Um levantamento realizado pelo Datafolha, divulgado nesta segunda-feira (22), mostrou que os motoristas e entregadores de aplicativo não querem ser CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). A pesquisa “Futuro do Trabalho por Aplicativo” feita para a Uber e o iFood, identificou que três em cada quatro motoristas preferem trabalhar como autônomos, utilizando as plataformas para chegar até os clientes.
Motoristas de aplicativo não querem ser CLT, aponta pesquisa
De acordo com a pesquisa, 75% dos motoristas e entregadores de aplicativo preferem não atuar como CLT. Entenda os motivos
Os dados identificaram que a escolha se mantém, ainda que saibam que terão acesso aos benefícios trabalhistas garantidos pelo regime CLT. Veja mais detalhes da pesquisa e entenda como funciona o trabalho dos entregadores e motoristas de aplicativo.
Trabalhadores veem CLT como ameaça à autonomia e flexibilidade
A pesquisa mostrou que os trabalhadores veem a CLT como uma ameaça à autonomia e flexibilidade que a atuação por aplicativos lhes oferece. Dessa forma, 75% dos trabalhadores preferem continuar da maneira que estão. Somente 14% dos entrevistados disseram preferir um emprego no regime CLT para ter acesso aos benefícios que a lei garante.
A pesquisa ouviu 1.800 motoristas e 1 mil entregadores da Uber e do iFood entre os dias 17 de janeiro e 10 de março de 2023. 51% desses entrevistados têm nos aplicativos a única fonte de renda, enquanto 49% tem outros rendimentos.
Entre os principais motivos que os fazem escolher o modelo de trabalho estão:
- Flexibilidade e autonomia para definir quando e onde trabalhar;
- Ganhar dinheiro para realizar projetos pessoais ou de familiares;
- Necessidade de ganhar uma renda extra;
- Porque a inflação está aumentando o custo dos bens e serviços;
- Para ganhar dinheiro sem ter um chefe/gerente;
- Para ganhar dinheiro enquanto procura trabalho em tempo integral;
- Para ajudar a manter uma renda regular porque outras fontes de renda são instáveis ou imprevisíveis.
Como funciona o trabalho dos entregadores e motoristas de aplicativo?
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O trabalho de motoristas e entregadores de aplicativos contrasta com empregos formais sob a CLT no Brasil. Enquanto os trabalhadores de aplicativos operam como autônomos, com flexibilidade para escolher quando e quanto trabalhar, eles não desfrutam dos mesmos direitos e benefícios garantidos aos trabalhadores CLT, como salário mínimo, férias remuneradas, décimo terceiro salário, FGTS e licenças remuneradas.
Além disso, os trabalhadores de aplicativos também são responsáveis por todos os custos operacionais relacionados à manutenção do veículo, combustível e seguro. Eles também são responsáveis pela contribuição total ao INSS, se desejarem acesso a benefícios previdenciários. No regime CLT, esses custos e contribuições são compartilhados ou cobertos pelo empregador.
Imagem: WESTOCK PRODUCTIONS/ Shutterstock.com
