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Nova reforma pode derrubar viagens de avião em 30%

Reforma tributária no Brasil pode aumentar imposto em 26,5%, encarecendo passagens e reduzindo em 30% a demanda por viagens aéreas.

Bianca BorgesPor Bianca Borges5 min de leitura
A imagem mostra um avião no céu em voo aviação

A aviação brasileira enfrenta um novo desafio que pode agravar ainda mais a crise do setor aéreo: a proposta de reforma tributária que prevê a criação do IVA (Imposto sobre Valor Agregado) com alíquota projetada em 26,5% para as passagens aéreas.

Segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), essa mudança poderá reduzir em até 30% a demanda por viagens aéreas no país, devido ao aumento significativo do custo dos bilhetes.

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Aumento dos impostos e impacto no preço das passagens

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Imagem: sumroeng chinnapan / shutterstock.com

IVA e o encarecimento das tarifas

O IVA, imposto que está em discussão no Congresso Nacional como parte da reforma tributária, incidirá diretamente sobre o setor de transporte aéreo, elevando a carga tributária sobre as passagens.

Atualmente, o preço médio de uma passagem doméstica gira em torno de US$ 130 (cerca de R$ 743). Com a aplicação do IVA de 26,5%, a Iata projeta que esse valor suba para US$ 160 (aproximadamente R$ 914).

Repercussão nos voos internacionais

Para os bilhetes internacionais, o cenário também é preocupante. O custo médio deve saltar de US$ 740 (R$ 4.230) para US$ 935 (R$ 5.345), aumentando ainda mais as barreiras para a conectividade e o turismo.

Consequências da alta tributação para o setor aéreo brasileiro

Redução da demanda por passagens

O aumento no preço das passagens provavelmente provocará uma retração expressiva no número de passageiros. Segundo Peter Cerdá, vice-presidente regional da Iata para as Américas, a queda na demanda pode chegar a 30%.

Para ele, a medida representa um “desastre para toda a indústria”, afetando não apenas as companhias aéreas brasileiras, mas também as internacionais que operam no país.

Impacto na conectividade e no turismo

A diminuição da demanda poderá enfraquecer a conectividade aérea nacional, prejudicando o fluxo de turistas e negócios, e freando o crescimento econômico regional.

O Brasil, apesar de seu tamanho continental, apresenta uma taxa baixa de viagens por habitante — cerca de 0,62 viagens aéreas por ano — número que especialistas acreditam deveria superar uma viagem anual por pessoa.

O ambiente regulatório brasileiro e seus desafios

Alta litigância contra companhias aéreas

O ambiente regulatório no Brasil também é motivo de preocupação para a Iata.

Um levantamento da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) indica que 98,5% das ações judiciais contra companhias aéreas no mundo ocorrem no Brasil, um cenário que dificulta investimentos e inovações no setor.

Tributação elevada sobre o combustível

Além do IVA, o setor ainda convive com impostos como o ICMS que incide sobre o querosene de aviação, encarecendo os custos operacionais das empresas. Esses custos altos, em um mercado já afetado pela volatilidade cambial e pela pandemia, tornam o setor ainda mais vulnerável.

A retomada da aviação na América Latina e o momento delicado do Brasil

Crescimento recente do setor

Apesar dos desafios, a aviação na América Latina apresentou sinais positivos nos últimos meses.

Em abril de 2025, o RPK (tráfego pago em passageiros por quilômetro) cresceu 10,9% em relação ao mesmo período do ano anterior e 16,2% em comparação a abril de 2019, antes da pandemia, superando a média global de 8%.

A crise brasileira em contraste

No entanto, o Brasil corre o risco de ficar para trás devido às dificuldades internas. A recente recuperação judicial da Azul e as dificuldades enfrentadas pela Gol e Latam mostram que o setor brasileiro não conseguiu se recuperar totalmente das perdas, e a reforma tributária pode aprofundar essa crise.

Reações e posicionamentos da Iata

Pedido de diálogo com o governo brasileiro

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Durante a conferência anual da Iata em Nova Délhi, Peter Cerdá destacou o desejo de colaboração da entidade com o governo do presidente Lula, mas enfatizou que o ambiente fiscal e regulatório atual é um obstáculo para o crescimento do setor aéreo e do turismo no país.

Potencial do mercado brasileiro

O CEO da Latam, Jerome Cadier, ressaltou o potencial do Brasil, destacando que o país tem um mercado ainda em expansão e que o setor aéreo pode liderar soluções mais sustentáveis para a indústria.

A escolha do Rio de Janeiro como sede do evento anual da Iata em 2026 reforça essa importância estratégica.

O futuro da aviação no Brasil diante da reforma tributária

Viagens
Imagem: Freepik

Possíveis consequências da queda de demanda

Uma redução de até 30% no número de passageiros pode afetar diretamente a receita das companhias aéreas, pressionando ainda mais as margens já apertadas do setor.

Isso poderá levar a cortes de rotas, diminuição da frequência de voos e até a saída de empresas do mercado, prejudicando a diversidade e competitividade.

A necessidade de políticas públicas eficazes

Especialistas defendem que, para que o setor supere essa crise, é fundamental a criação de políticas públicas que promovam a redução da carga tributária, a simplificação dos processos regulatórios e o estímulo à concorrência, incluindo o incentivo às companhias aéreas de baixo custo (low cost).

Reforma tributária e o equilíbrio entre receita e desenvolvimento

Embora a reforma seja necessária para modernizar o sistema tributário brasileiro, é crucial que ela considere o impacto social e econômico nas atividades estratégicas, como o transporte aéreo, que movimenta turismo, negócios e integra regiões distantes.

Considerações finais

A possível implementação do IVA com alíquota elevada para o setor aéreo pode ser um divisor de águas para a aviação brasileira, com impactos negativos significativos na demanda por passagens e na conectividade nacional.

Para evitar um colapso maior, o diálogo entre governo, setor privado e entidades internacionais deve ser intensificado, buscando soluções que equilibrem a arrecadação tributária com o desenvolvimento sustentável do mercado aéreo.

O Brasil, com sua dimensão continental e potencial de crescimento, pode se tornar um líder regional em aviação, mas para isso precisa superar obstáculos regulatórios, fiscais e operacionais que ainda limitam o setor.

Bianca Borges

Autor

Bianca Borges

Bianca Borges é estudante de Publicidade e desenvolvedora em formação, com paixão por cultura pop, tecnologia e universos geek. Fã de Star Wars, DC Comics, RPG e The Walking Dead, ela traz sua visão criativa e analítica para o time do Seu Crédito Digital, colaborando na produção de conteúdos relevantes sobre consumo, serviços públicos e finanças do dia a dia. Com estilo descontraído e foco em clareza, Bianca ajuda leitores a entender temas complexos com leveza e precisão.

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