Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) chamou a atenção recentemente por conta de uma estatística.
Notícia está deixando motoristas de Uber revoltados com o app; confira
Um estudo divulgado recentemente por uma organização que pesquisa os aplicativos está causando polêmica. Entenda.
A organização é responsável por reunir os principais aplicativos do país (99, iFood, Uber, etc.) ao Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), entidade especializada em pesquisas e políticas públicas.
No levantamento, divulgado em abril, a Amobitec apontou que motoristas de aplicativo estariam ganhando em média, até R$ 4.756 por mês, enquanto entregadores teriam renda média mensal de até R$ 3.039. Na ocasião, o estudo chamou atenção pois os valores revelados ficaram bem acima do salário mínimo.
Pesquisa da UFRJ discordou
O trabalho da Associação, entretanto, foi posto em cheque na última semana. Na segunda-feira passada (15), motoristas de aplicativo realizaram uma paralisação, reivindicando o aumento do valor das corridas nas plataformas.
Diante desse cenário, alguns pesquisadores da pós-graduação de Direito da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) divulgaram uma “nota técnica” que contradisse o estudo da Amobitec. No documento, os acadêmicos se referiram a “graves inconsistências metodológicas”.
Diferença considerável
A contestação do levantamento da Amobitec partiu do grupo “Trab21” (Direito do Trabalho no Século XXI). Na nota divulgada pelos pesquisadores, os rendimentos médios indicados para os trabalhadores terceirizados foi bem menor.
De acordo com o Trab21, os motoristas de aplicativo ganham, na verdade, entre R$ 1.072 e R$ 1.672 por mês. Enquanto isso, os entregadores recebem entre R$ 480 e R$ 816.
Divergência metodológica
Segundo a nota emitida pelos acadêmicos da UFRJ, os dados utilizados pela Amobitec não levaram em consideração uma jornada de 40 horas semanais e sim, uma jornada de 40 horas “efetivamente gastas” em corridas.
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Isso quer dizer que, para atingir 40 horas de corridas, os motoristas precisariam ficar conectados com as plataformas por muito mais tempo. De acordo com o Trab21, esse princípio é chamado de “tempo à disposição” e se relaciona com os intervalos entre uma corrida e outra pelos quais o trabalhador não recebe nada.
Posicionamento da Amobitec
A Associação se manifestou através de um comunicado, em que afirmou que o Trab21 “não compreendeu” a metodologia utilizada. A entidade afirmou que “para sustentar a afirmação de que a pesquisa revelaria remuneração abaixo do salário mínimo, foi multiplicado um valor de horas médias para se chegar em um cálculo mensal”, apontando que isso configura um erro estatístico.
A organização ainda argumentou que, apesar dos intervalos em corridas, o seu estudo ainda aponta ganhos de R$ 12 por hora para motoristas e R$ 10 por hora para entregadores. Esses indicadores ainda estariam acima do salário mínimo, que pressupõe R$ 7,27 por hora.
Imagem: Proxima Studio / shutterstock.com
