A Mastercard enfrenta um prejuízo bilionário após a liquidação do Banco Master, episódio que vem gerando impactos relevantes no sistema financeiro brasileiro. A situação envolve transações feitas por clientes do Will Bank — fintech ligada ao banco — e levanta discussões sobre responsabilidade, garantias e riscos no mercado de cartões.
Segundo informações de bastidores do mercado, a empresa de pagamentos já teria arcado com cerca de metade de um volume estimado em até R$ 5 bilhões em compras pendentes, o que representa um dos maiores episódios recentes envolvendo bandeiras de cartão no país.
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O que aconteceu com o Banco Master
O Banco Master entrou em colapso após denúncias e investigações que levaram à liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central do Brasil.
A instituição havia adquirido o Will Bank em 2024, ampliando sua atuação no segmento de crédito voltado à população de menor renda. No entanto, problemas financeiros e suspeitas de irregularidades comprometeram a operação.
A quebra afetou não apenas clientes e investidores, mas também empresas que operavam junto ao banco, como a Mastercard.
Por que a Mastercard teve prejuízo
A Mastercard atuava como bandeira dos cartões emitidos pela fintech do Banco Master. Quando a instituição deixou de honrar pagamentos, surgiu um problema crítico: quem deveria pagar os varejistas pelas compras já realizadas?
Responsabilidade pelas transações
No sistema de cartões, o fluxo funciona assim:
- O cliente realiza uma compra
- O lojista recebe o valor via credenciadora
- O emissor do cartão (banco ou fintech) paga a fatura
Com a quebra do banco emissor, esse fluxo é interrompido. Nesse cenário, regras do sistema financeiro determinam que a bandeira pode precisar garantir parte das transações.
Foi exatamente o que ocorreu.
Quanto a Mastercard pagou
- Total de compras pendentes: até R$ 5 bilhões
- Valor assumido pela Mastercard: cerca de metade
- Período coberto: primeiros 30 dias após a liquidação
A empresa informou que cumpriu as exigências regulatórias e agora busca reembolso junto ao liquidante nomeado pelo Banco Central.
O papel do Will Bank no caso
O Will Bank era a fintech responsável pela emissão dos cartões e operava com foco em consumidores de menor renda.
Nos meses anteriores à quebra:
- A Mastercard já havia limitado operações da fintech
- Houve bloqueio da atuação na rede por falta de garantias
- A liquidação ocorreu logo após essas restrições
Esse histórico indica que sinais de risco já estavam sendo monitorados pelo mercado.
Disputa sobre quem deve pagar a conta
Após a quebra, credenciadoras — empresas que processam pagamentos para lojistas — passaram a defender que a Mastercard deveria cobrir um período maior de transações não liquidadas.
Por outro lado, a empresa argumenta que:
- Cumpriu o período exigido pela regulamentação vigente
- Ainda não está sujeita a novas regras do Banco Central
- O prazo de adaptação às normas vai até maio
Esse impasse pode gerar disputas judiciais e regulatórias nos próximos meses.
Novas regras do Banco Central
O Banco Central vem aprimorando as regras para reduzir riscos no sistema de pagamentos.
Uma nova regulamentação:
- Define com mais clareza a responsabilidade das bandeiras
- Exige garantias mais robustas dos emissores
- Busca evitar prejuízos em cadeia em caso de falência
Esse caso pode acelerar a implementação e fiscalização dessas normas.
Como a Mastercard pode recuperar parte do prejuízo
Para reduzir perdas, a Mastercard pode acessar ativos oferecidos como garantia pela fintech.
Ativos envolvidos
- Ações do Banco de Brasília
- Participação na Westwing
Parte desses ativos já teria sido vendida, segundo fontes do mercado, para compensar os valores pagos.
Impactos para consumidores e varejistas
Apesar do prejuízo bilionário, o impacto direto para consumidores tende a ser limitado.
Para clientes
- Compras realizadas continuam válidas
- Faturas seguem sendo cobradas normalmente
- Não há risco direto de cobrança duplicada
Para varejistas
- Recebimento de valores foi garantido em parte
- Pode haver atrasos ou disputas em casos específicos
- O episódio reforça a importância de avaliar riscos das credenciadoras
O que muda para o mercado financeiro
O caso do Banco Master expõe fragilidades importantes no sistema:
- Risco de concentração em emissores menores
- Dependência de garantias adequadas
- Necessidade de supervisão mais rigorosa
Além disso, pode levar a:
- Regras mais duras para fintechs
- Maior exigência de capital e garantias
- Revisão de contratos entre bandeiras e emissores
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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
