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Pai de Abdul Fares tentou tirá-lo do comando da Marabraz após críticas à vida de luxo

Marabraz pede recuperação judicial com dívida de R$ 140 milhões e aponta disputa familiar e perda de garantias como fatores da crise.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes··6 min de leitura
Pai de Abdul Fares tentou tirá-lo do comando da Marabraz após críticas à vida de luxo

A Lojas Marabraz, tradicional varejista de móveis e eletrodomésticos, entrou com pedido de recuperação judicial para tentar reorganizar uma dívida de aproximadamente R$ 140,2 milhões. O processo foi protocolado em agosto de 2026 na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo e envolve cinco empresas ligadas ao grupo.

Segundo a documentação apresentada à Justiça, a crise não estaria relacionada apenas ao desempenho das lojas. A empresa atribui parte relevante da deterioração financeira à combinação entre juros elevados, dificuldade de acesso a crédito e uma disputa familiar que alterou a estrutura patrimonial utilizada historicamente como garantia para operações financeiras.

A Marabraz afirma que continua funcionando e que o objetivo da recuperação judicial é reorganizar os compromissos financeiros, preservar empregos e manter suas atividades.

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Imagem: Reprodução

Entenda a disputa familiar que envolve a Marabraz

A origem do conflito está relacionada à LP Administradora de Bens, empresa que concentra imóveis pertencentes a integrantes da família controladora.

Em 2011, participações na holding foram transferidas pelos integrantes da geração mais velha para seus descendentes. Anos depois, porém, os patriarcas da família passaram a contestar judicialmente a operação.

Os atuais controladores da Marabraz sustentam que a transferência das participações teria sido uma operação simulada e questionam a forma como o patrimônio foi reorganizado. Os herdeiros, por outro lado, defendem a validade do negócio e afirmam que a tentativa de retomada do controle decorre do conflito entre as gerações da família.

A disputa chegou ao Judiciário e teve novos desdobramentos em 2025. Segundo informações sobre o caso, uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a estrutura societária da holding e afastou a tentativa dos patriarcas de recuperar o controle dos ativos.

Por que os imóveis são importantes para a crise?

O ponto central para entender a relação entre a briga familiar e a recuperação judicial está nas garantias de crédito.

De acordo com a petição da Marabraz, imóveis vinculados à estrutura patrimonial da família eram utilizados como garantia em operações financeiras. Com a perda do controle sobre as sociedades responsáveis por esses ativos, a varejista afirma ter encontrado dificuldades para renovar empréstimos e contratar novas linhas.

Na prática, uma empresa pode ter lojas funcionando, clientes e capacidade de gerar receita, mas ainda assim enfrentar uma crise de liquidez quando não consegue financiar seu capital de giro.

A Marabraz afirma que bancos passaram a exigir novas garantias, reduzir limites ou aumentar o custo das operações. O resultado teria sido uma pressão adicional sobre o caixa da companhia.

O que diz a LP Administradora de Bens?

A LP Administradora de Bens contesta a versão apresentada pela Marabraz e afirma que as duas empresas possuem estruturas independentes.

Em manifestação divulgada após o pedido de recuperação judicial, a holding sustenta que tem administração, sócios, patrimônio e responsabilidades próprios. A empresa também afirma que está sob controle da atual geração da família desde 2011 e que não participa da gestão da varejista.

A LP argumenta ainda que decisões judiciais reconheceram a autonomia da empresa e a validade da transferência das participações realizada naquele ano.

Por isso, a holding rejeita a tentativa de relacionar sua estrutura patrimonial à crise financeira da Marabraz e atribui a situação da varejista às decisões de sua própria administração, somadas às dificuldades enfrentadas pelo setor de varejo.

É importante destacar que essas são posições conflitantes apresentadas pelas partes. A existência da disputa judicial não significa, por si só, que uma das versões tenha sido definitivamente reconhecida como verdadeira em todos os seus aspectos.

Crise da Marabraz também reflete dificuldades do varejo

Embora a disputa societária tenha ganhado destaque, o cenário econômico também pesa sobre empresas varejistas.

A Marabraz aponta juros elevados e endividamento como fatores que agravaram suas dificuldades. O ambiente de crédito mais caro aumenta o custo para empresas que dependem de financiamento para comprar mercadorias, manter estoques, pagar fornecedores e administrar o capital de giro.

Além disso, o varejo de móveis e eletrodomésticos é particularmente sensível ao comportamento do consumidor. Produtos de maior valor costumam depender de financiamento, parcelamento e disponibilidade de crédito.

A Marabraz chegou a operar com 135 unidades na Região Metropolitana de São Paulo, Baixada Santista, Vale do Paraíba e interior paulista, segundo informações divulgadas durante o pedido.

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O caso ocorre em um momento de pressão mais ampla sobre empresas brasileiras. Dados divulgados em agosto apontaram que o país registrou 194 pedidos de recuperação judicial apenas no primeiro trimestre de 2026, segundo levantamento da Serasa Experian citado pela imprensa.

O que acontece agora com a recuperação judicial?

A recuperação judicial é um mecanismo previsto na Lei nº 11.101/2005 para permitir que empresas em dificuldades econômico-financeiras negociem suas dívidas e tentem preservar a atividade empresarial.

No caso da Marabraz, o processo deverá envolver a análise da documentação, a relação de credores e a definição das próximas etapas pela Justiça.

A empresa busca utilizar o procedimento para reorganizar o passivo e manter a operação. Isso não significa que a dívida de R$ 140 milhões será simplesmente perdoada. Os credores participarão do processo de negociação e, conforme o caso, poderão votar o plano apresentado pela companhia.

O processo também será acompanhado por um administrador judicial, figura responsável por auxiliar a Justiça e fiscalizar aspectos relevantes do procedimento. O Conselho Nacional de Justiça vem ampliando medidas para estabelecer critérios de transparência, fiscalização e eficiência na atuação desses profissionais em recuperações judiciais.

Marabraz vai fechar as lojas?

(Imagem: RNL Fotografia/Adobe Stock AdobeStock_604950007_Editorial_Use_Only.jpg )

Até o momento, o pedido de recuperação judicial não significa o encerramento das atividades da Marabraz.

A companhia informou que continua operando e que pretende preservar empregos, clientes, fornecedores e parceiros comerciais. A recuperação judicial busca justamente criar condições para que a empresa consiga reorganizar suas obrigações sem interromper imediatamente suas atividades.

Para consumidores que possuem compras, crediário ou contratos com a rede, portanto, o pedido não equivale automaticamente ao cancelamento das operações.

O futuro da varejista dependerá, principalmente, da capacidade de reorganizar suas dívidas, recuperar o acesso ao crédito e melhorar a geração de caixa. Paralelamente, a disputa envolvendo os integrantes da família controladora deverá continuar sendo acompanhada pela Justiça.

Foto: Reprodução/Instagram

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

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