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Motoristas de Uber e 99 podem entrar em programa de financiamento; veja critérios

Novo programa Move Aplicativos promete financiamento com juros reduzidos para motoristas de Uber, 99 e taxistas.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto6 min de leitura
Motoristas de Uber e 99 podem entrar em programa de financiamento; veja critérios

Após anunciar medidas voltadas ao consumo e à renegociação de dívidas, o Governo Federal agora direciona atenção para uma categoria estratégica: os motoristas de aplicativos. A nova iniciativa, batizada de Move Aplicativos, pretende facilitar o acesso ao financiamento de veículos, manutenção automotiva e capital de giro para profissionais que trabalham em plataformas como Uber e 99.

O lançamento oficial ocorre em São Paulo com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos. O programa também deve beneficiar taxistas, ampliando o alcance da política pública para profissionais do transporte urbano.

A proposta surge em um momento em que o custo operacional dos motoristas segue elevado, especialmente por causa do aluguel de veículos, combustível, manutenção e taxas cobradas por plataformas digitais.

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O que é o Move Aplicativos

O Move Aplicativos é um programa de crédito voltado à renovação e aquisição de veículos usados por motoristas profissionais. A expectativa é movimentar até R$ 30 bilhões em financiamentos.

Segundo integrantes do governo, o objetivo principal é diminuir a dependência de locadoras, já que muitos motoristas trabalham atualmente com carros alugados e comprometem parte significativa da renda mensal com contratos de locação.

A iniciativa segue uma lógica semelhante à do programa Move Brasil, lançado anteriormente para caminhoneiros e empresas de transporte rodoviário, com foco na renovação de frota.

Como deve funcionar o financiamento

As regras preliminares divulgadas pelo governo indicam condições consideradas mais acessíveis em comparação com linhas tradicionais de crédito automotivo.

Entre os pontos previstos estão:

Financiamento de veículos de até R$ 150 mil

Os motoristas poderão financiar carros novos ou seminovos dentro desse teto de valor. A intenção é permitir acesso tanto a modelos populares quanto a veículos mais modernos e econômicos, incluindo híbridos.

Prazo de até 72 meses

O parcelamento poderá chegar a seis anos, reduzindo o valor das prestações mensais e aumentando o alcance do programa para trabalhadores com renda variável.

Juros a partir de 0,99% ao mês

A taxa divulgada inicialmente é inferior à média praticada no mercado de financiamento automotivo, que frequentemente ultrapassa 1,5% ao mês em contratos tradicionais para pessoa física.

Exigência mínima de corridas

Para participar, o profissional deverá comprovar pelo menos 100 corridas realizadas nos últimos 12 meses. A regra busca restringir o benefício a motoristas efetivamente ativos nas plataformas.

Quem poderá participar

Além de motoristas cadastrados em aplicativos, taxistas também devem ter acesso às condições especiais de crédito.

Ainda não foram detalhados todos os critérios operacionais, mas a expectativa é que bancos públicos e instituições financeiras parceiras atuem na concessão dos financiamentos.

Há expectativa de participação de instituições como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, embora o governo ainda deva divulgar oficialmente os agentes financeiros envolvidos.

Impacto pode atingir milhões de trabalhadores

O mercado de mobilidade por aplicativos cresceu fortemente no Brasil nos últimos anos. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que milhões de brasileiros dependem parcial ou integralmente de plataformas digitais para gerar renda.

Em grandes capitais, muitos motoristas trabalham mais de 10 horas por dia para equilibrar custos com combustível, manutenção, aluguel do veículo e taxas das plataformas.

Nesse cenário, reduzir o gasto com locação pode representar aumento relevante na renda líquida mensal.

Exemplo prático

Um motorista que paga atualmente R$ 2.500 mensais pelo aluguel de um carro pode trocar essa despesa por uma parcela de financiamento menor, dependendo do modelo escolhido e da entrada oferecida.

Na prática, isso pode permitir:

  • formação de patrimônio;
  • maior previsibilidade financeira;
  • redução de custos no longo prazo;
  • possibilidade de revenda futura do veículo.

Governo tenta aproximação com categoria estratégica

Motoristas de aplicativo se tornaram um grupo politicamente relevante no Brasil. O segmento reúne milhões de trabalhadores autônomos espalhados por todas as regiões do país.

Nos últimos anos, diferentes governos tentaram construir pontes com a categoria, principalmente por causa do impacto eleitoral e da forte presença nas redes sociais.

A relação, porém, nunca foi simples.

Debate sobre direitos trabalhistas ainda gera resistência

O governo já havia discutido propostas para regulamentar o trabalho em aplicativos, incluindo direitos previdenciários e garantias mínimas.

Parte dos motoristas, no entanto, demonstrou resistência à ideia de vínculo empregatício formal. Muitos profissionais preferem manter flexibilidade de horários e autonomia sobre jornadas de trabalho.

Essa divisão interna dificultou avanços nas negociações envolvendo plataformas, sindicatos e governo federal.

Agora, a estratégia parece focar menos em mudanças trabalhistas e mais em benefícios econômicos diretos, como crédito facilitado e redução de custos operacionais.

Setor automotivo também pode ser beneficiado

Além do impacto sobre motoristas, o programa pode movimentar concessionárias, bancos e montadoras.

Com mais acesso ao crédito, a tendência é aumento na procura por veículos compactos, econômicos e híbridos — modelos bastante utilizados em aplicativos de transporte.

Montadoras instaladas no Brasil acompanham com atenção iniciativas desse tipo, especialmente em um momento de desaceleração parcial nas vendas para pessoa física.

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Combustível ainda preocupa motoristas

Embora o financiamento possa aliviar parte das despesas, o custo dos combustíveis continua sendo um dos maiores desafios da categoria.

Recentemente, o governo também anunciou medidas para reduzir impactos da alta da gasolina e do diesel, tentando conter pressões inflacionárias e minimizar efeitos no orçamento dos trabalhadores do transporte.

Para motoristas de aplicativo, qualquer oscilação no preço dos combustíveis interfere diretamente no lucro diário.

Programa pode influenciar cenário político

Nos bastidores políticos, a avaliação é que conquistar maior apoio ou neutralidade da categoria pode trazer vantagens estratégicas ao governo nos próximos anos.

Motoristas de aplicativo formam um grupo altamente conectado digitalmente e com grande capacidade de mobilização online. Além disso, muitos trabalhadores atuam como microempreendedores individuais e acompanham de perto temas ligados à economia, crédito e custo de vida.

Por isso, medidas que impactem diretamente o bolso da categoria tendem a ganhar repercussão rápida.

O que ainda falta ser definido

Apesar do anúncio oficial, alguns detalhes ainda dependem de regulamentação:

Bancos participantes

O governo ainda deve confirmar quais instituições operarão a linha de crédito.

Critérios de aprovação

Não foram divulgadas regras completas sobre análise de crédito, exigência de entrada ou restrições para negativados.

Data de início

O calendário oficial para contratação dos financiamentos ainda será anunciado.

Tipos de veículos aceitos

Também falta detalhar se haverá prioridade para carros elétricos, híbridos ou modelos com menor emissão de poluentes.

Expectativa do mercado é de alta procura

Especialistas do setor avaliam que o programa pode gerar forte demanda inicial, principalmente entre motoristas que hoje dependem de locadoras.

Se as condições prometidas forem mantidas, o Move Aplicativos poderá se tornar uma das maiores iniciativas de crédito voltadas ao transporte urbano individual no Brasil nos últimos anos.

A adesão, porém, dependerá de fatores como aprovação bancária, burocracia reduzida e manutenção das taxas de juros em níveis competitivos.

Imagem: Edição/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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