Em meio a debates acalorados sobre as finanças públicas brasileiras, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, trouxe à tona um ponto essencial: as recentes propostas de medidas para aumentar a arrecadação podem causar apreensão inicialmente, mas são cruciais para corrigir distorções históricas no sistema tributário do país.
Medidas de arrecadação podem assustar, mas são essenciais, diz Haddad
Ministro Haddad explica que ajustes tributários assustam, mas são essenciais para corrigir desigualdades no sistema fiscal brasileiro.
Durante audiência pública na Câmara dos Deputados, realizada em 11 de junho, Haddad destacou que o objetivo dessas mudanças não é simplesmente aumentar impostos, mas ajustar a estrutura fiscal para que ela reflita melhor as obrigações do Estado e a capacidade contributiva dos cidadãos.
O ministro ainda ressaltou a necessidade de avançar no controle de gastos públicos e corrigir irregularidades, reforçando a disposição do governo para enfrentar desafios estruturais do orçamento federal.
Leia mais: Mudança de Haddad cria distorção e pode gerar bola de neve fiscal neste ano
Ajustes fiscais: um remédio necessário para o Brasil

Fernando Haddad reconheceu que as propostas recentes do governo podem causar receio, principalmente porque envolvem a elevação de impostos em setores sensíveis. No entanto, o ministro explicou que essas medidas são uma resposta às “distorções” existentes no sistema atual, que beneficiam parcela da população com alta renda, mas com baixa alíquota efetiva.
Ele citou o caso do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), destacando que o governo pretende reduzir a alta inicialmente proposta para esse tributo, mas compensar a perda com outras formas de arrecadação, como a criação de um imposto de 5% sobre títulos até então isentos, como as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e do Imobiliário (LCI). Também está prevista a elevação da tributação sobre Juros sobre Capital Próprio (JCP), que passaria dos atuais 15% para 20%.
Haddad enfatizou que muitas pessoas de alta renda têm uma alíquota efetiva muito inferior ao que seria justo, especialmente aqueles com ganhos superiores a R$ 1 milhão por ano, cuja tributação média fica em torno de apenas 2,5%.
Corrigindo desigualdades no sistema tributário
Ao responder às críticas sobre a intensificação da carga tributária, o ministro destacou que o foco do governo não é simplesmente aumentar impostos, mas corrigir as falhas do sistema. Ele reforçou que o país convive com um Estado que tem despesas compatíveis com suas responsabilidades, muitas das quais foram assumidas por gestões anteriores.
“É muito fácil aumentar a alíquota de um imposto. Quantos governos já passaram por aqui e aumentaram a alíquota de imposto? O que fizemos: em vez de aumentar alíquota ou criar imposto, não é melhor corrigir distorções do sistema atual e ter uma arrecadação compatível com as obrigações assumidas pelo Estado brasileiro, muitas das quais não são nem desse governo?”, declarou Haddad.
Essa fala evidencia a intenção de promover justiça fiscal, ao fazer com que quem ganha mais pague proporcionalmente mais, equilibrando a balança das finanças públicas.
A transparência sobre os gastos públicos
Além de defender as medidas para aumentar a arrecadação, Haddad foi enfático em relação à necessidade de controlar os gastos públicos, ressaltando que muitos compromissos financeiros foram assumidos antes da atual gestão.
Ele citou como exemplo o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), cujo aumento de recursos foi aprovado pelo Congresso em 2021, mas cujos efeitos financeiros só começarão a impactar o orçamento plenamente no próximo ano, com gastos que podem chegar a R$ 70 bilhões.
“Às vezes falam que o governo está gastando. Quando que foi contratado esse investimento? Porque às vezes é o investimento. Pega o caso do Fundeb. Quem criou o Fundeb foi o presidente Lula, mas o Congresso resolveu triplicar o Fundeb. A medida foi tomada em 2021, só que diluiu a capitalização até o ano que vem. No ano que vem, teremos de gastar entre R$ 65 bilhões e R$ 70 bilhões para integralizar Fundeb”, explicou Haddad.
O desafio das despesas primárias e fraudes no orçamento
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Haddad revelou que o governo pretende promover um amplo diálogo com os líderes do Congresso para avaliar quais medidas podem avançar para a contenção das despesas primárias, incluindo a análise de casos de “supersalários” e o debate sobre a previdência dos militares.
“Vamos enfrentar a questão dos supersalários, da previdência dos militares, dos cadastros sociais ou não? O que nós vamos fazer de fato? O que está na mesa?”, questionou o ministro, frisando ainda a necessidade de combater fraudes em benefícios sociais, como o seguro defeso.
Ele admitiu que algumas propostas que visavam corrigir irregularidades não foram apreciadas ou acabaram sendo deixadas de lado por razões políticas, mas garantiu que o governo está disposto a retomar essas discussões e buscar soluções concretas.
Caminho para um sistema fiscal mais justo e eficiente

A fala de Fernando Haddad na Câmara dos Deputados destaca um esforço do governo para reestruturar o sistema tributário brasileiro de maneira mais equilibrada, corrigindo privilégios e distorções que prejudicam a equidade fiscal.
O objetivo final é garantir que a arrecadação esteja alinhada com as responsabilidades do Estado, promovendo justiça social e sustentabilidade econômica.
Ao mesmo tempo, o governo demonstra preocupação com o controle rigoroso das despesas públicas e com a transparência no uso dos recursos, para evitar desperdícios e fraudes.
Com informações de: EXTRA
