Em entrevista à Bloomberg TV nesta terça-feira, Michael Saylor, presidente da MicroStrategy (NASDAQ), defendeu com veemência a evolução estratégica da empresa e rebateu o famoso vendida de ações Jim Chanos.
“Inverno do Bitcoin não volta”, diz Michael Saylor ao defender modelo de negócios da MicroStrategy
Michael Saylor afirma que "inverno do Bitcoin não volta" e projeta US$ 1 milhão por BTC. Explica estratégia da MicroStrategy com ações preferenciais.
Chanos sugeriu uma posição short sobre a empresa, mas Saylor argumentou que o crítico não compreende o modelo de negócios da MicroStrategy:
“Não acho que ele entenda nosso modelo. Somos o maior emissor de instrumentos de crédito lastreados em Bitcoin do mundo.”
Embora Chanos aposte na queda das ações da MSTR, Saylor mantém-se firme ao defender sua abordagem inovadora e sustentável, que integra cripto ativos ao núcleo operacional da companhia.
Leia mais:
Empresas dobram apostas em Bitcoin diante da queda do dólar e incertezas econômicas globais
Modelo financeiro: ações preferenciais como mecanismo de alavancagem
O ponto central da estratégia da MicroStrategy é usar ações preferenciais perpétuas para financiar compras de Bitcoin — evitando diluir as ações ordinárias. Recentemente, a empresa levantou US$ 1 bilhão emitindo este tipo de título, que paga dividendos fixos, mas não exige amortização de capital.
Esse mecanismo permite comprar Bitcoin sem pressionar o preço da ação, ao mesmo tempo em que oferece retorno ao investidor preferencial.
Ranking e riscos na estrutura de capital
As ações preferenciais da MicroStrategy incluem três séries principais: STRK (8%), STRF (10%) e a recém-lançada STRD (10% nominal), esta última com rendimentos efetivamente de 11.1% a 11.75%, segundo oferta atual.
A STRD é mais subordinada, com dividendos não cumulativos e não obrigatórios, o que aumenta o risco para o investidor, apesar do yield atrativo.
No total, a MicroStrategy levantou US$ 3 bilhões em ações preferenciais só em 2025, numa estratégia para manter o crescimento de sua posição de Bitcoin sem deteriorar o equity tradicional.
Resultados financeiros impulsionados por Bitcoin

Os dois primeiros trimestres de 2025 trouxeram ganhos líquidos em USD provenientes de valorização de Bitcoin da ordem de US$ 8,4 bilhões, quase metade da meta anual de US$ 15 bilhões estabelecida pela empresa.
Estes resultados são apresentados internamente como “ganhos de tesouraria”, resultado da ataque estratégico de aquisição, não de vendas de BTC.
Valor de mercado e avaliação descontada
Com aproximadamente 581.000 Bitcoins, avaliados em cerca de US$ 60 bilhões, a empresa possui valor de mercado entre US$ 106 e 107 bilhões.
Saylor argumenta que além da posse de Bitcoin, o mercado deve absolver o valor gerado por meio da estratégia, usando múltiplos de 10x, 20x, até 30‑40x sobre o ganho anual de Bitcoin como métrica.
Projeção: “Bitcoin vai a US$ 1 milhão”
“Inverno não volta”: análise estrutural de Michael Saylor
Em tom confiante, Saylor declarou:
“O inverno não vai voltar. Já passamos dessa fase. O Bitcoin não vai a zero, vai a US$ 1 milhão.”
Sua visão é baseada em suporte político, institucional e na dinâmica de escassez combinada à crescente demanda por ativos digitais.
Oferta diária limitada impulsiona preço
De acordo com Saylor, apenas 450 Bitcoins entram no mercado por dia — equivalendo a cerca de US$ 50 milhões —, o que, se comparado ao capital institucional em potencial, mostra o quanto pequenas entradas podem causar impacto significativo no preço.
Ele observa que compras graduais de ETFs, empresas ou governos podem gerar choques de preço ascendentes.
Apoio político e regulamentar ganha força
Saylor mencionou apoio do “Presidente dos Estados Unidos”, gabinete, e figuras financeiras como Scott Bessent (ex‑TCW Group) e Paul Atkins (ex‑SEC), destacando esse reconhecimento institucional como suporte à tese de valorização.
Ele citou discussões em curso sobre um Bitcoin Reserve Bill, que propõe reservas federais em BTC. Esse movimento reforçaria o reconhecimento do ativo por entes públicos.
Estratégia financeira robusta, mas com riscos
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
A companhia pretende levantar até US$ 21 bilhões até 2027 por meio de múltiplas emissões de ações preferenciais, conforme o embrião do plano “21/21”.
Até dezembro de 2024, havia cerca de US$ 20,5 bilhões emitidos, e cerca de mais US$ 11 bilhões sendo adicionados em 2025, o que dá uma visão macro da magnitude da estratégia.
Dividendos custosos e exposição ao BTC
O custo médio dessas dívidas (cumulativo, perpétuo e sem vencimento) gira em torno de 9‑10% ao ano, o que exigiria valorização contínua de Bitcoin para sustentar os pagamentos — caso contrário, existe risco de perda ou venda de BTC.
Pontos de atenção regulatórios e contábeis
A estratégia abrange risco regulatório: normas contábeis (SAB 121) exigem tratamento cauteloso de ativos digitais. Além disso, pressões da SEC devem ser monitoradas.
Outro fator: vencimento de “puts” e dívida com potencial impacto em fluxo de caixa a partir de setembro de 2027.
Visão crítica: analistas ponderam sustentabilidade
Premium nas ações e limitação da base operacional
O FT destacou que o modelo pode depender de permanente valorização do BTC para manter o prêmio sobre o valor patrimonial .
Diluição inevitável — mesmo com título preferencial
Críticas apontam que, mesmo sem ações ordinárias novas, os títulos preferenciais podem se transformar em ações comuns (STRK) ou ser fonte de pressão de dividendos — representando diluição ou risco.
Considerações finais

Michael Saylor consolidou a tese de que o “inverno do Bitcoin” ficou para trás, apostando em uma trajetória de valorização estruturada que pode levar o BTC a US$ 1 milhão. Sua visão é alicerçada em:
- Estratégia de capital via ações preferenciais perpétuas;
- Valorização de mais de US$ 8 bilhões em ganhos operacionais;
- Apoio político e institucional crescente;
- Controle de custos via falta de diluição e passivos.
No entanto, o modelo carrega riscos: juros elevados, renovação de dívidas, pressão regulatória e dependência de valorização contínua do Bitcoin.
Assim, enquanto Saylor rebate adversários como Jim Chanos, ele reforça a narrativa de um mundo financeiro que muda — com Bitcoin no centro. Se a aposta se revelar sólida, a MicroStrategy será vista como a primeira tesouraria corporativa de criptomoedas.
