À medida que o dólar norte-americano perde força nos mercados globais e as projeções econômicas se tornam cada vez mais sombrias, uma tendência se consolida no universo corporativo: empresas de diferentes setores estão reforçando suas tesourarias com Bitcoin.
Empresas dobram apostas em Bitcoin diante da queda do dólar e incertezas econômicas globais
Com a queda do dólar e o avanço da incerteza econômica, empresas globais intensificam compras de Bitcoin para reforçar suas tesourarias.
Essa movimentação estratégica, antes restrita a fundos especializados ou empresas de tecnologia, agora se espalha para setores diversos, de entretenimento à biotecnologia.
Em paralelo, o clima geopolítico incerto, as políticas pró-cripto do presidente Donald Trump e a escalada das tensões fiscais nos Estados Unidos alimentam uma percepção crescente de que o Bitcoin pode emergir como alternativa real ao dólar como reserva de valor global.
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A recente corrida institucional por Bitcoin
A semana foi marcada por anúncios significativos que reforçam o movimento de adoção institucional da principal criptomoeda do mercado. Entre os destaques:
- Strategy Inc. comunicou a compra adicional de 705 BTC, reafirmando sua posição como uma das corporações mais agressivas na acumulação da criptomoeda.
- A Norwegian Block Exchange, empresa norueguesa do setor financeiro, iniciou uma nova fase de compras de Bitcoin como parte de sua estratégia de reserva.
- A sul-coreana K Wave Media, especializada em entretenimento, anunciou um acordo com a Bitcoin Strategic Reserve KWM para vender até US$ 500 milhões em ações ordinárias. O objetivo? Converter o valor em caixa lastreado em Bitcoin.
- A Semler Scientific, empresa de tecnologia médica dos Estados Unidos, investiu mais US$ 20 milhões em Bitcoin, comprando 185 BTC entre 23 de maio e 3 de junho.
- A australiana Locate Technologies Limited entrou para a história como a primeira empresa pública da Austrália a adotar oficialmente uma política de reserva em Bitcoin, adquirindo 6,08 BTC.
- A japonesa Metaplanet, que já havia se posicionado favoravelmente ao Bitcoin, também ampliou suas reservas, em uma tendência que já não se limita aos EUA ou Japão.
“Embora alguns valores pareçam modestos, o sinal institucional é contundente: a adoção do Bitcoin em balanços corporativos já não é exclusividade americana ou japonesa”, afirmou Iñaki Apezteguia, educador do setor e cofundador da Crossing Capital.
Dados confirmam tendência: empresas detêm 3,2% de todos os bitcoins
Segundo o portal especializado BitcoinTreasuries.net, cerca de 3,4 milhões de BTC estão hoje sob controle de tesourarias institucionais. Deste total, fundos negociados em bolsa (ETFs) e empresas listadas em bolsas públicas representam os maiores detentores da moeda digital.
O Standard Chartered, em um relatório recente citado pelo Cointelegraph, aponta que pelo menos 61 empresas com ações em bolsa já detêm 3,2% do fornecimento máximo de Bitcoin — equivalente a 673.897 BTC. É uma estatística impressionante que sinaliza a transformação da criptomoeda de ativo especulativo para ativo estratégico corporativo.
O que motiva as empresas a comprar Bitcoin?

Um dos principais fatores que motiva a movimentação corporativa em direção ao Bitcoin é a fraqueza persistente do dólar norte-americano. Em 2024, o índice do dólar (DXY) — que mede o desempenho da moeda frente a uma cesta de divisas estrangeiras — acumulou queda de 9,3%.
As previsões para 2025 não são mais animadoras:
- Morgan Stanley antecipa nova queda de 9% até junho do próximo ano;
- Bank of America, Goldman Sachs e JP Morgan também projetam desvalorização contínua do dólar durante o verão de 2025.
A ameaça do endividamento e déficit fiscal dos EUA
A crise fiscal dos Estados Unidos também contribui para essa deterioração do dólar. Brian Armstrong, CEO da Coinbase, foi direto em sua análise:
“Se os eleitores americanos não pressionarem o Congresso para reduzir o déficit e pagar a dívida nacional, o Bitcoin pode acabar substituindo o dólar como moeda de reserva global.”
Com uma dívida pública superior a US$ 34 trilhões, os Estados Unidos enfrentam dificuldades crescentes para sustentar a confiança internacional em sua moeda.
Crescimento global em desaceleração
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revisou para baixo suas projeções de crescimento mundial:
- Crescimento global em 2024: 3,3%;
- Projeção para 2025 e 2026: 2,9%.
A perspectiva para os Estados Unidos é ainda mais preocupante:
- Crescimento previsto para 2024: 1,6%, uma redução de 0,6 pontos percentuais em relação à projeção anterior;
- Para 2026: apenas 1,5% de crescimento.
Nesse contexto, o Bitcoin se posiciona como uma alternativa a economias frágeis e moedas fiduciárias sob pressão.
A perspectiva pró-Bitcoin de Donald Trump e seu impacto no mercado
Donald Trump tem se posicionado favoravelmente às criptomoedas. Nesta semana, sua empresa Trump Media & Technology Group (TMTG) entrou com um pedido formal para registrar o Truth Social Bitcoin ETF, um fundo de índice baseado na principal criptomoeda do mercado. O nome do fundo faz referência à Truth Social, rede social do presidente.
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+311 mil seguidores
A iniciativa tem implicações políticas e econômicas:
- Envia um sinal de validação institucional para o Bitcoin;
- Pressiona órgãos reguladores como a SEC a flexibilizar a regulamentação sobre criptoativos;
- Incentiva ainda mais empresas a considerar o Bitcoin como ativo de reserva.
Bitcoin: o novo ouro corporativo?

Nic Puckrin, analista e fundador do The Coin Bureau, reforça a tese de que o Bitcoin está emergindo como novo “porto seguro” financeiro:
“À medida que o dólar continua se desvalorizando, veremos essa mudança acontecer cada vez mais, com investidores correndo para proteger seus ativos. O Bitcoin já se mantém acima dos US$ 100 mil por mais de 20 dias. Está rapidamente se tornando o novo refúgio seguro.”
A estabilidade do preço da criptomoeda, mesmo diante de um cenário macroeconômico desafiador, aumenta a confiança de investidores institucionais e gestores de tesouraria.
Considerações finais
O cenário atual evidencia que a adoção institucional do Bitcoin não é mais uma especulação de mercado, mas sim uma realidade consolidada com implicações de longo prazo.
Empresas dos Estados Unidos, Japão, Austrália e Coreia do Sul estão adotando o BTC como uma ferramenta de proteção contra a inflação, desvalorização cambial e incertezas macroeconômicas.
Se a tendência persistir, como sugerem os dados do BitcoinTreasuries.net, a criptomoeda poderá rivalizar com o ouro e o dólar como principais instrumentos de reserva corporativa.
O futuro: Bitcoin como reserva de valor global?

A narrativa de um Bitcoin substituindo o dólar como reserva de valor global ainda é controversa — mas já não é inverossímil.
Com suporte de figuras políticas de alto nível, pressão econômica sobre as moedas fiduciárias e uma adoção institucional crescente, o ativo digital mais famoso do mundo pode estar no limiar de uma transformação histórica.
