Os mercados financeiros internacionais amanheceram pressionados nesta terça-feira (15), em meio à combinação de petróleo mais caro, avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e expectativa pela decisão de juros do Federal Reserve (Fed). O movimento aumenta a cautela dos investidores porque juros mais elevados encarecem o crédito e alteram a relação entre renda fixa e ativos de risco.
No centro das atenções está o Treasury americano de dez anos. O rendimento do título ultrapassou 5% e chegou próximo de 5,05%, atingindo o maior nível desde 2007. Como esse papel é uma das principais referências para os custos de financiamento globais, sua alta tende a repercutir em bolsas, moedas e mercados de crédito.
Ao mesmo tempo, a valorização do petróleo elevou as preocupações com a inflação. A combinação de energia mais cara e rendimentos elevados ocorre às vésperas da reunião do Fed, que começou nesta terça e termina na quarta-feira (16), quando será divulgada a decisão de política monetária.
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Os contratos futuros dos principais índices de Wall Street registravam perdas durante a manhã. O Dow Jones futuro recuava 0,62%, enquanto os futuros do S&P 500 e do Nasdaq apresentavam quedas de 0,47% e 0,50%, respectivamente.
A pressão sobre as ações está relacionada, em parte, ao aumento do retorno oferecido pelos títulos públicos americanos. Quando os Treasuries pagam juros maiores, investimentos considerados mais arriscados, como ações, precisam oferecer uma remuneração potencialmente mais atrativa para compensar o risco.
O avanço dos rendimentos também está relacionado às expectativas de inflação. O petróleo acima de US$ 100 por barril adiciona pressão aos custos de energia e pode dificultar a tarefa do banco central americano caso o choque de preços seja persistente.
O que o mercado espera do Federal Reserve
A reunião do Fed ocorre nos dias 15 e 16 de setembro, com decisão prevista para quarta-feira.
Segundo levantamento da Reuters divulgado nesta terça, os mercados atribuíam probabilidade elevada a uma elevação de 0,25 ponto percentual. A expectativa, porém, não elimina a importância da comunicação do banco central: além da decisão sobre a taxa, investidores acompanham as projeções econômicas e as declarações sobre inflação, emprego e próximos passos da política monetária.
Europa acompanha avanço dos juros americanos
As principais bolsas europeias também operavam em baixa. O STOXX 600 recuava 0,77%, enquanto DAX, FTSE 100, CAC 40 e FTSE MIB registravam perdas próximas de 0,8%.
A alta dos Treasuries influencia diretamente os mercados europeus porque os títulos americanos funcionam como referência para diversos investimentos internacionais. Quando os juros nos Estados Unidos sobem, outros países podem enfrentar pressão semelhante sobre seus próprios títulos e moedas.
O cenário também aumenta a sensibilidade das empresas ao custo de financiamento, especialmente em setores que dependem de crédito ou de investimentos elevados.
China mostra sinais mistos na economia
Na Ásia, os mercados encerraram a sessão majoritariamente no vermelho. O desempenho foi influenciado tanto pelo cenário internacional quanto por novos dados da economia chinesa.
As vendas no varejo da China cresceram apenas 0,4% em agosto, abaixo da expectativa de 0,8%. O resultado também representou desaceleração em relação ao avanço de 0,6% registrado em julho.
Por outro lado, a produção industrial chinesa apresentou desempenho mais forte. O indicador avançou 5,2% em agosto, acima dos 4,5% registrados no mês anterior e da previsão de 4,8% dos analistas. O investimento em ativos fixos, contudo, caiu 7,2% nos primeiros oito meses do ano.
Os números mostram uma economia com comportamentos diferentes entre indústria, consumo e investimentos, mantendo a atenção dos mercados sobre a capacidade de recuperação da demanda chinesa.
Petróleo dispara e aumenta preocupação com inflação
O petróleo é um dos principais fatores por trás da instabilidade desta terça-feira. O Brent chegou a operar acima de US$ 107 por barril, enquanto o WTI também avançou.
A valorização ocorre em meio ao aumento das tensões geopolíticas envolvendo o Oriente Médio e riscos relacionados ao transporte de petróleo. O avanço das cotações pode elevar custos de combustíveis, transporte e produção em diferentes economias.
Para países importadores de petróleo, uma alta prolongada pode pressionar a inflação. No Brasil, por exemplo, alterações relevantes nos preços internacionais da commodity podem afetar combustíveis, câmbio, inflação e empresas ligadas à cadeia de energia.
Minério de ferro também recua
Enquanto o petróleo avança, o minério de ferro negociado na China fechou em baixa pela quinta sessão consecutiva. A queda foi associada ao aumento dos embarques e à pressão sobre as margens das siderúrgicas, em um momento de dúvidas sobre a força da demanda.
Esse movimento merece atenção no Brasil devido à importância das exportações de minério para a balança comercial e para empresas do setor de mineração e siderurgia.
Bitcoin acompanha movimento de aversão ao risco

O mercado de criptomoedas também sofreu pressão. O Bitcoin chegou a recuar cerca de 2,8% em 24 horas, negociado na faixa de US$ 76,8 mil no momento considerado pela referência.
A queda ocorre em um ambiente de maior cautela global, no qual investidores acompanham principalmente juros americanos, petróleo e riscos geopolíticos. Ativos de maior volatilidade costumam reagir rapidamente às mudanças nas expectativas de liquidez e de custo do dinheiro.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
