O ministro Luís Roberto Barroso, de 67 anos, anunciou nesta quinta-feira (9) sua aposentadoria do Supremo Tribunal Federal (STF). Indicado pela ex-presidente Dilma Rousseff em 2013, Barroso poderia permanecer na Corte até 2033, quando completaria 75 anos, idade-limite para magistrados. A decisão, segundo ele, foi motivada por um desejo pessoal de encerrar o ciclo na magistratura e seguir “outros rumos”.
Ministro Luís Roberto Barroso oficializa aposentadoria do Supremo Tribunal Federal
O ministro Luís Roberto Barroso anunciou sua aposentadoria do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (9). Saiba mais!
Discurso emocionado de despedida

O anúncio foi feito ao fim da sessão plenária do STF. Em um discurso emocionado, Barroso agradeceu aos colegas e destacou o peso da função exercida ao longo de mais de uma década na Suprema Corte.
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Durante a fala, Barroso foi aplaudido pelos ministros e servidores presentes. Ele reforçou que a decisão foi amadurecida nos últimos meses, após concluir o mandato na presidência da Corte.
Legado e trajetória no Supremo
Indicação e primeiros anos
Luís Roberto Barroso foi empossado no STF em 26 de junho de 2013, após ser indicado por Dilma Rousseff para ocupar a vaga deixada por Ayres Britto. Desde o início, destacou-se pela defesa de pautas ligadas aos direitos fundamentais, à liberdade de expressão e à transparência pública.
Ao longo de 12 anos, participou de julgamentos que marcaram o cenário jurídico e político brasileiro. Entre os casos de maior destaque estão as decisões sobre união estável homoafetiva, aborto de fetos anencéfalos, descriminalização do porte de maconha para uso pessoal e o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.
Presidência do STF
Barroso assumiu a presidência do Supremo em setembro de 2023, sucedendo a ministra Rosa Weber. Em sua gestão, priorizou temas como combate à desinformação, defesa da democracia e modernização do Judiciário.
Durante o período, conduziu julgamentos delicados relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023, quando sedes dos Três Poderes foram invadidas em Brasília.
Apesar de defender punições rigorosas, reconheceu recentemente que “as penas ficaram elevadas” e afirmou que revisões são legítimas dentro do devido processo legal.
“Saber a hora de sair”
Em um evento jurídico na Bahia, poucos dias antes do anúncio, Barroso já havia sinalizado que poderia deixar a Corte. “É preciso saber a hora de sair”, disse ele durante um seminário, antecipando o tom de sua despedida.
O ministro afirmou que pretende dedicar o período pós-aposentadoria a um retiro espiritual e a atividades acadêmicas, áreas nas quais sempre manteve envolvimento ativo.
Formação e carreira acadêmica
Origem e estudos
Nascido em Vassouras (RJ), Luís Roberto Barroso construiu uma carreira sólida no meio jurídico e acadêmico. É doutor em Direito Público pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), onde também é professor titular de Direito Constitucional.
O ministro possui mestrado na Universidade de Yale e pós-doutorado na Universidade de Harvard, ambas nos Estados Unidos. Além disso, foi professor visitante na Universidade de Brasília (UnB) e em outras instituições internacionais.
Atuação antes do STF
Antes de chegar ao Supremo, Barroso foi advogado constitucionalista de renome, tendo atuado em causas emblemáticas, como a defesa da interrupção da gravidez de fetos anencéfalos e a constitucionalidade da pesquisa com células-tronco embrionárias.
Sua reputação como jurista progressista e defensor de direitos humanos foi um dos motivos que o levaram à nomeação para o STF.
O impacto político da aposentadoria
Terceira indicação de Lula
Com a saída de Barroso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá a oportunidade de indicar um terceiro ministro ao STF em seu atual mandato.
Em 2023, Lula já havia escolhido Cristiano Zanin e Flávio Dino para compor o Supremo. A nova indicação pode alterar novamente o equilíbrio ideológico da Corte, que tem se dividido em temas sensíveis como direitos civis, economia e política criminal.
Expectativas sobre o sucessor
Fontes do governo indicam que o Palácio do Planalto deve priorizar um perfil técnico e de confiança política, com histórico jurídico consolidado. O nome será sabatinado pelo Senado Federal, conforme prevê a Constituição.
Especialistas avaliam que Lula tende a buscar um ministro com viés progressista, alinhado a pautas sociais e de defesa institucional.
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A passagem de Barroso pela presidência

Defesa da democracia
Durante sua presidência, Barroso se destacou pela firme defesa do processo democrático e do sistema eleitoral brasileiro. Ele foi um dos principais articuladores do enfrentamento às fake news e da modernização da comunicação do STF.
Barroso também se posicionou contra ataques às instituições, ressaltando o papel da Suprema Corte como guardiã da Constituição.
Modernização do Judiciário
Sob sua gestão, o STF implementou medidas de digitalização de processos e de transparência nas decisões, além de promover maior integração com a sociedade civil.
Ele defendeu publicamente o fortalecimento da confiança no Poder Judiciário e a necessidade de aproximar o Supremo dos cidadãos.
FAQ – Perguntas frequentes
1. Quando Luís Roberto Barroso deixará oficialmente o STF?
O ministro deve se aposentar oficialmente até o fim do ano, após o período de transição administrativa.
2. Quem indicará o substituto de Barroso?
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva será responsável pela indicação, que precisará ser aprovada pelo Senado Federal.
3. Quantos ministros Lula já indicou ao STF?
Com a saída de Barroso, Lula fará sua terceira indicação no atual mandato.
4. Por que Barroso decidiu se aposentar antes da idade-limite?
Segundo o próprio ministro, a decisão foi motivada por razões pessoais e pelo desejo de viver novas experiências fora do cargo.
5. Qual foi o principal legado de Barroso no Supremo?
Entre seus legados estão a defesa da democracia, a modernização do STF e a consolidação de pautas de direitos fundamentais.
Considerações finais
A aposentadoria de Luís Roberto Barroso marca o fim de um ciclo importante no Supremo Tribunal Federal. Professor, jurista e ex-presidente da Corte, ele deixa um legado de defesa da Constituição e da democracia. Sua saída abre espaço para mais uma indicação do presidente Lula, em um momento decisivo para o futuro do Judiciário e da política brasileira.
