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O que esperar da supersemana com decisões do Copom e impacto do tarifaço

Semana marcada por Superquarta, tarifa de 50% dos EUA sobre o Brasil e decisão da Selic. Volatilidade domina o mercado.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
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Os últimos dias de julho de 2025 reúnem uma combinação rara de eventos econômicos e políticos com forte potencial de impacto no mercado financeiro. Além da aguardada Superquarta, quando os bancos centrais do Brasil (Copom) e dos Estados Unidos (Fed) divulgam suas decisões sobre as taxas de juros, há a iminente implementação do tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, anunciado pelo presidente Donald Trump dos EUA. O resultado? Volatilidade, incerteza e atenção redobrada dos investidores.

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Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital

Uma Superquarta sob tensão global

A Superquarta é um dos momentos mais esperados do calendário financeiro. É quando os dois principais bancos centrais do continente — o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil e o Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos — divulgam suas decisões sobre as taxas básicas de juros, que balizam toda a economia.

Decisão sobre a Selic: fim do ciclo de aperto

O consenso do mercado brasileiro gira em torno da manutenção da Selic em 15% ao ano, patamar alcançado após sucessivas altas desde setembro de 2024. Tanto o Bradesco quanto o Itaú preveem estabilidade na taxa nesta reunião, especialmente diante da turbulência externa e da necessidade de cautela.

Segundo análise do Itaú, a decisão deve refletir o fato de que “os efeitos defasados da política monetária seguem em curso, enquanto a elevada incerteza global demanda cautela adicional”. Com isso, encerra-se o ciclo de alta, e o Banco Central passa a monitorar os desdobramentos, principalmente no front externo.

Fed e Trump: uma relação conturbada

Nos Estados Unidos, o Fed também é esperado para manter os juros no intervalo entre 4,25% e 4,5% ao ano. Porém, a estabilidade desagrada o presidente Donald Trump, que pressiona publicamente por uma queda nas taxas para estimular a economia em ano pré-eleitoral.

Caso o presidente do Fed, Jerome Powell, decida por não alterar os juros, Trump deve voltar a criticar o banco central norte-americano, o que tende a ampliar ainda mais a instabilidade do mercado. A relação conturbada entre Casa Branca e Fed se soma à crise comercial com o Brasil, criando uma tempestade perfeita de volatilidade.

Tarifa de 50% dos EUA: o novo temor do mercado

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Além da Superquarta, o mercado brasileiro observa com crescente preocupação o tarifaço de 50% sobre as exportações brasileiras aos Estados Unidos, cuja implementação deve ocorrer nesta semana. A medida, classificada por analistas como retaliação política à postura do governo Lula, representa um baque significativo para setores estratégicos da economia.

Setores mais afetados

Segundo Sara Paixão, analista da InvestSmart, os setores mais vulneráveis à medida são:

  • Siderurgia
  • Agronegócio
  • Papel e celulose
  • Automotivo

Impacto imediato nos ativos

O consultor sênior da Zero Markets Brasil, Otávio Araújo, afirma que é provável observar oscilações relevantes nas ações dessas empresas já nesta semana. “Não será surpresa se muitos investidores aproveitarem o momento para realizar lucros”, diz.

Ao mesmo tempo, ativos de renda fixa, como títulos públicos de longo prazo, seguem como uma alternativa atrativa. “Os papéis continuam pagando entre 13,8% e 14% ao ano, o que dá segurança ao investidor mesmo em momentos de estresse”, explica Karine Damiati, sócia da AVG Capital.

Ibovespa: patinando após rally do semestre

O índice Ibovespa, principal termômetro da Bolsa brasileira, passou por forte valorização no primeiro semestre de 2025, saltando de 120 mil para 141 mil pontos. No entanto, nas últimas semanas, os pregões se tornaram mais voláteis, e o índice passou a oscilar em torno dos 133 mil pontos, distante da meta de 150 mil pontos projetada por analistas para o fim do ano.

A combinação entre tensão externa, decisões de juros e divulgação de balanços pode travar novos avanços. Como explica Damiati: “A preocupação central do mercado hoje não é mais a política monetária brasileira, mas sim o desdobramento do tarifaço”.

Divulgação de balanços: Santander, Bradesco e Vale no radar

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A semana também será movimentada por conta da divulgação de resultados do segundo trimestre de grandes empresas listadas na B3. Entre os destaques estão Santander, Bradesco e Vale. O desempenho dessas companhias pode impulsionar ou frear ainda mais o comportamento da bolsa.

Analistas acreditam que os bancos devem apresentar resultados sólidos, beneficiados pela alta da Selic. Já a Vale, exposta ao mercado internacional e às tensões comerciais, pode apresentar mais volatilidade.

Pressão sobre o real e o dólar

A crise comercial com os Estados Unidos já começa a refletir no câmbio. O real, considerado uma moeda de risco em períodos de instabilidade, pode sofrer pressão adicional, como destaca William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.

“O real é a primeira moeda que sente esses efeitos. Com incerteza sobre as tarifas, investidores devem buscar ativos mais seguros, como o dólar, pressionando a cotação”, afirma.

A tendência é que, sem um desenlace positivo na guerra comercial, o dólar continue em trajetória de alta nas próximas semanas. A busca por segurança internacional, sobretudo em títulos do Tesouro norte-americano, também contribui para essa pressão.

O que o investidor deve fazer?

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Diante de um cenário tão incerto, o melhor caminho é a diversificação da carteira. Enquanto ações de setores exportadores devem ser acompanhadas com cautela, ativos de renda fixa seguem atrativos, especialmente diante da manutenção da Selic em 15% ao ano.

Além disso, o investidor atento deve:

  • Monitorar os desdobramentos do tarifaço entre Brasil e EUA;
  • Acompanhar a fala de Powell e as reações de Trump;
  • Avaliar os resultados dos balanços trimestrais de empresas-chave;
  • Observar o comportamento do Ibovespa frente às decisões de política monetária;
  • Buscar proteção cambial caso tenha exposição internacional.

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Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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