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Meta terá 48 horas para explicar suspensão de conta ligada a vídeo sobre Banco Master

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 5 min de leitura
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O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) pediu explicações à Meta sobre a suspensão temporária do perfil “Revelando Brasil” no Instagram, que havia publicado um episódio apresentado por Fábio Porchat sobre o caso Banco Master. A empresa terá prazo de 48 horas para informar quais critérios levaram à retirada da conta.

A solicitação foi encaminhada pela Secretaria Nacional de Justiça em 24 de setembro, depois de o perfil ter sido retirado do ar e posteriormente restaurado pela própria Meta. O episódio também continuou disponível no YouTube durante o período em que a conta ficou indisponível no Instagram.

A cobrança ocorre em um momento de maior atenção sobre as regras de moderação das grandes plataformas digitais, especialmente quando decisões de remoção atingem conteúdos jornalísticos, políticos ou de interesse público.

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Por que o Ministério da Justiça questionou a Meta

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REUTERS/Daniel Cole/Foto de arquivo

O principal objetivo do ofício é entender o que provocou a suspensão do perfil. Entre os questionamentos estão a regra específica que teria sido infringida e o procedimento utilizado para identificar a suposta violação.

O Ministério também quer saber se a decisão foi tomada por um sistema automatizado de moderação ou se ocorreu após uma denúncia apresentada por algum usuário. Outro ponto é verificar se os responsáveis pela página receberam uma comunicação individualizada explicando os motivos da suspensão.

A questão ganhou relevância porque a Meta reverteu a decisão poucas horas depois. Em manifestação divulgada após a reativação, a empresa afirmou que fez uma revisão interna, restaurou a conta e pediu desculpas pelo transtorno. A companhia, entretanto, não apresentou publicamente, até o momento das informações disponíveis, detalhes sobre qual regra teria provocado a retirada.

O que aconteceu com o perfil Revelando Brasil

A conta foi retirada do Instagram na manhã de 23 de setembro, dois dias depois da publicação do episódio “Grandes Igrejas, Master Negócios”, apresentado por Fábio Porchat.

A produção aborda relações envolvendo Daniel Vorcaro, a Igreja Batista da Lagoinha e diferentes personagens da política brasileira. O conteúdo também menciona outros nomes públicos, dentro da narrativa apresentada pelo programa. O vídeo completo permaneceu disponível no YouTube.

Segundo informações publicadas pela imprensa, o teaser do episódio havia alcançado milhões de visualizações antes da suspensão. Posteriormente, o perfil voltou ao ar e registrou forte crescimento no número de seguidores.

A retirada, portanto, não significou a eliminação do conteúdo de todas as plataformas. O episódio continuou acessível em outros canais, enquanto a conta do Instagram passou por revisão.

Meta diz que fez revisão interna

A posição divulgada pela Meta foi objetiva: a empresa afirmou que, depois de uma revisão interna, decidiu restaurar a conta e pediu desculpas pela inconveniência. Não houve, contudo, uma explicação pública detalhando o mecanismo que levou à suspensão inicial.

Esse ponto é justamente um dos motivos para a cobrança do governo. A discussão não se limita a saber por que uma determinada publicação foi retirada, mas também envolve a transparência dos processos de moderação.

Na prática, plataformas como Instagram utilizam uma combinação de sistemas automatizados, denúncias de usuários e análises humanas para aplicar suas regras. Uma decisão pode ser posteriormente revista quando uma análise adicional identifica que a medida original foi equivocada.

Caso entra no radar do Observatório do MJSP

O episódio também foi relacionado ao Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores Sociais, estrutura vinculada à Secretaria Nacional de Justiça.

Criado em 2023, o Observatório tem entre suas atribuições monitorar casos relacionados a condutas violentas contra jornalistas e comunicadores, apoiar investigações e produzir informações que possam subsidiar políticas públicas.

A atuação do órgão ganhou importância adicional em 2026, quando o Ministério publicou um guia específico para orientar jornalistas e comunicadores durante o período eleitoral. O documento inclui ataques digitais e tentativas de derrubada de perfis entre situações que podem exigir preservação de provas e encaminhamento às autoridades competentes.

Isso não significa, por si só, que a suspensão do perfil tenha sido classificada como crime ou como violência contra jornalista. A classificação jurídica depende da análise das circunstâncias e das provas.

O que o governo quer descobrir

O pedido de informações à Meta busca esclarecer uma sequência de acontecimentos: qual norma foi acionada, como a suposta infração foi identificada, quem ou qual sistema desencadeou a medida e por que a conta acabou sendo restaurada.

A resposta também poderá ajudar a esclarecer se houve falha no processo de moderação ou se a suspensão ocorreu dentro dos procedimentos previstos pela plataforma e foi posteriormente revertida após revisão.

Para usuários comuns, o episódio chama atenção para uma questão prática: uma conta pode ser temporariamente restringida mesmo quando seu responsável considera que não infringiu as regras da plataforma. Nesses casos, os mecanismos de revisão e recurso oferecidos pelo próprio serviço tornam-se importantes para recuperar o acesso.

Porchat contesta a retirada do conteúdo

fabio porchat
(crédito: Reprodução/YouTube)

Após a restauração do perfil, Fábio Porchat questionou publicamente a decisão inicial. O humorista afirmou que o material apresentava informações que, segundo ele, já haviam sido divulgadas por veículos de imprensa e classificou o conteúdo como uma apresentação acessível de fatos reportados anteriormente.

A manifestação de Porchat integra a repercussão pública do episódio e deve ser diferenciada da posição oficial da Meta e da apuração conduzida pelo Ministério da Justiça.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também comentou o caso durante um encontro com artistas. Sua manifestação foi favorável à permanência do conteúdo no ar, mas representa uma declaração política sobre o episódio, e não uma conclusão oficial sobre a decisão de moderação da plataforma.

Imagem: Reprodução

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