Nos últimos dias, o governo federal anunciou um conjunto de medidas econômicas que têm gerado reações negativas da classe média, principalmente devido ao aumento da carga tributária e a ampliação da gratuidade na conta de luz para milhões de brasileiros.
Classe média é castigada pelas novas medidas do governo; veja o que mudou
Medidas do governo elevam IOF e ampliam gratuidade na conta de luz, pressionando a classe média e encarecendo viagens ao exterior.
Tais decisões ocorrem num cenário de crise fiscal e buscam compensar gastos públicos crescentes, mas têm o efeito direto de onerar quem trabalha e produz, agravando um ambiente já delicado para a economia nacional.
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Câmara aprova reajuste salarial de servidores e o impacto no orçamento público

Na última semana, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto que reajusta os salários dos servidores do Poder Executivo Federal, uma proposta que agora segue para o Senado.
Segundo cálculos, o custo dessa medida será elevado: R$ 18 bilhões somente em 2025, R$ 26,8 bilhões em 2026 e R$ 29,2 bilhões em 2027, totalizando R$ 73 bilhões em três anos.
Esse aumento das despesas públicas acontece justamente quando o país enfrenta um quadro fiscal delicado, com déficit crescente e uma dívida pública que cobra juros cada vez mais altos.
O ex-ministro da Fazenda, Ciro Gomes, alertou que, até o final de 2025, o Brasil poderá gastar cerca de R$ 1,05 trilhão apenas com o pagamento dos juros da dívida.
A reação do governo: congelamento e aumento do IOF
Para tentar conter o avanço do déficit, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou um congelamento de R$ 31,3 bilhões no orçamento de 2025 e optou pelo aumento da alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).
A decisão, contudo, foi tomada de forma considerada improvisada e sem a comunicação prévia até mesmo para o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
A justificativa do ministro foi a necessidade de alinhar as políticas fiscal e monetária, reforçando o compromisso do governo com a responsabilidade fiscal. A expectativa é arrecadar R$ 20,5 bilhões em 2025 e R$ 41 bilhões em 2026 apenas com o aumento do IOF.
IOF mais caro: quem paga a conta?
O aumento do IOF recai diretamente sobre a classe média, especialmente sobre aqueles que viajam ao exterior e utilizam cartões internacionais. Entre as principais mudanças estão:
- Elevação da alíquota de 3,38% para 3,50% por operação para cartões de crédito e débito internacionais, cartões pré-pagos e cheques-viagem.
- Aumento da alíquota de 1,1% para 3,5% na compra de moeda estrangeira em espécie, como dólar e euro.
Na prática, isso significa que viajar para fora do país ficou mais caro para grande parte da população, afetando o consumo e o turismo internacional.
Gratuidade da conta de luz: um custo que recai sobre a classe média
Em meio ao ajuste fiscal, o governo enviou ao Congresso uma Medida Provisória que amplia a gratuidade da conta de luz para cerca de 60 milhões de pessoas. O benefício contempla:
- Famílias inscritas no CadÚnico com renda mensal de até meio salário-mínimo por pessoa e consumo até 80 kWh/mês.
- Pessoas com deficiência e idosos beneficiários do BPC (Benefício de Prestação Continuada).
- Famílias indígenas e quilombolas cadastradas no CadÚnico.
- Famílias atendidas em sistemas isolados com geração offgrid.
Caso o consumo ultrapasse os limites estipulados, o pagamento será proporcional. Além disso, o governo isenta o pagamento da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) para famílias com renda entre meio e um salário-mínimo e consumo até 120 kWh/mês.
O custo dessa gratuidade e quem paga a conta
O benefício ampliado representará um custo anual superior a R$ 3 bilhões, que será repassado para as contas de luz dos demais consumidores, pessoas físicas e jurídicas, majoritariamente pertencentes à classe média e ao setor produtivo.
Ou seja, quem trabalha e produz acaba arcando com a conta da ampliação dos subsídios para famílias em situação de vulnerabilidade.
A disputa política e econômica por trás das medidas
As ações do governo fazem parte de uma tentativa de melhorar a popularidade do presidente Lula visando a reeleição em 2026, mas enfrentam resistência interna.
Há um embate entre ministros que defendem medidas populistas para assegurar apoio político e aqueles que buscam rigor fiscal para controlar o déficit.
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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e a ministra do Planejamento, Simone Tebet, defendem cortes e ajustes mais rigorosos, enquanto outros setores do governo atuam para preservar benefícios sociais e gastos.
Essa divisão gera incertezas e reduz a confiança do mercado e dos investidores, que já demonstram preocupação com o futuro das contas públicas brasileiras.
O paradoxo da popularidade e a confiança no governo
Apesar da taxa de desemprego relativamente baixa, crescimento econômico moderado e inflação sob controle, a popularidade do presidente Lula não apresenta crescimento significativo.
Entre os motivos apontados estão os recentes escândalos de corrupção envolvendo o INSS, que afetam a imagem do governo e seu compromisso com a gestão pública.
O que isso significa para a classe média e a economia?

O conjunto de medidas adotadas – aumento do IOF, ampliação da gratuidade da conta de luz e reajuste salarial dos servidores – representa uma sobrecarga sobre a classe média brasileira, que já enfrenta desafios econômicos e pressão inflacionária.
Esses impostos e custos adicionais reduzem o poder de consumo, elevam o custo de vida e dificultam investimentos e viagens internacionais.
Além disso, a transferência dos custos para o consumidor final na conta de luz agrava o orçamento das famílias e das empresas, impactando a competitividade da indústria e o crescimento econômico.
Alternativas e desafios para o governo
Para estabilizar as contas públicas e evitar o aumento da carga tributária sobre a classe média, o governo precisaria investir em:
- Reformas estruturais que aumentem a eficiência do gasto público.
- Combate efetivo à corrupção e desperdícios.
- Incentivos para o crescimento econômico sustentável.
- Diálogo com o Congresso para aprovar medidas fiscais responsáveis.
Sem essas ações, o país poderá enfrentar maior instabilidade fiscal, desaceleração econômica e aumento da desigualdade social.
