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Colapso do Banco Master pode gerar impacto bilionário na Mastercard

A Mastercard enfrenta um prejuízo bilionário após a liquidação do Banco Master, episódio que vem gerando impactos relevantes no sistema financeiro brasileiro. A situação envolve transações feitas por clientes do Will Bank — fintech ligada ao banco — e levanta discussões sobre responsabilidade, garantias e riscos no mercado de cartões. Segundo informações de bastidores do […]

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 4 min de leitura
Banco Master 3

A Mastercard enfrenta um prejuízo bilionário após a liquidação do Banco Master, episódio que vem gerando impactos relevantes no sistema financeiro brasileiro. A situação envolve transações feitas por clientes do Will Bank — fintech ligada ao banco — e levanta discussões sobre responsabilidade, garantias e riscos no mercado de cartões.

Segundo informações de bastidores do mercado, a empresa de pagamentos já teria arcado com cerca de metade de um volume estimado em até R$ 5 bilhões em compras pendentes, o que representa um dos maiores episódios recentes envolvendo bandeiras de cartão no país.

Leia mais:

Banco Central anuncia liquidação do Banco Master Múltiplo

O que aconteceu com o Banco Master

O Banco Master entrou em colapso após denúncias e investigações que levaram à liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central do Brasil.

A instituição havia adquirido o Will Bank em 2024, ampliando sua atuação no segmento de crédito voltado à população de menor renda. No entanto, problemas financeiros e suspeitas de irregularidades comprometeram a operação.

A quebra afetou não apenas clientes e investidores, mas também empresas que operavam junto ao banco, como a Mastercard.

Por que a Mastercard teve prejuízo

A Mastercard atuava como bandeira dos cartões emitidos pela fintech do Banco Master. Quando a instituição deixou de honrar pagamentos, surgiu um problema crítico: quem deveria pagar os varejistas pelas compras já realizadas?

Responsabilidade pelas transações

No sistema de cartões, o fluxo funciona assim:

  • O cliente realiza uma compra
  • O lojista recebe o valor via credenciadora
  • O emissor do cartão (banco ou fintech) paga a fatura

Com a quebra do banco emissor, esse fluxo é interrompido. Nesse cenário, regras do sistema financeiro determinam que a bandeira pode precisar garantir parte das transações.

Foi exatamente o que ocorreu.

Quanto a Mastercard pagou

  • Total de compras pendentes: até R$ 5 bilhões
  • Valor assumido pela Mastercard: cerca de metade
  • Período coberto: primeiros 30 dias após a liquidação

A empresa informou que cumpriu as exigências regulatórias e agora busca reembolso junto ao liquidante nomeado pelo Banco Central.

O papel do Will Bank no caso

O Will Bank era a fintech responsável pela emissão dos cartões e operava com foco em consumidores de menor renda.

Nos meses anteriores à quebra:

  • A Mastercard já havia limitado operações da fintech
  • Houve bloqueio da atuação na rede por falta de garantias
  • A liquidação ocorreu logo após essas restrições

Esse histórico indica que sinais de risco já estavam sendo monitorados pelo mercado.

Disputa sobre quem deve pagar a conta

Após a quebra, credenciadoras — empresas que processam pagamentos para lojistas — passaram a defender que a Mastercard deveria cobrir um período maior de transações não liquidadas.

Por outro lado, a empresa argumenta que:

  • Cumpriu o período exigido pela regulamentação vigente
  • Ainda não está sujeita a novas regras do Banco Central
  • O prazo de adaptação às normas vai até maio

Esse impasse pode gerar disputas judiciais e regulatórias nos próximos meses.

Novas regras do Banco Central

O Banco Central vem aprimorando as regras para reduzir riscos no sistema de pagamentos.

Uma nova regulamentação:

  • Define com mais clareza a responsabilidade das bandeiras
  • Exige garantias mais robustas dos emissores
  • Busca evitar prejuízos em cadeia em caso de falência

Esse caso pode acelerar a implementação e fiscalização dessas normas.

Como a Mastercard pode recuperar parte do prejuízo

Para reduzir perdas, a Mastercard pode acessar ativos oferecidos como garantia pela fintech.

Ativos envolvidos

  • Ações do Banco de Brasília
  • Participação na Westwing

Parte desses ativos já teria sido vendida, segundo fontes do mercado, para compensar os valores pagos.

Impactos para consumidores e varejistas

Apesar do prejuízo bilionário, o impacto direto para consumidores tende a ser limitado.

Para clientes

  • Compras realizadas continuam válidas
  • Faturas seguem sendo cobradas normalmente
  • Não há risco direto de cobrança duplicada

Para varejistas

  • Recebimento de valores foi garantido em parte
  • Pode haver atrasos ou disputas em casos específicos
  • O episódio reforça a importância de avaliar riscos das credenciadoras

O que muda para o mercado financeiro

O caso do Banco Master expõe fragilidades importantes no sistema:

  • Risco de concentração em emissores menores
  • Dependência de garantias adequadas
  • Necessidade de supervisão mais rigorosa

Além disso, pode levar a:

  • Regras mais duras para fintechs
  • Maior exigência de capital e garantias
  • Revisão de contratos entre bandeiras e emissores

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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