O governo federal, por meio do Ministério das Cidades, estima que o programa Minha Casa Minha Vida supere a meta inicial de 2 milhões de moradias contratadas até o fim do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A nova projeção indica que serão alcançadas entre 2,8 milhões e 3,1 milhões de unidades, sendo que o Planalto trabalha com a expectativa de superar os 3 milhões até dezembro de 2026.
Minha Casa, Minha Vida deve entregar 3 milhões de imóveis até 2026
Minha Casa Minha Vida deve superar 3 milhões de moradias até 2026 com reforço do FGTS, novos subsídios e faixa voltada à classe média.
O avanço do programa se deve a uma combinação de fatores: ampliação dos subsídios para entrada, redução das taxas de juros e a criação da faixa 4, que atende famílias da classe média, antes fora do alcance da política habitacional.
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Contratações já representam 80% da meta inicial

Números atualizados
Com um ano e meio de mandato restante, o governo já contratou 1,6 milhão de unidades habitacionais, o que corresponde a 80% da meta inicial. Os dados incluem moradias subsidiadas por meio do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), financiadas com recursos do FGTS e do Fundo Social do Pré-Sal, liberado pelo governo em março de 2025 para ampliar o financiamento da habitação social.
Faixa 4 abre espaço para classe média no programa
Novo público atendido
A principal inovação do programa em 2025 foi a criação da faixa 4, voltada para famílias com renda entre R$ 8.600 e R$ 12 mil. Essa faixa contempla um público que anteriormente não conseguia acesso a crédito com taxas atrativas.
Até agora, já foram firmados 2.961 contratos nesta nova faixa, totalizando R$ 800 milhões em financiamentos. Outros 10 mil processos estão em análise e 571 mil simulações foram realizadas na Caixa Econômica Federal, o que indica forte potencial de crescimento nesse segmento.
Distribuição das unidades por faixa de renda
Faixa 1 — Renda até R$ 2.850
- Unidades contratadas: 710,9 mil
- Valor total: R$ 89,6 bilhões
- Participação: 44,4% do total
Faixa 2 — Renda de R$ 2.850,01 a R$ 4.700
- Unidades contratadas: 396 mil
- Valor total: R$ 61,1 bilhões
Faixa 3 — Renda de R$ 4.700,01 a R$ 8.600
- Unidades contratadas: 427,3 mil
- Valor total: R$ 84,2 bilhões
A diversificação do atendimento por faixa de renda garante maior abrangência social ao programa, que volta a ser uma das vitrines do governo Lula.
FGTS pode liberar mais R$ 10 bilhões para atender demanda

Sinalização do conselho curador
Com o ritmo acelerado de contratações, o orçamento do FGTS destinado à habitação — já em R$ 126,8 bilhões — pode ser ampliado ainda em 2025. O conselho curador já sinalizou a liberação de mais R$ 10 bilhões para atender a demanda crescente.
Somente no primeiro semestre deste ano, foram contratados R$ 70 bilhões em novas unidades. Historicamente, o segundo semestre registra ainda mais contratações, o que pressiona por recursos adicionais.
Estados complementam subsídios e reduzem peso da entrada
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Articulação com governos locais
Além do subsídio federal, que pode chegar a R$ 55 mil, governos estaduais e prefeituras têm criado políticas complementares. Em estados como São Paulo, Paraná, Ceará e Pernambuco, o benefício adicional pode chegar a R$ 35 mil por unidade, elevando o total subsidiado para até R$ 90 mil por família.
Essas iniciativas visam eliminar uma das principais barreiras para a entrada das famílias no financiamento habitacional: a dificuldade de reunir o valor necessário para a entrada, mesmo com prestações mais baratas que o aluguel em muitos casos.
Crédito habitacional voltado à classe média será ampliado

Escassez na poupança e alternativas
A nova faixa do programa ajudou a aliviar a pressão sobre o crédito habitacional tradicional, que depende da caderneta de poupança — fonte em retração devido à saída líquida de recursos.
Para enfrentar esse desafio, o governo prepara um pacote de medidas voltado à classe média, incluindo:
- Uso mais flexível da poupança;
- Financiamentos corrigidos pela inflação;
- Ampliação da linha de crédito para reformas e melhorias.
A previsão é de que, entre 2025 e 2026, o governo destine R$ 15 bilhões para esse tipo de financiamento.
Habitação como motor de desenvolvimento e legado político
A retomada e ampliação do Minha Casa Minha Vida colocam a política habitacional no centro da estratégia de desenvolvimento econômico e inclusão social do governo Lula. Para o vice-presidente de Habitação de Interesse Social da CBIC, Clausens Duarte, as mudanças feitas desde 2023 foram decisivas para derrubar barreiras de acesso.
Com subsídios robustos, juros reduzidos e novas fontes de financiamento, o programa volta a ganhar tração como uma das principais marcas da gestão petista. O anúncio de novas medidas estruturantes previsto para os próximos meses deve consolidar esse papel.
