A Meta anunciou dois novos modelos de inteligência artificial, chamados Muse Wonder e Muse Wonder Full, com o objetivo de ampliar sua presença no mercado de sistemas avançados. Segundo a empresa, as novidades apresentam desempenho próximo ao de ferramentas desenvolvidas pela Anthropic em avaliações de raciocínio, produção de textos e programação.
O lançamento faz parte da estratégia da companhia comandada por Mark Zuckerberg para diversificar suas fontes de receita e reduzir a dependência da publicidade digital. Além de integrar os novos recursos a seus próprios aplicativos, a Meta pretende disponibilizar os modelos para desenvolvedores e empresas interessadas em incorporar inteligência artificial a seus serviços.
A iniciativa ocorre em um momento de forte concorrência entre empresas que investem em modelos capazes de executar tarefas complexas, escrever códigos e operar agentes digitais com maior autonomia.
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Como funcionam os novos modelos de inteligência artificial da Meta

A família Muse Wonder foi desenvolvida para atender a atividades que exigem raciocínio, planejamento e capacidade de adaptação. A proposta é permitir que os sistemas não apenas respondam a perguntas, mas também realizem etapas sucessivas para concluir uma tarefa.
De acordo com a Meta, os modelos apresentam avanços em programação em comparação com versões anteriores da empresa. O objetivo é melhorar a experiência de profissionais que utilizam IA para desenvolver softwares, analisar informações e automatizar processos.
Muse Wonder aposta em agentes mais autônomos
Um dos principais diferenciais anunciados é a capacidade de tentar caminhos alternativos quando surge um obstáculo durante a execução de uma tarefa. Em vez de interromper imediatamente o trabalho para solicitar novas instruções, o sistema foi desenvolvido para buscar outras soluções.
Na prática, esse recurso pode ser útil em atividades como organizar compromissos, pesquisar informações e auxiliar na realização de reservas. Caso uma opção não esteja disponível, por exemplo, um agente poderá tentar encontrar alternativas, desde que tenha acesso às ferramentas necessárias e às permissões concedidas pelo usuário.
A tecnologia também pode beneficiar empresas que desejam automatizar tarefas administrativas, atendimento e etapas do desenvolvimento de sistemas. Entretanto, a capacidade de concluir essas atividades depende da integração com serviços externos, das limitações técnicas e das autorizações disponíveis.
Muse Wonder Full é voltado a tarefas mais exigentes
O Muse Wonder Full será a versão mais avançada da nova família, com acesso direcionado a desenvolvedores que utilizam o Muse Code, ferramenta de inteligência artificial para engenharia de software.
A proposta é atender a trabalhos de programação que exigem maior capacidade de processamento e análise. Entre as aplicações possíveis estão a criação de códigos, a identificação de erros e o apoio à manutenção de projetos de software.
A diferença entre os dois modelos também está relacionada à forma de acesso. Enquanto o Muse Wonder será incorporado ao aplicativo Muse e disponibilizado por meio de uma API, o Muse Wonder Full terá distribuição restrita aos planos do Muse Code destinados a desenvolvedores.
Quanto custam os novos modelos de IA da Meta
Segundo as informações divulgadas sobre o lançamento, o acesso ao Muse Wonder pelo aplicativo Muse exigirá uma assinatura mensal de US$ 20 ou US$ 100, embora o serviço tenha uma modalidade gratuita.
Para desenvolvedores que utilizam o Muse Code, os planos mencionados custam US$ 50 ou US$ 200 mensais. Já a utilização por meio da Meta Model API terá cobrança própria, com preços superiores aos das assinaturas convencionais, conforme explicou Alexandr Wang, responsável pela divisão de inteligência artificial da companhia.
Os valores são expressos em dólares e podem representar um custo maior para usuários brasileiros, dependendo da cotação cambial, de eventuais impostos e das condições de pagamento.
Para profissionais autônomos e pequenas empresas, a decisão de contratar um plano deve considerar a frequência de utilização e o tempo economizado com a automação. Uma ferramenta paga pode fazer sentido para quem trabalha diariamente com programação, mas talvez não compense para usuários que precisam apenas de respostas ocasionais.
Meta reforça segurança dos modelos avançados
A expansão dos agentes de inteligência artificial também aumenta a preocupação com privacidade, permissões de acesso e possíveis usos indevidos da tecnologia.
A Meta afirma que o Muse Wonder conta com medidas reforçadas de proteção contra atividades maliciosas relacionadas à segurança cibernética. Segundo a empresa, essas salvaguardas estão disponíveis inicialmente na versão paga do sistema.
A companhia também enfrentou questionamentos de usuários sobre o funcionamento do aplicativo Muse, incluindo reclamações de que o agente teria acessado mensagens pessoais sem autorização. A empresa contestou as alegações, e Alexandr Wang afirmou que parte dos casos poderia estar relacionada a permissões concedidas anteriormente e posteriormente esquecidas pelos usuários.
A situação evidencia a importância de verificar quais informações um aplicativo pode acessar antes de utilizar recursos automatizados. Mensagens, contatos, arquivos e outros dados pessoais exigem atenção especial, principalmente quando são processados por sistemas capazes de executar ações em nome do usuário.
Para empresas, também é recomendável estabelecer regras claras sobre o uso de ferramentas de IA, restringir permissões ao necessário e evitar inserir informações confidenciais em serviços sem conhecer suas condições de tratamento de dados.
O que o lançamento representa para o mercado de IA

A apresentação dos modelos ocorre em meio à disputa entre Meta, OpenAI e Anthropic pelo desenvolvimento de sistemas cada vez mais capazes. A concorrência envolve não apenas a qualidade das respostas, mas também o custo de utilização, a velocidade de processamento, a segurança e a integração com ferramentas profissionais.
A Meta busca ampliar sua atuação para além das redes sociais e da publicidade, transformando a inteligência artificial em uma nova frente de negócios. A oferta de modelos por assinatura e por API permite alcançar tanto consumidores individuais quanto desenvolvedores e companhias que desejam incorporar essas tecnologias a seus produtos.
O projeto foi conduzido pela divisão de IA liderada por Alexandr Wang, fundador da Scale AI, contratado pela Meta em 2025. Durante o desenvolvimento, a empresa enfrentou atrasos que adiaram o lançamento inicialmente previsto, conforme informações divulgadas anteriormente pela imprensa internacional.
Apesar das expectativas, a comparação de desempenho com sistemas concorrentes precisa ser interpretada com cautela. Resultados de testes dependem dos critérios utilizados, das tarefas avaliadas e das condições de execução. O desempenho anunciado pela fabricante, por si só, não garante resultados equivalentes em todas as situações reais.
Imagem: Redação iMasters
