O mercado financeiro voltou a revisar para cima suas expectativas para a taxa básica de juros e para a inflação nos próximos anos. Os novos dados foram divulgados nesta segunda-feira pelo Boletim Focus, relatório semanal elaborado pelo Banco Central que reúne as projeções de dezenas de instituições financeiras e consultorias econômicas.
Focus eleva estimativas para inflação e Selic em 2026
Boletim Focus mostra alta nas projeções da Selic e da inflação para 2026. Veja o que muda para economia, crédito e investimentos.
O levantamento é considerado uma das principais referências para investidores, empresas e formuladores de políticas públicas, pois sinaliza como o mercado enxerga o comportamento da economia brasileira nos próximos anos.
A edição mais recente trouxe um cenário de maior cautela. Enquanto as projeções para a inflação e para a Selic foram elevadas, as estimativas para o crescimento econômico avançaram apenas de forma marginal. Já o dólar apresentou expectativa de queda em alguns dos próximos anos.
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Inflação continua pressionada e acima da meta

O principal destaque do relatório foi a nova alta na projeção do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação brasileira.
A estimativa para 2026 subiu de 5,09% para 5,11%, marcando a décima terceira semana consecutiva de aumento nas previsões.
O movimento preocupa porque a expectativa permanece acima do teto da meta de inflação perseguida pelo Banco Central. Atualmente, o sistema de metas prevê inflação de 3% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Dessa forma, o limite máximo aceitável é de 4,5%.
Com projeção de 5,11%, o mercado acredita que a inflação continuará acima desse patamar ao longo de 2026.
Projeções do IPCA
- 2026: 5,11% (ante 5,09%)
- 2027: 4,03% (ante 4,02%)
- 2028: 3,65% (ante 3,66%)
- 2029: 3,50% (estável)
Embora as estimativas para 2028 e 2029 estejam mais próximas da meta, ainda permanecem acima do objetivo central de 3%.
O que está pressionando a inflação?
Diversos fatores ajudam a explicar o aumento das expectativas inflacionárias. Entre eles estão:
- Incertezas no cenário internacional;
- Oscilações nos preços das commodities;
- Possíveis impactos das tensões geopolíticas no Oriente Médio;
- Mercado de trabalho aquecido;
- Pressões sobre serviços e consumo interno.
Esses elementos dificultam uma desaceleração mais rápida dos preços e exigem uma postura mais cautelosa da política monetária.
Mercado projeta juros mais altos por mais tempo
Com a inflação mostrando resistência, os economistas passaram a prever uma Selic mais elevada nos próximos anos.
A taxa básica de juros é a principal ferramenta utilizada pelo Banco Central para controlar a inflação. Quando os preços avançam acima do esperado, a tendência é manter os juros elevados por mais tempo para reduzir o ritmo da demanda e conter a pressão inflacionária.
Projeções para a Selic
- 2026: 13,50% (ante 13,25%)
- 2027: 11,50% (ante 11,25%)
- 2028: 10,00% (estável)
- 2029: 10,00% (estável)
Os números indicam que o mercado não espera uma queda acelerada dos juros nos próximos anos.
Como a Selic afeta o bolso dos brasileiros?
A manutenção de juros elevados impacta diretamente diversos setores da economia.
Crédito mais caro
Financiamentos imobiliários, empréstimos pessoais e crédito para empresas tendem a apresentar taxas mais elevadas.
Menor estímulo ao consumo
Com o crédito mais caro, muitas famílias adiam compras de alto valor, como veículos, imóveis e eletrodomésticos.
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Investimentos em renda fixa ganham atratividade
Por outro lado, aplicações atreladas aos juros, como Tesouro Selic, CDBs e fundos de renda fixa, costumam oferecer retornos mais interessantes em cenários de taxas elevadas.
PIB mostra leve melhora nas projeções
Apesar do ambiente de juros altos, o mercado revisou ligeiramente para cima a expectativa de crescimento da economia brasileira em 2026.
Projeções para o PIB
- 2026: 1,91% (ante 1,90%)
- 2027: 1,70% (estável)
- 2028: 2,00% (estável)
- 2029: 2,00% (estável)
A revisão é pequena, mas demonstra que os analistas continuam enxergando alguma resiliência na atividade econômica brasileira.
Setores como agronegócio, serviços e infraestrutura seguem contribuindo para sustentar o crescimento, mesmo diante de um ambiente financeiro mais restritivo.
Dólar tem expectativa de queda nos próximos anos

Outro dado relevante do Focus foi a revisão para baixo das projeções do câmbio.
Projeções para o dólar
- 2026: R$ 5,15 (ante R$ 5,16)
- 2027: R$ 5,20 (ante R$ 5,25)
- 2028: R$ 5,30 (estável)
- 2029: R$ 5,35 (ante R$ 5,40)
A expectativa de uma moeda americana menos valorizada pode ajudar a reduzir parte das pressões inflacionárias futuras, especialmente em produtos importados e insumos utilizados pela indústria brasileira.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
