Um levantamento realizado pelo Datafolha, divulgado nesta segunda-feira (22), mostrou que os motoristas e entregadores de aplicativo não querem ser CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). A pesquisa “Futuro do Trabalho por Aplicativo” feita para a Uber e o iFood, identificou que três em cada quatro motoristas preferem trabalhar como autônomos, utilizando as plataformas para chegar até os clientes.
Os dados identificaram que a escolha se mantém, ainda que saibam que terão acesso aos benefícios trabalhistas garantidos pelo regime CLT. Veja mais detalhes da pesquisa e entenda como funciona o trabalho dos entregadores e motoristas de aplicativo.
Trabalhadores veem CLT como ameaça à autonomia e flexibilidade
A pesquisa mostrou que os trabalhadores veem a CLT como uma ameaça à autonomia e flexibilidade que a atuação por aplicativos lhes oferece. Dessa forma, 75% dos trabalhadores preferem continuar da maneira que estão. Somente 14% dos entrevistados disseram preferir um emprego no regime CLT para ter acesso aos benefícios que a lei garante.
A pesquisa ouviu 1.800 motoristas e 1 mil entregadores da Uber e do iFood entre os dias 17 de janeiro e 10 de março de 2023. 51% desses entrevistados têm nos aplicativos a única fonte de renda, enquanto 49% tem outros rendimentos.
Entre os principais motivos que os fazem escolher o modelo de trabalho estão:
- Flexibilidade e autonomia para definir quando e onde trabalhar;
- Ganhar dinheiro para realizar projetos pessoais ou de familiares;
- Necessidade de ganhar uma renda extra;
- Porque a inflação está aumentando o custo dos bens e serviços;
- Para ganhar dinheiro sem ter um chefe/gerente;
- Para ganhar dinheiro enquanto procura trabalho em tempo integral;
- Para ajudar a manter uma renda regular porque outras fontes de renda são instáveis ou imprevisíveis.
Como funciona o trabalho dos entregadores e motoristas de aplicativo?
O trabalho de motoristas e entregadores de aplicativos contrasta com empregos formais sob a CLT no Brasil. Enquanto os trabalhadores de aplicativos operam como autônomos, com flexibilidade para escolher quando e quanto trabalhar, eles não desfrutam dos mesmos direitos e benefícios garantidos aos trabalhadores CLT, como salário mínimo, férias remuneradas, décimo terceiro salário, FGTS e licenças remuneradas.
Além disso, os trabalhadores de aplicativos também são responsáveis por todos os custos operacionais relacionados à manutenção do veículo, combustível e seguro. Eles também são responsáveis pela contribuição total ao INSS, se desejarem acesso a benefícios previdenciários. No regime CLT, esses custos e contribuições são compartilhados ou cobertos pelo empregador.
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