O mercado financeiro reduziu pela 11ª semana consecutiva a previsão para a inflação no Brasil, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (11) pelo Banco Central por meio da pesquisa Focus. O levantamento, que mede semanalmente a expectativa de analistas para indicadores econômicos, também revelou um recuo nas estimativas de superávit comercial para 2025 e 2026.
Economia hoje: novas previsões para inflação, Selic, PIB e dólar
Mercado corta previsão de inflação pela 11ª semana seguida e reduz projeções de superávit comercial para 2025 e 2026, segundo o Focus.
As novas projeções mostram que, apesar de um cenário de menor pressão inflacionária, o comércio exterior brasileiro pode enfrentar desafios adicionais nos próximos anos, inclusive por conta de novas barreiras tarifárias impostas pelos Estados Unidos.
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Inflação em queda

O boletim Focus apontou que a expectativa para a alta do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) em 2025 passou de 5,07% para 5,05%. Já para 2026, a projeção caiu de 4,43% para 4,41%.
Meta oficial e margem de tolerância
O centro da meta de inflação estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. Assim, o resultado projetado para 2025 ainda se mantém acima do teto da meta, o que pode influenciar futuras decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa Selic.
Taxa Selic estável
As projeções para a taxa básica de juros não sofreram alterações na última semana. O mercado segue prevendo Selic de 15% ao fim de 2025 e de 12,50% para 2026. Esse cenário indica uma postura ainda conservadora para o controle da inflação, mesmo com a recente queda nas expectativas de preços.
PIB com ligeira desaceleração
O Produto Interno Bruto (PIB) também teve leve revisão para baixo nas projeções do Focus. Para 2025, o crescimento esperado caiu de 2,23% para 2,21%, enquanto para 2026 recuou de 1,88% para 1,87%.
Impactos econômicos
A redução nas expectativas de crescimento pode estar associada a um cenário internacional menos favorável e à diminuição da força das exportações brasileiras, que terão impacto direto sobre a balança comercial.
Dólar segue estável nas projeções

O câmbio não apresentou variações significativas. O mercado manteve a projeção de que o dólar encerrará 2025 cotado a R$ 5,60 e 2026 a R$ 5,70.
Fatores de influência no câmbio
O dólar tem sido pressionado por fatores externos, como a política monetária dos Estados Unidos, e internos, como o ritmo de crescimento econômico e as incertezas fiscais.
Superávit comercial em queda
O levantamento indicou redução nas estimativas para o superávit da balança comercial brasileira. Para 2025, a projeção passou de US$ 65,25 bilhões para US$ 65,0 bilhões. Para 2026, caiu de US$ 70,79 bilhões para US$ 69,0 bilhões.
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Tarifas americanas afetam projeções
Uma das razões apontadas por analistas para a revisão é a recente decisão do governo dos Estados Unidos de impor tarifas de 50% sobre determinados produtos brasileiros. O governo brasileiro já anunciou que prepara um plano de contingência para apoiar empresas e setores mais afetados pela medida.
Possíveis impactos no agronegócio e na indústria
Especialistas alertam que setores como o agronegócio e a indústria de base podem sentir o peso das tarifas mais altas, reduzindo a competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano e afetando diretamente o saldo comercial.
Perspectivas para os próximos meses

Com a inflação em queda e a taxa de juros estável, o desafio do governo e do Banco Central será equilibrar a política monetária para não frear ainda mais o crescimento econômico.
Expectativas dos analistas
Os analistas avaliam que, caso o cenário externo se estabilize e as tensões comerciais diminuam, o Brasil pode recuperar parte da força exportadora. No entanto, a manutenção de juros elevados e o desaquecimento global podem limitar avanços mais expressivos.
Conclusão
A pesquisa Focus desta semana indica um cenário misto: por um lado, o alívio na inflação pode favorecer a economia interna, mas, por outro, a redução das expectativas para o superávit comercial e o PIB mostra que o Brasil deve enfrentar um ambiente internacional mais desafiador em 2025 e 2026. O impacto das tarifas dos EUA ainda é incerto, mas já começa a ser sentido nas projeções dos economistas.
