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Medida Provisória impõe tributação mínima de 15% em lucro de multinacionais

O governo brasileiro publica Medida Provisória que estabelece tributação mínima de 15% sobre o lucro de multinacionais. Confira!

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
Tela azul mostrando gráfico de linhas colorido

Em uma tentativa de aumentar a arrecadação e ajustar a legislação tributária, o governo brasileiro anunciou, na última quinta-feira (3), a edição de uma nova Medida Provisória (MP) que impõe uma tributação mínima de 15% sobre o lucro das empresas multinacionais que operam em território nacional.

Com a previsão de entrada em vigor em janeiro de 2025, a medida busca alinhar o Brasil a uma norma global estabelecida pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Contexto da Medida Provisória

tributação
imagem: Dilok Klaisataporn / shutterstock.com

A decisão do governo brasileiro de editar a MP ocorre em um contexto de busca por fontes adicionais de arrecadação fiscal, especialmente em um cenário econômico que requer um equilíbrio nas contas públicas. A proposta segue um acordo internacional assinado por mais de 140 países, que visa combater a elisão fiscal e garantir que grandes empresas contribuam de maneira justa para o financiamento dos serviços públicos.

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A OCDE, frequentemente chamada de “clube dos países ricos”, tem promovido esforços para estabelecer uma tributação mínima global, visando desestimular práticas fiscais agressivas que permitem a grandes corporações transferirem lucros para jurisdições com impostos mais baixos. Embora o Brasil não seja um membro formal da OCDE, a adoção dessas normas pode posicionar o país em uma posição mais competitiva no cenário internacional.

Detalhes da Nova Tributação

A nova tributação será aplicada a multinacionais com um faturamento anual superior a € 750 milhões. Essa faixa de faturamento é representativa de grandes grupos empresariais, e a expectativa do governo é que a arrecadação gerada pela nova medida alcance entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões por ano. Contudo, o Ministério da Fazenda ainda não divulgou números oficiais sobre a arrecadação prevista.

Impacto Financeiro

Para ilustrar o impacto dessa medida, é importante considerar a aplicação da taxa de 15% no cenário atual. Um estudo realizado pelo Observatório de Tributação da União Europeia sugere que, se essa taxa tivesse sido aplicada em 2021, o Brasil teria arrecadado aproximadamente € 900 milhões, equivalentes a R$ 5,57 bilhões, ao longo daquele ano. Essa quantia poderia representar um aporte significativo aos cofres públicos, especialmente em tempos de necessidade fiscal.

Objetivos da Medida

A MP visa vários objetivos estratégicos:

  1. Combate à Evasão Fiscal: A nova legislação pretende reduzir a prática de elisão fiscal, onde multinacionais utilizam estratégias complexas para minimizar suas obrigações tributárias, muitas vezes à custa da receita dos países onde operam.
  2. Aumento da Arrecadação: O governo espera que a implementação do imposto gere recursos adicionais que poderão ser direcionados para áreas essenciais, como saúde, educação e infraestrutura.
  3. Alinhamento com Normas Internacionais: Ao seguir a tendência global de tributação mínima, o Brasil busca harmonizar sua política fiscal com os padrões internacionais, favorecendo um ambiente de negócios mais justo e previsível.

Reações ao Anúncio

A medida já gerou reações variadas entre os setores econômico e político. Alguns analistas destacam que a tributação mínima é um passo positivo na luta contra a desigualdade fiscal, enquanto outros levantam preocupações sobre o impacto que isso poderá ter no investimento estrangeiro no Brasil.

Setores Favoráveis

Empresários e economistas que apoiam a medida argumentam que a tributação justa é essencial para a sustentabilidade do sistema fiscal brasileiro. Eles afirmam que a MP pode incentivar uma competição mais saudável entre empresas, desestimulando a transferência de lucros para paraísos fiscais.

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Críticas e Preocupações

Por outro lado, críticos alertam que a imposição de uma taxa elevada pode desincentivar investimentos em um país que já enfrenta desafios econômicos. Há temores de que isso possa levar a uma diminuição no interesse de multinacionais em estabelecer ou expandir suas operações no Brasil.

Comparações com Outros Países

Melhores países
Imagem: Kbuconi/ shutterstock.com

O movimento do Brasil se alinha com as iniciativas de países que já implementaram taxas semelhantes. Na União Europeia, diversas nações estão adotando estratégias de tributação mínima visando garantir uma arrecadação mais equitativa entre os Estados membros. Essas comparações podem ajudar a moldar as expectativas e a percepção da medida dentro e fora do Brasil.

Considerações finais

A nova Medida Provisória que estabelece uma tributação mínima de 15% sobre o lucro das multinacionais representa uma tentativa significativa do governo brasileiro de ajustar sua legislação tributária consoante acordos internacionais e aumentar sua arrecadação fiscal. Com a previsão de entrada em vigor em janeiro de 2025, a medida será um tema central de debate nos próximos meses, à medida que o governo visa implementar essa política em um ambiente econômico desafiador.

A eficácia da MP dependerá de sua aceitação tanto pelo setor empresarial quanto pela sociedade, além de sua capacidade de efetivamente contribuir para o equilíbrio fiscal do país. O cenário a partir de 2025 poderá revelar se essa estratégia se traduzirá em benefícios reais para o Brasil ou se, ao contrário, se tornará um entrave ao desenvolvimento econômico desejado.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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