxergou potencial para crescimento das vendas online e maior aproveitamento da estrutura logística. A Ativa Investimentos avaliou que o novo canal pode gerar margens mais interessantes do que a aquisição de clientes por publicidade paga.
Isso não significa que todo o avanço das ações possa ser atribuído exclusivamente ao acordo. Preços na Bolsa também respondem ao cenário político, aos juros, às expectativas para a economia e ao comportamento geral do mercado.
Da mesma forma, uma alta em um único pregão não garante valorização futura. O resultado da estratégia dependerá do volume vendido, das comissões pagas, dos custos de entrega e da rentabilidade de cada operação.
O acordo muda a disputa no varejo brasileiro
A parceria mostra que o comércio eletrônico caminha para uma estrutura mais integrada. Grandes varejistas deixaram de tratar seus sites como destinos isolados e passaram a distribuir produtos por diferentes plataformas.
Esse movimento ganha força em um momento de juros elevados, crédito mais caro e maior pressão sobre o consumo. Para crescer, as empresas buscam usar melhor os ativos que já possuem, como estoque, lojas, centros de distribuição e bases de clientes.
O cenário também inclui a fragilidade financeira de concorrentes tradicionais. A redução da presença física de algumas redes pode abrir espaço para o Magalu em determinados shoppings e cidades.
Ao mesmo tempo, o ambiente digital continua altamente competitivo. Marketplaces estrangeiros, redes sociais com ferramentas de compra e grandes plataformas disputam atenção e preço.
A parceria com o Mercado Livre ajuda o Magalu a ampliar sua vitrine rapidamente, mas também aumenta sua dependência de canais controlados por terceiros. A varejista precisará equilibrar o crescimento dentro dos marketplaces com a preservação dos próprios sites e aplicativos.
Perguntas frequentes sobre a parceria
Quais produtos do Magalu serão vendidos no Mercado Livre?
A operação começa com cerca de 27 mil produtos do Magazine Luiza, KaBuM! e Época Cosméticos. O catálogo inclui móveis, eletrodomésticos, eletrônicos, games, informática, perfumes e cosméticos.
Quem fará a entrega das compras?
As entregas dos produtos incluídos na parceria serão realizadas pelo Magalog, operador logístico do grupo Magalu.
Os preços serão iguais no Magalu e no Mercado Livre?
Não necessariamente. Promoções, cupons, frete, parcelamento e custos comerciais podem variar entre os canais.
Será possível retirar a compra em uma loja do Magazine Luiza?
Essa possibilidade está prevista para uma fase futura. O serviço somente poderá ser utilizado quando aparecer oficialmente entre as opções de entrega do pedido.
A Netshoes faz parte da parceria?
Não nesta etapa. A marca ficou fora devido a restrições comerciais existentes na venda online de determinados produtos de moda e esporte.
Magalu e Mercado Livre deixaram de ser concorrentes?
Não. As empresas continuam disputando consumidores, mas cooperam nesta operação comercial e logística.
Como identificar se o produto é realmente vendido pelo Magalu?
O consumidor deve verificar o nome do vendedor na página do anúncio, a reputação, a nota fiscal e as informações da oferta antes de concluir a compra.
O que o consumidor deve observar
A parceria amplia o catálogo disponível e pode melhorar prazos de entrega, especialmente em categorias nas quais o Magalu possui experiência. Ainda assim, cada compra precisa ser analisada individualmente.
O consumidor deve comparar o preço final, conferir quem vende e entrega, avaliar o prazo e manter toda a negociação dentro da plataforma. A futura retirada em lojas poderá trazer mais conveniência, mas ainda depende de implantação.
Para as empresas, o acordo transforma estruturas concorrentes em complementares: o Mercado Livre oferece audiência e ambiente de compra, enquanto o Magalu entra com estoque, marcas e capacidade logística. O sucesso dependerá de essa combinação resultar em preços competitivos, entregas eficientes e uma experiência confiável.
