A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira (9) o uso do medicamento Mounjaro, cujo princípio ativo é a tirzepatida, para o tratamento da obesidade e do sobrepeso com comorbidades. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União e representa um marco para o tratamento do excesso de peso no país.
Anvisa libera uso do Mounjaro para obesidade; entenda os benefícios
Anvisa aprova o uso do Mounjaro (tirzepatida) para tratamento da obesidade. Medicamento já era usado contra diabetes tipo 2.
Antes da aprovação, o Mounjaro estava autorizado apenas para o tratamento do diabetes tipo 2. Seu uso para controle de peso era considerado off label — ou seja, não indicado oficialmente na bula, embora prescrito por médicos em casos específicos.
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O que é o Mounjaro e como ele atua

Desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly, o Mounjaro é um medicamento injetável de aplicação semanal que combina a ação de dois hormônios intestinais: o GLP-1 (semelhante ao presente na semaglutida, do Ozempic e Wegovy) e o GIP. Essa combinação atua no cérebro e no sistema digestivo, promovendo maior saciedade, controle do apetite e melhora no metabolismo da glicose.
Estudos clínicos apontam que pacientes tratados com tirzepatida podem perder entre 15% e 22% do peso corporal, resultado considerado significativo frente a outras opções medicamentosas para obesidade.
Indicação oficial do medicamento
Com a nova regulamentação da Anvisa, o Mounjaro poderá ser prescrito no Brasil como parte de um tratamento integrado contra a obesidade. O uso será indicado nos seguintes casos:
- Adultos com IMC (índice de massa corporal) igual ou superior a 30, diagnosticados com obesidade;
- Adultos com IMC igual ou superior a 27, com presença de comorbidades associadas ao peso, como:
- hipertensão arterial;
- colesterol alto;
- apneia do sono;
- pré-diabetes ou diabetes tipo 2.
Em todos os casos, o uso do Mounjaro deve ser acompanhado por uma dieta hipocalórica e atividade física regular, seguindo orientação médica individualizada.
Diferença entre Mounjaro, Ozempic e Wegovy
Embora todos esses medicamentos pertençam à classe dos agonistas do receptor de GLP-1, o Mounjaro apresenta um mecanismo duplo de ação (GLP-1 + GIP), o que, segundo estudos, pode potencializar a perda de peso e o controle metabólico.
- Ozempic: aprovado para diabetes tipo 2, utilizado off label para emagrecimento;
- Wegovy: versão da semaglutida com dose mais alta, aprovada para obesidade;
- Mounjaro: agora oficialmente aprovado no Brasil para obesidade e sobrepeso com comorbidades.
Essa diferenciação pode influenciar tanto na eficácia quanto nos efeitos colaterais e no custo de cada opção.
Efeitos colaterais e precauções
Assim como outros medicamentos da mesma classe, o Mounjaro pode provocar efeitos colaterais, especialmente gastrointestinais. Os mais comuns incluem:
- náuseas;
- vômitos;
- diarreia;
- constipação;
- dor abdominal.
Em alguns casos, podem ocorrer hipoglicemia (em combinação com outros medicamentos para diabetes) e alterações no apetite. A tirzepatida não é recomendada para gestantes, lactantes ou pacientes com histórico de pancreatite.
O que muda com a aprovação da Anvisa

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A liberação do uso da tirzepatida para obesidade no Brasil representa um avanço na ampliação das opções terapêuticas contra o sobrepeso, condição que atinge mais da metade da população brasileira, segundo o Ministério da Saúde.
Com a aprovação oficial, espera-se maior acesso ao medicamento, inclusão em protocolos de planos de saúde e, eventualmente, sua análise para possível incorporação no SUS (Sistema Único de Saúde).
Além disso, a regulação permite um uso mais seguro e embasado cientificamente, com prescrição adequada e monitoramento médico constante.
Especialistas destacam importância do acompanhamento
Endocrinologistas e nutrólogos ressaltam que o uso do Mounjaro não substitui mudanças de estilo de vida. A perda de peso sustentada depende da adesão a uma alimentação saudável, prática de exercícios e acompanhamento multidisciplinar.
“O Mounjaro é uma ferramenta poderosa, mas não faz milagre. É preciso entender que obesidade é uma doença crônica e multifatorial”, afirma a endocrinologista Marina Telles, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).
Perspectivas para o futuro
Com a crescente demanda por tratamentos eficazes contra a obesidade, o mercado farmacêutico tem investido em novas moléculas e combinações terapêuticas. A aprovação da tirzepatida reforça esse movimento global, que busca combater uma das epidemias de saúde mais preocupantes do século XXI.
Estudos em andamento ainda avaliam os efeitos do Mounjaro em longo prazo, seus impactos cardiovasculares e possíveis indicações em outras condições associadas ao metabolismo.
